Já passava das 22 horas quando nos entregaram o carro, em Santo Domingo, capital da República Dominicana. Em pleno Agosto, no calor tropical e com o avançar da hora, só aspirávamos a um banho, algo leve para jantar e repousar. Saímos da rente-a-car rumo ao hotel, situado na zona histórica. Parte da cidade de Santo Domingo estava, literalmente desventrada (em obras de requalificação) e o GPS não descobria percursos alternativos. De repente, no breu da noite, um homem com ar patusco e bem disposto gesticulava, no meio de um estaleiro, na estrada. O Ernesto quis parar, eu preferia seguir, afinal, estavamos os dois, com duas crianças, sozinhos, no meio da noite, numa cidade da América Latina, com todos os riscos que isso possa implicar. Mas também sabemos que são pessoas mais descontraídas e calorosas e paramos para pedir informações!

O homem, sorridente sentou-se no capot do carro, perante a minha desconfiança, enquanto nos mandava seguir por ruas e ruelas esburacadas, em sentido contrário (nas barbas da polícia), por cima de passeios, ao mesmo tempo que cumprimentava e era saudado por locais. Algo que nos aliviou ligeiramente a inquietação de estarmos à mercê de um desconhecido, no mínimo suis generis. As miúdas primeiro perplexas, sobretudo a mais velha e depois divertidíssimas estavam a delirar, riam como se não houvesse amanhã, o pai seguia à risca as instruções tresloucadas do guia improvisado e eu rezava (por fora e ria por dentro) para que o homem não se despencasse do carro, nós não fossemos engolidos por uma cratera, não chocássemos com outra viatura e chegássemos rapidamente ao destino. Passaram 15 minutos que me pareceram uma eternidade e às miúdas apenas um hilariante instante. Terminava esta façanha, tínhamos chegado ao largo do hotel, sãos e salvos. O guia, com alcunha de 110 (ninguém nos conseguiu explicar a origem)seguiu a sua vida, feliz com a generosa gorjeta e no encalce de mais algum viajante em apuros. Nós? Começávamos outra aventura: o hotel, escolhido com tanto cuidado, era afinal um engodo. Cenas para outro capitulo...
Agora fiquei curiosa!!
ResponderEliminarDepois desta aventura ainda houve outra??
Houve e foi em seguida, Catarina! Contaremos mais à frente...
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