Em casa da Mãe

23.2.15
As águas serenas do Mar Egeu embalavam os nossos corações peregrinos. À vista Izmir, na Turquia. A “Pérola do Egeu”, a terra que há 3500 anos viu nascer o poeta Homero.

Íamos, finalmente, visitar a Casa da Virgem Maria, onde a mãe de Jesus terá vivido os seus últimos anos, junto a São João Baptista (a quem Cristo terá pedido, antes de ser crucificado para a amparar).

Com crianças, por termos apenas um dia disponível e por estar uma temperatura que rondava os 40 graus, optámos por contratar uma excursão, num autocarro turístico, com uma guia em castelhano, a amável Derya.

A humilde casa (onde aconteceu a Assunção de Nossa Senhora) é feita de pedra, situa-se a 400 metros de altitude, no alto do Monte Coresus (Panaya Kapulu), numa zona conhecida como Maryemana Kultur Parki, a oito quilómetros de centro de Éfeso.

O local mágico, invadido por uma energia singular, é um relevante centro de peregrinação reconhecido pela igreja católica e pelos muçulmanos. Para estes, Nossa Senhora foi a mãe de um grande Profeta e é a única mulher a ser exaltada no livro sagrado muçulmano.


Dentro da casa, hoje uma capela/ santuário, não é permitido fotografar.

Para nós, crentes em Nossa Senhora e as nossa filhas a Ela consagradas, esta visita revestiu-se de grande intensidade. A Constança estava emocionada e a Madalena, ainda tão bebé, parecia sentir a presença de Maria, algo que não poderemos nunca descrever em palavras. Percorrermos os mesmos caminhos que a Mãe, passearmos nos mesmos jardins, abrigarmo-nos nas sombras das mesmas árvores, bebermos da água da fonte (a única na região e que se acredita ser abençoada) que tantas vezes lhe saciou a sede foram momentos verdadeiramente especiais.

Ao lado da fonte, está o Muro das Graças repleto de bilhetes, lenços esvoaçantes, fitas, agradecimentos e pedidos dos peregrinos que ali passam. Também nós deixamos o nosso bilhete, escrito com tanto carinho e significado. Um momento de oração e reflexão, em família.

O local foi desvendado ao mundo, no século IXX por Anne Catherine Emmerich, uma freira acamada, que nunca andou nem nunca saiu da Alemanha. O sítio, em Éfeso é descrito com um pormenor impressionante e as suas visões foram publicadas em livro.

Em outubro de 1881, um padre francês descobriu as ruínas do que teria sido a casa descrita pela freira. Dez anos mais tarde, uma expedição encontrou o mesmo local através das descrições nos livros e descobriram ainda que a casa era um centro de adoração há séculos, por pessoas que se diziam descendentes dos "Cristãos de Ephesus" que chamavam aquela zona: "Chapel of the Most Holy" e que acreditavam que Nossa senhora ali tinha vivido até ascender aos céus. A realização do teste de carbono 14, comprova que a casa data dessa época.

História

Visitaram o local: em 1967, o Papa Paulo VI; em 1979, o Papa João Paulo II e em 2006, o Papa Benedicto XVI.

Sugestões

Levar protector solar, chapéu, lanche e recipiente para trazer água da fonte que se crê abençoada.

Parem, sentem-se à sombra das árvores e contemplem a serenidade do local. Contem a história do mesmo às crianças, antes e durante a visita. Escolham uma intenção, acendam uma vela e rezem juntos.

Que Maria abençoe e proteja todas as famílias.

Ainda em Izmir, a nossa visita a uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo - Éfeso.

Murano: ilha mágica!

22.2.15
Bela, encantadora, artística, romântica e mágica: são apenas alguns dos adjetivos para classificar Murano.

É a maior das Ilhas e também a mais próxima de Veneza. A Ilha de sonho fica bem pertinho. O acesso faz-se, em 20 minutos, através de “vaporetto”. Um verdadeiro autocarro aquático que é também o transporte público de Veneza. Recomendo a compra de um “ticktet” válido por 1 dia para que possa disfrutar calmamente das belezas naturais das Ilhas Venezianas.

Na viagem aproveite para fotografar paisagens de ângulos bem diferentes.

Toda a informação sobre as linhas, horários e preços pode encontrar no portal da empresa ACTV (Azienda del Consorzio Trasporti Veneziano).

A arte do vidro

Murano é o berço da produção de vidro a sopro. A arte resiste há mais de 700 anos. Em menos de 1 minuto os sopradores criam peças de rara beleza.

Por entre as ruelas existem várias fábricas. Aconselho a conhecer de perto o fabrico artesanal que mantém viva uma rica tradição de Murano. Em alguns casos a entrada é paga. Informe-se antes de entrar na área de produção. É feita uma demonstração do fabrico e no final o turista é convidado a comprar uma pequena lembrança. Os motivos, cheios de cores e brilhos são variados e os preços adequados a todos os bolsos. É quase impossível sair da Ilha sem uma compra!

Durante o passeio por Murano surpreenda-se com verdadeiras esculturas públicas em vidro, como é o caso da obra “Natale di Luce in una Cometa de Vetro”, desenhada por Simone Cenedese. Foi instalada em dezembro de 2007 no Campo Santo Stefano. É o símbolo do Natal em Murano.

Curiosidade

No final do século XIII, os fabricantes de cristais de Veneza foram obrigados a instalar as fábricas em Murano, devido ao risco de incêndio. Rapidamente a Ilha transformou-se num dos mais importantes centros de vidro do mundo. Os produtos luxuosos foram usados na decoração de palácios de referência mundial.

A produção de cristais continua a ser uma das atividades mais importantes da Ilha. As pequenas lojas cativam os clientes pela imensidão de vidraria disponível. Atualmente a produção enfrenta a concorrência do mercado Chinês.

Outras atrações

Com apenas 5 mil habitantes, Murano está ligada por diversas pontes embora não tenha tantos canais como Veneza. O canal mais importante que tem divide a Ilha em duas. Sugiro uma pausa para um café numa das esplanadas à margem do canal.

Prossiga a viagem e a cada recanto vai encontrar um bom motivo para fotografar.

A Igreja de Santa Maria e San Donato (Basilica Del Santi Maria e Donato) é conhecida pelos mosaicos bizantinos do século XII. Mostra que mesmo sendo no Ocidente, Veneza sofreu influência e foi considerada por muito tempo como uma cidade oriental.

Já a Igreja de São Pedro Mártir destaca-se pela decoração, com importantes obras de Tintoretto e Veronese, pintores venezianos de referência.

Todas as pontes são transponíveis!

Concluída a visita parta à conquista de outras ilhas de Veneza. As crianças não são entrave para uma agradável viagem à descoberta de novos mundos.

Limusina, por favor!

21.2.15
Já se imaginaram a sair da praia de limusina? Pois, nós também não, mas aconteceu, nas Bahamas!! 
Depois de meia hora à espera (sem sucesso) que passasse um táxi ou outro meio de transporte que nos levasse de regresso ao porto de Nassau, eis que surge o Johnny e o seu Hummer limusina. A viagem custou $20, o táxi custaria $25! Moral da história: se não tens táxi vai de limusina!

Foi, provavelmente a viagem mais pirosa que fizemos até hoje e ao mesmo tempo uma das mais cómicas!

Confiar e agradecer

20.2.15
Porque as viagens não se fazem só de avião, carro, comboio, navio... porque somos todos viajantes na longa viagem da vida que nos surpreende a todo o instante, não só com lugares encantadores mas também com pessoas, tão especiais faz-nos sentido partilhar convosco alguns passos mágicos para a concretização deste blog. Nesta casa o lema é confiar e agradecer! Sabemos que quando algo menos bom nos acontece tem um sentido e confiamos, sentimos que Ele está sempre connosco. Quando algo bom acontece: agradecemos! Nada é por acaso! Se duvidas houvesse a imagem do blog bastaría para dissipá-las. Quando decidimos avançar com este nosso cantinho virtual, desejávamos que tivesse o nosso cunho. Creio que é intrínseco ao ser humano ter o seu espaço, de uma forma ou de outra personalizado. Como nesta casa todos gostamos de histórias, o conceito de nos vermos retratados em desenho, em vez de foto era algo natural. Comentei com uma amiga e ela falou-me dos trabalhos deliciosos da Raquel Pina. Daí à conversa com a autora foi literalmente um clic. Fiz-lhe uma breve descrição de quem somos, dos nossos gostos e enviei meia dúzia de fotos representativas de tudo o que tinha partilhado por escrito. A Raquel acertou à primeira! Foram realizados apenas três ajustes. Um era essencial, a bebé da casa nunca gostou de chucha pelo que a mesma foi substituída por algo que a Madalena ama: bolachas! Quanto à posição da pequenita, dentro da mala, não podia ser mais fidedigna. A Raquel também não sabia (na altura em que a desenhou) mas é exactamente assim que ela se senta depois de invadir as malas do lar (diria que é um dos seus passatempos preferidos). Já a nossa filha mais velha surge com a bola mundo nas mãos. O que nunca tínhamos revelado à Raquel é que a Constança gosta imenso de jogar à bola e tem, justamente uma bola mundo insuflável que nos acompanha em muitas viagens! Outro pormenor do desenho: a mala da Constança. Nunca antes falámos desse tema e, no entanto a mala de cabine (real) da nossa primogénita é em tudo muito semelhante à desenhada. Já com o desenho nas mãos, chegara a hora de avançar para a imagem geral do blog. Os compromissos profissionais do pai impediam-no de se dedicar a essa tarefa, já eu consegui coordenar tarefas e agendas e aventurei-me. Fiz e refiz, por três vezes o blog mas o resultado não me agradava. Sou uma apaixonada por natureza e faltava sentir aquele “tcharam”... Enviei então, uma mensagem, bem ao estilo SOS, à Sílvia Silva. Tal como com a Raquel, a Sílvia abraçou o projecto com infinito carinho, dedicação e mestria. Todo o processo foi idêntico ao do desenho da nossa imagem. E sim, foi igualmente um sucesso à primeira! Quando andamos nesta vida por paixão, a magia acontece. É maravilhoso saber que ninguém se cruza nas nossas vidas por acaso!

Cidade fascinio entre o céu e o mar: Veneza!

20.2.15
O som da "Ave Maria" de Verdi anunciava boas novas. A melodia harmoniosa do movimento das águas dava-nos as boas-vindas! A sensação, ao sair da estação de comboios era a de que tínhamos acabado de mergulhar num sonho de esplendor e beleza sem precedentes! Chegamos a Veneza (Venezia), a cidade que, garanto: Deus esculpiu ao pormenor, à semelhança do céu, só pode!

Nietzsche dizia e com tanta razão, "se eu tivesse que encontrar uma palavra que substituísse música, eu só conseguiria pensar em Veneza!".

Cruzamos pontes, percorremos, sem rumo e sem mapa ruas e ruelas (uma forma divertida e descontraída de aumentar, ainda mais a cumplicidade em família) e o mistério que envolve esta cidade divina é tal que acreditamos ser surpreendido por Giacomo Casanova, nalgum virar de esquina. As crianças amam ser guias nestas ruelas! É uma genuína viagem ao século XVIII (excepção feita aos milhares de turistas em quem quase tropeçamos).

Veneza, construída sobre bancos de areia desde a Idade Média está muitas vezes inundada (consequência do degelo decorrente das alterações climáticas) mas fomos bafejados pela sorte e encontramo-la seca, apesar da chuva que insistia em cair, no primeiro dia. E é tão divertido passear à chuva com as miúdas, saltar nas poças de água, abrigarmo-nos nas ombreiras das portas das lojas…

O ritmo da cidade é marcado pelas gôndolas (embarcação tradicional veneziana que oferece passeios de 45 minutos, para dois adultos e duas crianças, por €80) e pelos "vaporettos" (autocarros aquáticos com bilhetes a €7 por passageiro, válidos por uma hora) que rasgam os canais e atravessam o Grande Canal. Duas das principais atrações para as crianças que ficam encantadas com as decorações das embarcações e com os cânticos do gandoleiros (enquanto remam) mais equilibristas que navegadores. Já nos “vaporettos”, os melhores lugares são (com muito cuidado) junto às grades, para que os mais novos não percam pitada.



Calcorrear Veneza com carrinho de bebé? Uma aventura mas possível! O desafio não está em circular mas em atravessar as pontes que cruzam os canais. Não é a cidade mais bem preparada para acolher estes veículos, ou cadeiras de rodas mas já vão existindo algumas rampas e um elevador suspenso, bem interessante. Nada que perturbe o veneziano romantismo intrínseco.

Os opulentos palácios aristocráticos (construídos por comerciantes abastados e por nobres na idade do ouro veneziana), ao longo do Grande Canal sequestram-nos para um conto de príncipes e princesas. Os proprietários, vaidosos, abrem as janelas para que os transeuntes possam vivenciar a beleza que os esculpe e decora. O entardecer aqui dá vida aos edifícios e um chocolate quente torna o passeio ainda mais doce.

O Grande Canal é como a “avenida” principal da cidade. A primeira coisa que fizemos, ao chegarmos a este pedaço de céu na Terra, foi entramos no primeiro Vaporetto para desvendarmos este canal sublime. Claro que, também as crianças ficaram encantadas!


A cidade é invadida por aromas e é impossível resistir a um gelado tradicional ou a um delicioso Tiramisu, acabado de confeccionar. Uma actividade divertida e gulosa é assistir ao fabrico destas iguarias.

A Piazza San Marcos é celestial!
Artistas de rua, centenas de pombos atrevidos (que os pequenos, destemidos gostam de alimentar (para meu grande pesadelo que tenho fobia a pássaros) e centenas de turistas dão-lhe vida. Rodeada da Basílica San Marco, o Campanile (com uma vista impressionante do alto), a Torre do Relógio (construída no final do século XV, exibe as fases da lua e os signos do zodíaco, representados em azul e dourado no grande relógio. Uma oportunidade divertida para uma aula de astrologia. Conta a lenda que depois de concluída, os autores da obra foram cegos para que não pudessem repetir nada semelhante. No cimo está a figura do leão alado de San Marco, símbolo da cidade de Veneza), o Museu Correr e o Palácio Ducal (residência dos governantes de Veneza, chamados de doges, no século IX) conferem-lhe uma autenticidade excepcional.

A Basílica San Marco, uma das catedrais mais exóticas da Europa é paragem obrigatória. Ainda assim, e dependendo da idade das crianças pode ser uma visita cansativa uma vez que não é permitido sair da fila, no trajeto pré definindo.

E um dos símbolos de Veneza é a Ponte de Rialto, em forma de arco, parcialmente coberta é a única que liga as duas margens do Grande Canal, no coração da cidade. Ao lado e a não perder: o Mercado principal de Veneza que invade as manhãs de segundas e sábados. Toda a família pode desfrutar dos queijos, peixe fresco e um sem fim de produtos e pregões venezianos. A ocasião perfeita para interagir com a cultura gastronómica e o bom humor das gentes locais.

Ao lado da Piazza San Marco surpreende-nos a Ponte dos Suspiros, uma das mais importantes de Veneza. É feita de rocha calcária branca e janelas com barras de pedra. Reza a lenda que se dois apaixonados se beijarem no exacto momento em que a atravessam de gôndola, na altura do pôr-do-sol, o seu amor durará para sempre. As crianças gostam imenso de conhecer as lendas associadas ao locais. Nós entrámos numa livraria, muito acolhedora e comprámos para a Constança um livro só com as lendas venezianas. Acompanhou-nos sempre!

Junto à Igreja de Santa Maria della Carità está situada a L'Accademia di Belle Arti di Venezi, conhecida apenas por Accademia é o maior museu de Veneza. A entrada é gratuita no primeiro domingo de todos os meses. Pode não ser a visita mais interessante para uma criança pequena.

Il Canovaccio é mais um ponto irresistível desta viagem. Envolto numa atmosfera misteriosa e colorida, aqui pode comprar ou apenas observar as famosas máscaras de Veneza. O risco que corre é o das suas crianças quererem comprar uma colecção de máscaras!
Teatro San Gallo, um teatro mágico, uma noite inesquecível! Aqui toda a família ficará a conhecer, numa breve história os encantos de Veneza. A não perder! Se estiverem em Veneza, no primeiro domingo de Setembro aproveitem para assistir a um dos mais belos espetáculos da Europa, a Regata Histórica. Gôndolas, bissones e outras embarcações desfilam o esplendor da cidade com tripulantes e convidados trajados a rigor, para reviverem a história da cidade.

Como chegar a Veneza

Avião

Veneza está ligada às principais cidades italianas e europeias por diversos voos diários. O aeroporto Marco Polo fica próximo da cidade de Mestre. Daí saem autocarros, táxis, táxis aquáticos e motoscafos, (barcos de passageiros relativamente baratos apesar de lentos) até à Piazzale Roma, em Veneza. A opção mais económica, para toda a família são os autocarros da empresa ATVO.

Carro

Só compensa ir de carro se o roteiro da viagem incluir outros lugares na mesma região, até porque além de ter que levar ou alugar as cadeirinhas para as crianças, estes veículos não entram em Veneza, ficam parqueados num estacionamento na entrada da cidade, onde termina a estrada (Piazzale Roma), ou nalgum lugar próximo no continente (Mestre é a melhor opção, as outras são Tronchetto, Marghera, San Giuliano, Fusina, Tessera ou Cà Noghera). Depois de estacionar terão que se deslocar de autocarro, comboio ou barco até Veneza.


comboios directos para Veneza desde praticamente todas as cidades italianas. Veneza é ainda ligada aos grandes centros europeus por comboios de alta velocidade. Para chegar à cidade desembarcamos na estação Venezia–Santa Lucia. Dependendo da origem do comboio pode ser necessário mudar na estação Venezia–Mestre, que fica no continente. Há comboios, ao longo de todo o dia entre ambas as estações e a agradável viagem demora cerca de dez minutos. Chegar a Veneza, pela primeira vez de comboio é mágico! A primeira imagem, assim que saímos da estação é a do Grande Canal. Entramos numa viagem no tempo...

Alojamento

Por serem, regra geral estadias menos prolongadas, optamos por hotéis centrais e amigos das famílias. Podem parecer mais dispendiosos mas é só ilusão, já que poupam em transportes e ganham em tempo. Do grupo Accor, os Novotel têm sido, para nós uma escolha muitíssimo agradável. Quartos ao estilo americano: espaçosos, com tábua e ferro de engomar (sim, regra geral gostamos de andar engomadinhos), sofás-cama para as crianças, casas de banho generosas e com banheira... Restaurantes com múltiplas e deliciosas opções, zona de brincadeira bem apetrechada e funcional, wi-fi gratuito.

Alimentação

O cardápio gastronómico de Veneza inclui peixes, frutos do mar com arroz e feijão, além de aspargos, abóboras e ervas, vegetais típicos da região do Vêneto. Quase todos os restaurantes oferecem menus a preços fixos (ficam mais em conta do que os pedidos a la carte). Se puder, não deixe de ir dar um salto ao afamado Harry's Bar para saborear o autêntico Bellini, uma bebida que mistura prosecco com sumo natural de pêssegos rosados e não dispense um lanche no Caffé Florian (na Piazza San Marco, inaugurado em 1720, a mais antiga pastelaria em funcionamento na Europa), famosos por oferecerem receitas divinas como carpaccio, bellini e chocolate quente. Nós, somos fãs do Caffé Florian e do seu ambiente glamoroso. Eu e a Constança do seu chocolate quente e o pai e a Madalena do Club Sandwich. Aqui e ao som sempre de uma orquestra, pomos em prática o “people watching”, uma actividade tão divertida e enriquecedora que as crianças adoram e acompanham. Os preços estão ao nível do status deste espaço. Não se esqueçam de provar os deliciosos Baoacoli Veneziani. Biscoitos típicos venezianos feitos com manteiga, farinha, açúcar, fermento e clara de ovos.

Sugestão em família

Comprem um tiramisu, sentem-se na beira de um canal, saboreiem-no e deixem-se invadir, sem pressas pela estonteante beleza desta cidade museu ao ar livre!

Fizemos as malas com a certeza de que voltaremos a este éden, classificado pela UNESCO de Património Mundial da Humanidade e onde já fomos felizes mais do que uma vez: Veneza!

Ao lado de Veneza está a encantadora Murano. A família Camacho conta-nos a sua experiência neste post.

Tornar o sonho real

19.2.15
Há quanto tempo sonham em conhecer “aquele” destino paradisíaco, fazer um cruzeiro, mergulhar nas águas quentes das Caraíbas, levar as crianças à Disney mas ainda não conseguiram reunir as condições financeiras?...
Se podemos sonhar também podemos tornar os nossos sonhos realidade. Este era o lema do Walt Disney e é também o nosso! Mas o pai do Mickey Mouse acrescentava que: ainda assim “é necessário ter pessoas para transformar o sonho em realidade” e é aqui que os amigos são chamados a intervir. Tudo o que têm que fazer é: elegerem juntos o sonho comum, irem a uma agência de viagens, colocarem o sonho no papel, escolherem tudo a que têm direito, uma data que vos convenha (as férias escolares são excelentes oportunidades) e abrirem uma lista (pode ser de aniversários). Depois, partilhem o feito, comuniquem a todos os vossos amigos que têm a lista aberta, na agência X, no vosso nome de família. As contribuições não têm valor mínimo ou máximo e podem ser realizadas em qualquer ponto do país, ou mesmo do estrangeiro. Se até à data da viagem a boa vontade (financeira) dos vossos amigos, não for suficiente para realizar esse sonho, podem por exemplo substituir por outro mais em conta, prolongar o prazo ou pagar o que está em falta. Deixem-se surpreender e gozem um (ou mais) aniversário memorável!

P.S - Há dois anos, reunimos um grupo de amigos e de amigos dos amigos e abrimos uma lista de viagem para uma família, muito querida, que de outra forma jamais teria possibilidades de concretizar o sonho de levar o seu príncipe, à Euro Disney. É fantástico podermos todos ser, por instantes, fadas madrinhas ou Harry's Potter! Atrevam-se!

110

19.2.15
Já passava das 22 horas quando nos entregaram o carro, em Santo Domingo, capital da República Dominicana. Em pleno Agosto, no calor tropical e com o avançar da hora, só aspirávamos a um banho, algo leve para jantar e repousar. Saímos da rente-a-car rumo ao hotel, situado na zona histórica. Parte da cidade de Santo Domingo estava, literalmente desventrada (em obras de requalificação) e o GPS não descobria percursos alternativos. De repente, no breu da noite, um homem com ar patusco e bem disposto gesticulava, no meio de um estaleiro, na estrada. O Ernesto quis parar, eu preferia seguir, afinal, estavamos os dois, com duas crianças, sozinhos, no meio da noite, numa cidade da América Latina, com todos os riscos que isso possa implicar. Mas também sabemos que são pessoas mais descontraídas e calorosas e paramos para pedir informações!
O homem, sorridente sentou-se no capot do carro, perante a minha desconfiança, enquanto nos mandava seguir por ruas e ruelas esburacadas, em sentido contrário (nas barbas da polícia), por cima de passeios, ao mesmo tempo que cumprimentava e era saudado por locais. Algo que nos aliviou ligeiramente a inquietação de estarmos à mercê de um desconhecido, no mínimo suis generis. As miúdas primeiro perplexas, sobretudo a mais velha e depois divertidíssimas estavam a delirar, riam como se não houvesse amanhã, o pai seguia à risca as instruções tresloucadas do guia improvisado e eu rezava (por fora e ria por dentro) para que o homem não se despencasse do carro, nós não fossemos engolidos por uma cratera, não chocássemos com outra viatura e chegássemos rapidamente ao destino. Passaram 15 minutos que me pareceram uma eternidade e às miúdas apenas um hilariante instante. Terminava esta façanha, tínhamos chegado ao largo do hotel, sãos e salvos. O guia, com alcunha de 110 (ninguém nos conseguiu explicar a origem)seguiu a sua vida, feliz com a generosa gorjeta e no encalce de mais algum viajante em apuros. Nós? Começávamos outra aventura: o hotel, escolhido com tanto cuidado, era afinal um engodo. Cenas para outro capitulo...