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Jizō, o guardião dos viajantes, grávidas e crianças

16.11.16
Com aparência de monges muito jovens ou mesmo ainda crianças, ostentando gorros ou vestes encarnadas (a cor da protecção), estes pequenos budas são Jizō - o guardião dos viajantes, das crianças, inclusive as que não conseguiram nascer, as que partiram deste mundo ainda pequenas (as “Mizuko” ou filhos de água) e das que ainda nascerão. É ainda patrono das grávidas e das mulheres em trabalho de parto. E é por isso que é também comum encontrar-se junto às mesmas, brinquedos, doces, babetes e outros objectos tradicionalmente associados às crianças ou a mulheres grávidas. Esta é uma das divindades mais queridas, no Japão


Cada estátua carrega uma história simultaneamente de esperança, alegria e dor. Por ser protector dos viajantes (seja nas viagens físicas quanto nas espirituais) é comum ser encontrada junto a estradas. 


Segundo o budismo, para alcançarmos a vida eterna, devemos atravessar o rio Sanku. Os budistas acreditam que as almas das crianças que morrem prematuramente não podem atravessar este rio, porque não reuniram suficientes boas acções e causaram sofrimento às suas famílias. Assim, estão condenadas a orar pela compaixão de Buda e a amontoar pedras nas margens do rio. Mas surge Jizō, que as resgata, escondendo-as nas suas mangas. E todos rezam em pedido de protecção às crianças e agradecimento pelas curas. 


As mães que perderam os filhos escrevem orações em pequenas tiras de papel, colocando-as nas águas, para que sejam levadas até aos filhos. Eles responderão aos seus pedidos com um carinhoso sorriso. E é por isso que é apelidado do deus do sorriso, inimigo dos espíritos malignos e o único que pode confortar uma mãe em luto.


Jizō representa a sabedoria da Terra, manifestando-se na boa vontade espiritual, compaixão e salvação universal. Surge de seis formas, sempre com intenção de aliviar a dor dos vivos e dos mortos - Seis Reinos da Existência - Roku Jizō (Seis Jizō).


É comum ver seis estátuas de Jizō juntas: uma carrega o cajado, outra a pedra da cura, outra o rosário budista, o incenso, flores ou tem as mãos num gesto de oração. O Jizō pode carregar apenas um cajado com seis anéis, que simbolizam os seis estados do desejo.



A quatro, sentimos a energia de cada um destes locais, contemplamos em gratidão e oramos, por todas as famílias deste mundo, sobretudo por todas as crianças, para que possam crescer num mundo mais justo, mais fraterno, mais igual, onde impere a bondade e o amor acima de todas as discórdias e controvérsias. Por um mundo com mais luz!


A Programação NeuroLinguística (PNL) tem várias técnicas que nos auxiliam a lidar com a delicada questão da morte. Uma das mais simples surge no Panorama Social, de Lucas Derks. Em frente ao espelho, dizemos a nós próprios:

– “Olá eu, gosto de ti, és uma pessoa muitíssimo amorosa e quero envelhecer contigo. E quando morreres estarei ao teu lado, isto é 100% verdade.”

Ainda no Japão a apanha do chá verde, em Shimizu.
Mais aventuras no nosso IG.

Na apanha do Chá Verde

26.10.16
Em Julho e inicio de Agosto viajámos pelo Japão e Coreia do Sul. Hoje, partilhamos convosco mais uma experiência deliciosa e inesquecível: a apanha do chá verde e a cerimónia do chá (chanoyu- “água quente para chá” ou “caminho do chá”). 


O chá é símbolo de cortesia e hospitalidade entre os japoneses. Além disso, é a bebida mais consumida na Terra do Sol Nascente e o chá verde japonês é considerado o melhor do mundo, já que a sua produção é 100% biológica e rigorosamente regulamentada. Como por aqui somos todos fãs de chá, pareceu-nos por isso, uma oportunidade fantástica podermos proporcionar às manas uma manhã de apanha de chá verde. E assim fizemos, em Shimizu, a maior região de plantações deste chá e aquela onde o índice de saúde dos japoneses apresenta melhores resultados, sobretudo no que diz respeito a doenças oncológicas. Porquê? Devido ao elevado consumo de chá verde de elevadíssima qualidade, pois claro. 


Como visitar?
Localmente existem empresas que oferecem pacotes que incluem a visita à fábrica onde as ervas são tratadas e permitem a apanha, nos campos de cultivo. Nalguns casos é possível assistir à tradicional cerimónia do chá. Este ritual tem influência do budismo Zen, cujo objectivo é purificar a alma do homem. Lembremo-nos pois que o povo japonês procura o reconhecimento da verdadeira beleza através da modéstia e da simplicidade e consegue-o com uma excelência ímpar!


Chegámos cedo, depois de passarmos campos e campos de plantações de chá à sombra do Monte Fuji (embora coberto de névoa nesta altura do ano) e de bosques de pinheiros de Miho, lar de um pinheiro negro japonês de 650 anos. Mergulhados num refrescante e doce verde envolvente, vestimos os tradicionais e amorosos kimonos, recebemos os cestos para a apanha e fomos colher as folhas do chá.


Se a Constança e a Madalena estavam entusiasmadas? Garanto-vos que eram as pessoas mais atentas e dedicadas, em todo o campo! Sentiam a textura das folhas, o aroma e só depois colhiam com a delicadeza e carinho que só uma criança consegue ter.




O chá verde não é fermentado, ao contrário dos chás do tipo oolong que são semi-fermentados, e os chás pretos ainda mais fermentados.


Todos os chás típicos japoneses são verdes e o processamento das folhas é feito rapidamente para evitar o processo de fermentação natural. O que atribui aos chás japoneses o seu sabor característico é o facto de que as folhas são vaporizadas, evitando a oxidação, preservando a cor natural da folha e um sabor suave de fundo amargo. Em seguida, as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente moídas, transformando-se no chá que todos conhecemos. 


Contrariamente ao que é comum nalguns países ocidentais, nenhum dos chás japoneses é tomado com leite ou creamer (líquido ou pó para neutralizar o fundo amargo dos chás pretos).


No final da visita à fábrica aguardavam-nos dezenas de iguarias confeccionadas com as folhas deste chá. Desde gelados, a bolos, sopas até roupa, sim, roupa!


Só que o mais incrível ainda estava por vir! 

A senhora da foto é Miniyu, tem 100 anos, nasceu e vive desde sempre em Shimizu e tem uma missão de vida tão nobre - a de passar às gerações vindouras o ancestral e exigente ritual da cerimónia do chá.

Das mãos da experiências nenhum pormenor é descurado. Ao mesmo tempo, os seus olhos atentos como os de uma água, calibram cada movimento dos convidados para garantir que não há falha possível. Aqui, cada gesto tem uma graciosidade, delicadeza e significado próprios. Por exemplo, ao servir a primeira chávena de chá o desenho da chávena deve estar voltado para o anfitrião. Esta é uma aprendizagem que começa desde tenra idade e é tão rígida que pode demorar uma vida a adquirir as competências exigidas a um mestre. 


Existem vários rituais: o chanoyu com um carácter mais simples (chakai - “encontro para chá”) com doces típicos, chá suave (usucha) e um aperitivo (tenshin) ou um carácter mais formal (chaji – “assuntos do chá”) que pode durar até quatro horas incluindo uma refeição tradicional (Kaiseki) e ainda um chá forte (Koicha).


A curiosidade e a experiência caminham de mãos dadas, sobretudo na infância. A aprendizagem deve ser espontânea, lúdica e prazerosa. É este o caminho para implementar a atenção e consequentemente a aquisição dos conhecimentos. Até aos seis anos as crianças aprendem através do movimento, das percepções e das sensações, até porque são estas as primeiras áreas do cérebro a desenvolver-se. É por isso importante que experimentem o que lhes queremos ensinar e os japoneses são mestres também aqui.

E já conhecem o poderoso Jizo?

O nosso roteiro de 15 dias pelo Japão e Coreia do Sul (que aos poucos iremos desvendando) incluiu:

Tóquio - Kamakura - Yokohama - Shimizu - Kochi - Nagasaki - Hakodate - Nikko - Busan (Coreia do Sul)

Até breve! Entretanto, andaremos também na minha página Rita Aleluia e claro, na página de Facebook do Miles in Family.

Já nos seguem no IG?

De partida para um admirável mundo novo

13.7.16
Já aqui vos tinha revelado que as nossas viagens começam no momento em que decidimos qual o próximo destino. Pois bem, desta vez, por serem dois destinos muito exóticos, em relação aos que costumamos desbravar, a preparação inclui novidades. As próximas "salas de aulas" da Constança e da Madalena, são uma imensidão de práticas que nos conduzem ao melhor que temos para partilhar com o mundo.


Além de encontrarem a localização no Globo, escolheram, como habitualmente, na Internet, quais as fotos mais significativas (para as duas) colocarem no quadro, tiraram duvidas sobre a importância de cada elemento que compõe cada imagem, cortaram e colaram. Uma palavra: FASCÍNIO

Focamo-nos no Japão, já que a Coreia do Sul, embora muito diferente, terá também semelhanças. Ainda assim, faltava apurar algo: a gastronomia e as regras de etiqueta. Sim, o Japão é considerado o país das regras de etiqueta! Mas não são normas de inflexibilidade ou de autoritarismo, são sim, de respeito pelo próximo, pelo modelo do mundo diferente e isso é que as torna tão especiais. 


Partilhamos aqui, algumas:


  • Ojigi” - cumprimento curvado

Seja no local de trabalho, na estação ou numa loja. A qualquer momento é possível ver pessoas curvarem-se perante outras, é o chamado: “ojigi” - cumprimento no qual se curva para frente, em atitude de respeito e humildade.


  • Sumimasen” - “perdão” ou “com licença”

“Ceder o lugar ao outro” (yuzuriau) é a regra de ouro quando existem duas pessoas no mesmo lugar. Seja para se sentar ou, simplesmente, ao caminhar pela rua. 


  • Silêncio


No metro, os passageiros deverão permanecer em sil êncio ou falar baixo, de forma a evitar perturbar quem está próximo. 


  • Espirros

Evitem assoar-se à frente de outras pessoas e nada de usar lenços de pano. Tal como noutros países asiáticos o lenço de papel é considerado mais higiénico.


  • Saborear a comida 

Evitem também comer de pé ou a andar pela rua. A comida precisa de ser saboreada com calma. 


  • Apontar o dedo, pés ou hashis (palitos de comer) para pessoas é considerado uma grande falha de etiqueta. Bem, esta também se aplica no Ocidente (em geral).


  • Evitem ainda expressar uma opinião de forma clara ou directa. Os japoneses preferem a harmonia do grupo em vez de opinarem sobre algo de forma efusiva.


  • Não os interrompam nem se preocupem com os intervalos de silêncio. A cultura japonesa aprecia e muito, esses momentos.


  • Evitem olhar fixamente para alguém, seja homem ou mulher.


  • Muitas lojas e cafés fornecem sacos de plásticos para guarda-chuvas em dias chuvosos. Certifiquem-se que não entram com o guarda-chuva molhado.

E a preferida das manas (aiiiiii):


  • Ao contrário da etiqueta ocidental, sopas e massas podem e devem ser chupadas das tigelas. Aliás, pratos e tigelas devem ser trazidos à boca, ao invés de se deixar pender a cabeça sobre os mesmos.
É sempre tão revigorante fazer a mala e partir para beber sabedoria, tranquilidade… Agitar a VIDA para que ela seja livre de se desenvolver!  

Mais no nosso IG.

Parabéns a vocês

16.2.16
É com o coração a transbordar de gratidão que vos escrevemos este post. Viajamos juntos há 365! Tem sido uma viagem maravilhosa, repleta de partilhas deliciosas. Fizemos amigos de tantas nacionalidades, em tantas partes do Globo.


Somos apenas uma família que adora viajar. Não somos profissionais, não pretendemos ser. O nosso lema é mantermo-nos fieis à nossa genuinidade. Assim, fotos eventualmente desfocadas, com enquadramentos duvidosos, a privacidade das nossas filhas protegida, escrita com vírgulas a mais ou a menos podem pautar nesta nossa casa virtual. Contudo, escolhemos partilhar convosco as nossas vivências em viagem, a guarda-las só para nós. São vocês que nos inspiram e nos ajudam a sermos melhores.

Ficamos imensamente gratos quando o feedback é o de que conseguimos retribuir, inspirando famílias a fazerem as malas e a partirem à aventura. Quando uma família com uma criança com necessidades educativas especiais (NEE), como a nossa querida "maiúsca", decide finalmente, ultrapassar o medo e realizar um sonho e regressa super feliz e a programar as próximas aventuras, enche-nos a alma. Mas, as crianças são todas iguais, com ou sem NEE. Quem viaja com uma, viaja com todas. Ouçam a voz do vosso coração, ele conhece o caminho. Está tudo bem!

Não é preciso ficar hospedado num hotel de luxo assim como, também não é imperativo acampar. Podem ir de avião, barco, comboio, autocarro, autocaravana, a pé... Cada família sabe quais as melhores condições para se realizar enquanto viajante. Cada família conhece, melhor do que ninguém, qual o seu ritmo e somos todos tão diferentes. Só vocês, pais, saberão sentir e escutar os vossos filhos e decidirem, em conjunto, se os destinos são, ou não, acertados em cada momento. 

A intensidade de uma viagem não se mede pelo período de duração, nem pela distância. Uma viagem de um dia pode ser muitíssimo mais intensa do que outra de uma mês, ou várias por ano, por exemplo. O importante é estar em todas, de corpo e alma. Estarmos juntos, cúmplices em todos os momentos. 

Libertem-se das crenças limitadoras, aquelas que vos impedem de ir mais longe. 

O que os outros pensam é com eles, não tem a ver convosco. É sempre a percepção de terceiros e nunca a vossa realidade. 

Confiem nos vossos filhos e permitam que eles sejam verdadeiros cidadãos do mundo, responsáveis, honestos, aceitando e incluindo as diferenças, tornando-as em igualdades. A semente que hoje plantamos, amanhã dará frutos e a memória emocional não tem DEL. 

Foquem-se nos resultados, criem os pensamentos do que querem concretizar, actuem, sejam genuinamente felizes e viagem a espalhar essa felicidade! Só depende de cada um de vocês, porque a felicidade vem de dentro e reflecte-se fora. E não se esqueçam, nada tem mais influência na vida de uma criança do que o exemplo dos pais. O que quer que decidam fazer, em conjunto com os vossos filhos, façam-nos sempre com muito amor.

Que continuemos a somar milhas e milhas, sempre na vossa querida companhia. Bem-hajam! Um beijinho grande e um abraço,
Rita, Ernesto, Constança (mana "maiúsca") e Madalena (mana "minúsca")


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Dubai a duas velocidades

25.1.16
Ainda não tinha conseguido partilhar convosco a nossa experiência no Dubai. As manas gostaram, era novidade e são crianças, com filtros em desenvolvimento mas suficientemente elásticos para não lhes adornarem as ideias com crenças limitadoras. O pai da casa diz que está visto, as próximas idas, provavelmente só em escala. Eu, que posso eu dizer... 


Não existe apenas um Dubai. Dirão vocês, e com razão que também não existe só um lado de uma moeda. Só que aqui é diferente. No Dubai é tudo em grande! Demasiado grande, elaborado e artificial (para meu gosto). Aquele lado romântico das Arábias… não foi no Dubai que o encontrei. 

Este é o país com o maior edifício do mundo – Burj Khalifa, o maior centro comercial do mundo – Dubai Mall, o restaurante mais alto do mundo - At.mosphere Grill & Lounge, a maior pista artificial de esqui - Ski Dubai, as maiores ilhas artificiais- The Palm, o primeiro hotel de sete estrelas, com paredes de ouro – Burj Al Arab... O maior isto, aquilo... Pensar que aqui era "apenas" uma imensidão de deserto...


Tocamos no céu, atravessamos um túnel debaixo do mar, o vizinho do lado tem um Ferrari pintado a ouro, no banco do pendura não se admirem quando virem repastado um leopardo, é normal, e até há auto-estradas com 16 faixas, construções megalómanas que parecem saídas do mais recente filme de ficção científica, mulheres que usam burca e exibem orgulhosas os seus Christian Louboutin, enquanto fazem notar as suas Vuitton e os filhos seguem atrás com uma ama filipina... Estão a gostar até agora? É um luxo só! O centro das excentricidades. Importaram tudo o que de mais luxuoso e refinado há no mundo e concentraram aqui. Tudo o que o dinheiro pode comprar está à venda no Dubai!


Ficamos muito bem hospedados, fizemos excelentes refeições, amanhecemos na praia, vimos o pôr-do-sol no meio do lago das águas dançantes, assistimos à nossa primeira tempestade de areia do deserto...



Mas, e há sempre um mas, não encontrei a alma deste povo. No Dubai, 85% da população é estrangeira. Destes, a grande comunidade de indianos, paquistaneses e filipinos estão na base da pirâmide e servem os locais e visitantes. E são eles os taxistas, motoristas e são eles que partilham connosco o outro lado da moeda. Aquele que não interessa ao crescente turismo mas que é parte do verdadeiro Dubai. 


Concentram-se em Deira, o bairro mais antigo do Dubai, hoje uma zona pobre, uma mescla de etnias e ofuscada dos roteiros mais turísticos. É em Deira que encontramos a genuinidade deste país. Onde nada é encenado, onde tudo é real. Onde há aromas, sabores e cores, pregões e onde, tantas vezes paramos para perceber se estamos de facto, num país dos Emirados Árabes Unidos. Eu, que ainda não fui à Índia, por mais do que uma vez acreditei que já lá estava. É aqui que fica o Mercado de Especiarias (Spice Souk) e o famoso Mercado de Ouro (Gold Souk), ambos tão aquém dos de Marrocos. Mas, assim como não se comparam pessoas, também não se comparam países.





Voltando ao final do primeiro paragrafo deste post, eu, que posso eu dizer? Foi uma experiência. Não me demorei o tempo suficiente, pode ter sido isso. Vou lá voltar, porque acredito que ele tem uma alma que eu ainda não encontrei. 

Old Muttrah Souk de Muscat

9.12.15
Viajar é sinónimo de mergulhar na cultura e nas gentes de um país que não é o nosso. Quando visitamos países árabes não resistimos aos labirínticos, perfumados, coloridos e estreitos souks e foi o que aconteceu em Muscat, a capital do Sultanato de Omã


Percorremos (sempre atentos e sem nos dispersarmos) o Old Muttrah Souk, um mercado tradicional abrigado por telhados de madeira moderna. Este é um dos mercados mais antigos do mundo árabe. Durante séculos foi palco do comércio de mercadorias que passavam pelo porto de Muscat, oriundas da Índia, China, Europa e outros países do Médio Oriente.

A presença da imagem do Sultão Qaboos bin Said é uma constante para onde quer que nos voltemos. Omã, ao contrário de outros países da Península Arábica não tem um harém e o Sultão é solteiro (por opção).


Aqui encontramos deliciosas lojas de antiguidades, jóias, têxteis, especiarias aromáticas, incensos, perfumes, cerâmicas e outros produtos exóticos. Este é um dos poucos mercados onde é possível comprar ouro, incenso e mirra na mesma loja. 




Ai o que eu gosto de comprar nestes mercados! A negociação (regateio) é rainha e acabo por levar o que pretendo ao preço que me parece mais justo, adoro!



Ainda assim, é preciso atenção para não se aventurar para longe das principais ruas deste souk que fica situado ao lado do histórico bairro xiita de Al- Lawataya. Apesar de estar muralhado, pode acontecer entrar neste bairro e não é o mais aconselhável. Existe inclusive sinalização a proibir a entrada de estranhos no mesmo. 


O mercado está localizado no coração do Centro Histórico de Muscat e tem entrada gratuita. Abre ao público duas vezes por dia: de manhã bem cedo e até o meio-dia. Depois, no final da tarde prolongando-se até ao final da noite. Às sextas-feiras, o mercado só funciona na parte da tarde.


Dica super importante
Seja em souks ou medinas, NUNCA, em hipótese alguma deixe as suas crianças afastarem-se de si. Este conselho é válido para toda a família, mantenham-se sempre unidos. Se tiverem que experimentar alguma peça de roupa, num provador, façam-no atentos e sempre com um de vocês na porta do mesmo. Estes locais são labirínticos e a pouca sinalização existente encontra-se apenas em árabe. Em muitos destes sítios os transeuntes nem inglês falam. Não arrisquem!!

Ainda sobre Omã, a nossa aventura nos Fiordes de Ras Musandam e a visita à Grande Mesquita do Sultão Qaboos.

Dubai com tempestade de areia

21.8.15
Somos entusiastas de experiências novas e andamos sempre no encalço das mesmas. No Dubai não seria excepção! O destino revelou-se interessante do ponto de vista arquitectónico e da engenharia, mas esta é apena uma face de um rosto que esconde um sem número de realidades que não estimamos, entre elas a exploração da mão-de-obra de milhares de trabalhadores oriundos de países paupérrimos (assunto para outro post, ou talvez não)...



Acordámos, cedo como habitualmente, olho pela janela, vejo o céu bacento. Primeiro pensei que ainda estava meia adormecida. Depois, reparei que alguns trabalhadores, na rua usavam máscaras mas não estranhei (cada um é como cada qual). Despachamo-nos e regresso à janela. Agora o céu já não se vê e parece haver uma espécie de poeira no ar. Saímos e, ai que quase voamos!! Pelos olhos entra-nos uma poeira fininha, pelas narinas idem, protegemos as manas e abrigamo-nos no city bus. Percebemos prontamente que estamos debaixo de uma tempestade de areia. Por todo lado há avisos e indicações de velocidades a serem respeitadas e comportamentos a ter em conta.




A paisagem fica alaranjada e misteriosa. Mas as tempestades de areia e poeira estão entre os fenómenos mais violentos e imprevisíveis da natureza. Ventos fortes levantam as partículas de poeira ou areia no ar, formam uma nuvem turbulenta e sufocante que reduz a visibilidade até ao limite da cegueira em questão de segundos e causa danos em propriedades, ferimentos e até mortes.



De repente, o deserto que virou cidade parece regressar à sua essência, de deserto e é lindo! É maravilhoso!

Dicas: 

Coloque uma máscara sobre o nariz e a boca. Se tiver uma máscara ou um respirador feito para filtrar partículas pequenas, coloque imediatamente. Se não tiver uma máscara, enrole um lenço ou outro pano no nariz e na boca. Humedeça-o um pouco, com água. Aplique uma pequena quantidade de vaselina na parte interna das narinas, para evitar que as membranas mucosas ressequem. 

Proteja os olhos. Os óculos de segurança herméticos são os melhores. Se não os tiver, proteja o rosto com os braços enquanto se movimenta e depois enrole um pano bem apertado na cabeça, para proteger os olhos e as orelhas. 

Vá para terreno elevado. A concentração mais densa de areia e poeira flutua perto do chão, logo, a tempestade é mais fraca no topo de um monte. 

Atenção às lentes e máquinas fotográficas, a nossa virou “poeira”... Nunca mais funcionou.

P.S. - Não foi aplicado filtro a nenhuma das fotos deste post.

Por uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

12.5.15
O Sol tórrido que nos abraçava já pelas dez da manhã, acompanhado dos seus calorosos quarenta graus não conseguiu dissipar o nosso deslumbre perante a imponência e magnitude deste verdadeiro tesouro arqueológico: Éfeso!



Em Éfeso respira-se um misto de beleza e história, viajamos numa cápsula do tempo. Por momentos, pensei ter avistado o Sport Billy (lembram-se desse bonequinho simpático?) e mais à frente a Cleópatra e Marco António que ali passaram a lua de mel - à passagem dos mesmos era derramado vinho no chão e assim terá nascido a passadeira vermelha. 


O ideal é chegar ao local nas primeiras horas da manhã para evitar o intenso calor e uma enchente de turistas e guias que dificultam a circulação. 


Ainda em Portugal, estudamos o local ao pormenor, com a Constança - as crianças ficam abismadas com as histórias e imagens recriadas em 3D desta colossal cidade.

O nosso conselho para esta visita é o de contratarem um guia, é garantia de que conhecerão na integra as profundezas deste património. O uso de protector solar, chapéu de sol ou sombrinha, água para se manterem hidratados, o carrinho para os mais pequenos (com chapéu de Sol) ou uso do sling e calçado confortável são indispensáveis.


A cidade é gigante! Destacam-se como principais pontos históricos o Templo de Artemis (reconstruido, com peças originais no British Museum), a Biblioteca de Celsus, a Avenida de Mármore, o Portão de Augustus, o Teatro e o Portão de Adriano.







Por ter sido uma viagem planeada com alguma antecedência, um mês antes visitámos, em Londres, o British Museum. Foi uma ajuda preciosa para que a Constança tivesse noção completa da história e de quão gigantes eram os monumentos que edificavam Éfeso, uma vez que inúmeras peças originais foram resgatadas para este museu.


Para conhecerem a fantástica cidade de Éfeso podem levar horas, um dia inteiro ou mais, se quiserem. Por isso, aproveitem a sombra da Biblioteca de Celsus para se sentarem e relaxarem um pouco ou a sombra de algumas árvores que por ali repousam, deixarem-se invadir pelo esplendor do local e descansem em família. 


Eu, uma apaixonada por história, arqueologia e livros vivi de forma muito particular a visita, sobretudo à Biblioteca. Experimentem pedir aos mais novos para derramarem água sob o chão de ladrilhos, eles vão delirar com as revelações dos desenhos magníficos. 



Esta visita é também uma excelente oportunidade para uma lição sobre civismo. Ficamos perplexos com a quantidade de visitantes que não respeitam a história e decidem avançar para cima dos vestígios arqueológicos. E ninguém os impediu ou os advertiu... Lamentável. 

À saída desta magnânima cidade existem uma série de lojas de recordações, venda de doces tradicionais, gelados... A que gostámos particularmente, é uma livraria que disponibiliza obras muito interessantes, não só acerca de Éfeso como acerca de outras maravilhas históricas. 


História

Éfeso foi uma das mais importantes cidades da Grécia antiga, localizada na costa Oeste da Anatólia, actual Turquia (Ásia Menor). Esta foi, no período romano, a segunda maior cidade do império, depois de Roma. Nessa época (séc. I) era considerada a segunda maior cidade no mundo. Hoje é o maior local arqueológico na Turquia e ainda não está toda a descoberto, as escavações arqueológicas prosseguem em redor.


Na antiguidade, Éfeso ficou imortalizada pelo Templo de Artemis (deusa Diana para os romanos), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo (550 AC) e pelo seu teatro, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 a 500 mil habitantes. Na Era Cristã, a cidade foi uma das sete da Ásia citadas no Livro das Revelações (Apocalipse segundo São João). Conta-se que aqui foi escrito o Evangelho segundo São João e a Primeira Carta aos Coríntios já que São Paulo também ali viveu, trabalhando numa congregação local. Aqui jaz ainda, um grande cemitério de gladiadores.

"Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje." - Heráclito (filósofo pré- socrático, considerado o pai da dialéctica e natural de Éfeso)

Como chegar

Avião
Há diversas companhias que operam directamente de Istambul para Izmir. Cada viagem pode custar cerca de €70.  

Navio
Izmir é um dos portos eleitos por muitos cruzeiros que cruzam o Mediterrâneo e o Mar Egeu. Os passeios até Éfeso podem ser contratados nos próprios navios.

Carro
Éfeso está situado a aproximadamente 45 minutos de carro, de Izmir. Os passeios de meio dia até as ruínas podem ser contratados nos hotéis da cidade e custam, em média, 45 euros por pessoa - incluem a visita à Casa da Virgem Maria (podem acompanhar aqui a nossa visita).