Se quando viajamos sozinhos surgem dúvidas, imaginem quando incluímos crianças, idosos ou animais de estimação (sobretudo quando não são destinos tropicais que nos permitem transportar, quase em exclusivo indumentária mais leve). Quais as roupas a levar? Quente ou frio? Calçado? Transportar ou não produtos alimentares? Quais os permitidos? Medicação, mala de mão ou de porão?
Se a viagem é terrestre as dúvidas dissipam-se porque tudo o que couber na sua viatura é permito, mas, se vai viajar de avião o cenário é outro. Como fazemos?
Organizar - Checklist
Com base no destino, na duração da visita e nas previsões meteorológicas elaboramos uma lista do que levar, para cada um.
Roupa
Será que precisamos de dois casacos de neve? Do pareo de praia? Consoante o destino e época do ano, optamos por levar roupa versátil, que se adapte, tanto a um look mais casual como a um mais sofisticado. Também não nos esquecemos de levar algum apontamento mais requintado. Por exemplo, se vão fazer um cruzeiro, numa rota de veraneio, além da roupa confortável, de praia e daquele casaco de malha que nos ajuda a enfrentar o fresco dos ares condicionados, convém não esquecer ainda o traje para uma noite de gala, a bordo. Normalmente, nesta noite podem fotografar com o comandante. As crianças gostam imenso de o conhecer, é um dos pontos altos da viagem! Para os adultos, esse momento é verdadeira viagem à série “The Love Boat”!
Agrupamos a roupa: calças com calças, camisas com camisas. Facilita na hora de desemalar! A roupas das manas, vai na mala delas, separadas por kits, por dias. As da mais pequena em sacos com zip (do género dos de congelação) que no regresso já servem para a roupa suja. Para elas levamos sempre roupa extra.
Também nos habituamos a colocar os artigos mais essenciais no topo. Só para o caso de precisarmos e termos que abrir as malas, no aeroporto.
Roupa dobrada ou em rolinhos?!
Se sou eu a fazer as malas, a roupa vai engomada e dobrada. Se a tarefa fica para o pai, a roupa pode ir por engomar e pode ir enrolada. Quem consegue arrumar tudo em muito menos malas? O pai! Experimentem!
Já fiz malas com a técnica dos rolinhos, cabe muito mais roupa. Tem um senão, a maioria fica super engelhada.
Dentro deste saco está um vestido de noite com as respectiva roupa interior.
Calçado
Um dos artigos mais importantes e também mais espaçoso nas viagens. A selecção é muito criteriosa para evitar ocupar espaço desnecessário. Máximo três pares para cada um, sendo que os mais volumosos vão já calçados para a viagem de avião. Os restantes guardam as meias dentro.
Higiene
Regra geral, as unidades hoteleiras disponibilizam a maioria destes produtos. Mesmo assim, eu não passo sem o meu shampoo e amaciador, assim como creme de corpo, rosto... Para não correr o risco de ter que transportar três necessaires (só com os meus produtos), opto por levar somente as quantidades a usar nos dias em que vamos estar fora ou levar embalagens que estão a terminar e ganhamos espaço para o regresso, já que as outras vão para o lixo. Escova do cabelo e amaciador, creme de corpo, água de colónia são partilhados pelas três. Cada um tem o seu necessaire. Também levamos fraldas para dois dias, compramos mais no destino e no regresso conquistamos espaço na mala.
Atenção, as toalhas de banho ficam em casa, de praia levamos só uma. Restringimo-nos ao básico.
Reservem espaço extra
Se gostam de comprar recordações nos sítios que visitam, das duas uma, ou reservam espaço extra na mala ou compram uma nova. Não somos de comprar muitos "recuerdos", preferimos enviar postais. Os amigos e familiares estimam este miminho! Acabamos por enviar um postal também para nós.
Quando viajamos para os EUA, visitamos alguns outlets e lojas especializadas (muitos artigos saem bastante mais em conta do que quando comprados em Portugal) e já levamos uma mala dentro de outra, para esse efeito.
Obrigatório
Um kit de primeiros - socorros. Apenas o essencial para adultos e crianças, “just in case”. Termómetro, medicação para uma eventual dor de cabeça, uma febre repentina, uma indisposição alimentar, soro fisiológico... Se precisam de um medicamento permanente, levem-no convosco. Assim, não correm o risco de lhes exigirem prescrições médicas na hora de o comprar ou de nem sequer existir o mesmo medicamento no destino.
Antes de embarcarmos para algum destino mais exótico, consultamos a pediatra das nossas filhas para nos certificarmos de que estão aptas e quais os fármacos a levar. Por exemplo, existem poucos repelentes aconselhados a crianças com menos de dois anos e nem todos são eficazes contra determinados mosquitos. Os protectores solares mais eficazes, para a mesma idade, são os cremes minerais solares e vão sempre connosco, uma vez que não se encontram com facilidade em muitos países (já tivemos essa experiência).
Adaptador
Nem todos os hotéis disponibilizam tomadas internacionais por isso, convém levar o adaptador. Evitam perder tempo de férias à procura de uma loja que os venda, normalmente mais caros do que o desejável.
Tamanho e peso das malas
O tamanho da bagagem de mão não pode exceder os cinco quilos e as medidas não podem ultrapassar os 115 centímetros (somando altura, comprimento e largura). Hoje, quase todos os aeroportos dispõe de suportes onde pode encaixar a mala e verificar se cumprem com os requisitos legalmente exigidos. Também podem pedir ajuda numa loja especializada e consultar na Internet as medidas permitidas por cada companhia.
Pesar a bagagem em casa: pesem-se primeiro, depois pesem-se novamente agora com a bagagem e descontem o vosso peso. Assim não erram, caso a balança esteja desafinada! Fazemos isto com as crianças e é bastante divertido!
Atenção ao que colocam dentro da mala de cabine. O controle é cada vez mais rígoroso, não vale a pena correr riscos e ficar sem objectos ou produtos que tanto estimam - este é um mantra que tento interiorizar há uns anos e que me podia ter salvo, por três vezes, de ver confiscados objectos tão queridos e úteis, como um abre cartas lindíssimo, comprado pouco antes de ir para o aeroporto, em Londres ou um Victorinox, edição limitada, que nem me lembrava que me acompanhava, no aeroporto do Sal, ou mesmo o óleo de corpo da bebé que viajou por dezenas de aeroportos com controlos complicados e que, na última viagem não passou no crivo do controle, em Lisboa. O ideal é consultarem na Internet as regras para cada aeroporto.
Alguns exemplos:
- Objectos cortantes são proibidos, incluindo limas, tesouras de bebé e corta unhas. E não vale a pena insistir, não passam mesmo!
- Líquidos em frascos acima de 100 mililitros, ainda que parcialmente cheios também não passam no controle (foi o que aconteceu com o óleo de corpo da bebé). Até 100 mililitros devem ser colocados em bolsas de plástico transparente, apropriadas e apresentados em separado no raio-x.
- Os medicamentos (que vão na bagagem de mão) têm que ser acompanhados da respectiva prescrição médica. Os colírios e soluções para lentes de contato, desde que não excedam os 100 mililitros dispensam este proforma.
- Quanto aos produtos adquiridos no free shop, desde que devidamente embalados e identificados podem ser transportados sem qualquer restrição.
Para a bagagem despachada, as regras mudam, dependendo se é um voo de médio ou longo curso. Aqui, as restrições estão relacionadas com o peso. Cada passageiro pode, regra geral, e a menos que seja um passageiro frequente com estatuto Silver ou Gold, transportar, no máximo 23 quilos em cada mala. A partir deste peso cada companhia área aplica um custo adicional por quilo de bagagem. Uma situação que podem consultar no site da companhia com a qual viajam.
Mala (de mão) da bebé
Aqui há espaço para uma muda de roupa, o muda fraldas, as fraldas, toalhetes, óleo de cocô (versão viagem), sling, babete, alguma comida (uma peça de fruta, uma sopa num termo pequeno ou comida de boião se o bebé gostar), bolachas, leite e água. A quantidade varia em função de ser um voo de médio ou longo curso. Nos últimos, as companhias disponibilizam boiões de comida, para bebé. Também incluímos um brinquedo que a própria escolhe com a ajuda da mana. Porta documentos com caderneta de saúde e vacinas (das duas filhas). Parece muita coisa? Não é, e bem acomodado nem dão por isso. Acreditamos que nestas coisas mais vale pecar por excesso do que por defeito.
A mana "maiúsca" já tem a sua mochila que não dispensa. É pequena para não a sobrecarregar e grande o suficiente para transportar o que eventualmente pode precisar durante um voo ou no aeroporto. Acompanha-a sempre um jogo, composto por 100 cartas (pequenas) com 200 possibilidades de brincadeiras, um lápis e, em algumas viagens, o iPad com jogos terapêuticos (um conselho: verificar a carga da bateria antes de sair de casa). Uma garrafa de água, uma peça de fruta e bolachas. A bordo já sabe que recebe uma caixa com lápis de cor, um livro para colorir, baralho de cartas...
Eu opto por não usar uma bolsa minha durante as viagens. Coloco a minha carteira no exterior da mala da "minúsca". Na mesma mala estão, além dos cartões de pagamento: dinheiro, não vá dar-se o caso de não aceitarem outros meios de pagamento, a carteira com os documentos, passaportes, talões de embarque. É um descanso!
No final, no aeroporto (e salvo excepções de viagens de longa duração) despachamos duas malas, uma nossa (pai e mãe) e outra das filhas, o carro da bebé (que entregamos e recolhemos à porta do avião) e, na bagagem fora do formato a cadeira de carro. A maior, usa o assento que podemos transportar na cabine. O ovo, usado nos primeiros meses de vida, nem sempre pode ir na cabine. Informem-se antes com a companhia para não terem surpresas. Na mão levamos a mala da bebé, a mochila da mais crescida e outra com o nosso portátil, a GoPro que não pode faltar, óculos de sol e de apoio à leitura, algum outro elemento de valor. A máquina fotográfica vai comigo.
Cama de bebé
Com a nossa filha mais velha usamos e chegamos à conclusão que era dispensável. As unidades hoteleiras e os navios já têm berços disponíveis, mas, se o bebé não gostar (como a nossa mais nova) podem, por exemplo, fazer uma caminha, no chão, ao lado da vossa. Eles deliciam-se, é uma espécie de acampamento. Connosco resulta muito bem!
Esterilizador e biberões
Até aos quatro meses - para as mães que não podem (o meu caso) ou não querem amamentar em exclusivo - ia connosco, depois não.
A água, para adicionar o leite, em formula fervíamos nas cafeteiras do quarto (previamente lavadas) ou usávamos águas minerais engarrafadas. Nos EUA a Gerber, por exemplo, disponibiliza garrafões de água preparada para bebés. Existem ainda os baby bottle liners que nos permitem usar o mesmo biberão sem ter que ser lavado. Numa situação de emergência ou por poucos dias são do mais prático que existe!
Cadeira do carro
Levavamos as das duas (a "maiúsca", como já vos disse, já só usa o assento em viagem), fica muitíssimo mais económico do que alugar. No aeroporto plastificamos ambas e vão despachadas na bagagem fora do formato. Uma opção, para quem não precisa delas no percurso até ao aeroporto é serem vocês mesmos a plastifica-las em casa. É mega diversão com a criançada e muito mais económico!
Dica adicional
Quando viajamos para países que, sabemos de antemão serem pródigos no desaparecimento de algum do recheio das malas, optamos por colocar a roupa suja em cima (sem estar dentro de sacos), assim perdem a vontade de remexer.
Uma curiosidade
Evitem levar amendoins para dentro do avião. Por estranho que pareça, é frequente haver pessoas alérgicas a este alimento e ninguém quer correr o risco de desencadear uma reacção alérgica nalgum passageiro.









































