Hora de fazer as malas

2.3.15
Se quando viajamos sozinhos surgem dúvidas, imaginem quando incluímos crianças, idosos ou animais de estimação (sobretudo quando não são destinos tropicais que nos permitem transportar, quase em exclusivo indumentária mais leve). Quais as roupas a levar? Quente ou frio? Calçado? Transportar ou não produtos alimentares? Quais os permitidos? Medicação, mala de mão ou de porão? Se a viagem é terrestre as dúvidas dissipam-se porque tudo o que couber na sua viatura é permito, mas, se vai viajar de avião o cenário é outro. Como fazemos?

Organizar - Checklist

Com base no destino, na duração da visita e nas previsões meteorológicas elaboramos uma lista do que levar, para cada um.

Roupa

Será que precisamos de dois casacos de neve? Do pareo de praia? Consoante o destino e época do ano, optamos por levar roupa versátil, que se adapte, tanto a um look mais casual como a um mais sofisticado. Também não nos esquecemos de levar algum apontamento mais requintado. Por exemplo, se vão fazer um cruzeiro, numa rota de veraneio, além da roupa confortável, de praia e daquele casaco de malha que nos ajuda a enfrentar o fresco dos ares condicionados, convém não esquecer ainda o traje para uma noite de gala, a bordo. Normalmente, nesta noite podem fotografar com o comandante. As crianças gostam imenso de o conhecer, é um dos pontos altos da viagem! Para os adultos, esse momento é verdadeira viagem à série “The Love Boat”!

Agrupar

Agrupamos a roupa: calças com calças, camisas com camisas. Facilita na hora de desemalar! A roupas das manas, vai na mala delas, separadas por kits, por dias. As da mais pequena em sacos com zip (do género dos de congelação) que no regresso já servem para a roupa suja. Para elas levamos sempre roupa extra. Também nos habituamos a colocar os artigos mais essenciais no topo. Só para o caso de precisarmos e termos que abrir as malas, no aeroporto.


Roupa dobrada ou em rolinhos?!

Se sou eu a fazer as malas, a roupa vai engomada e dobrada. Se a tarefa fica para o pai, a roupa pode ir por engomar e pode ir enrolada. Quem consegue arrumar tudo em muito menos malas? O pai! Experimentem!

Já fiz malas com a técnica dos rolinhos, cabe muito mais roupa. Tem um senão, a maioria fica super engelhada. 


Dentro deste saco está um vestido de noite com as respectiva roupa interior.

Calçado

Um dos artigos mais importantes e também mais espaçoso nas viagens. A selecção é muito criteriosa para evitar ocupar espaço desnecessário. Máximo três pares para cada um, sendo que os mais volumosos vão já calçados para a viagem de avião. Os restantes guardam as meias dentro.

Higiene

Regra geral, as unidades hoteleiras disponibilizam a maioria destes produtos. Mesmo assim, eu não passo sem o meu shampoo e amaciador, assim como creme de corpo, rosto... Para não correr o risco de ter que transportar três necessaires (só com os meus produtos), opto por levar somente as quantidades a usar nos dias em que vamos estar fora ou levar embalagens que estão a terminar e ganhamos espaço para o regresso, já que as outras vão para o lixo. Escova do cabelo e amaciador, creme de corpo, água de colónia são partilhados pelas três. Cada um tem o seu necessaire. Também levamos fraldas para dois dias, compramos mais no destino e no regresso conquistamos espaço na mala. Atenção, as toalhas de banho ficam em casa, de praia levamos só uma. Restringimo-nos ao básico.

Reservem espaço extra

Se gostam de comprar recordações nos sítios que visitam, das duas uma, ou reservam espaço extra na mala ou compram uma nova. Não somos de comprar muitos "recuerdos", preferimos enviar postais. Os amigos e familiares estimam este miminho! Acabamos por enviar um postal também para nós. 

Quando viajamos para os EUA, visitamos alguns outlets e lojas especializadas (muitos artigos saem bastante mais em conta do que quando comprados em Portugal) e já levamos uma mala dentro de outra, para esse efeito.

Obrigatório

Um kit de primeiros - socorros. Apenas o essencial para adultos e crianças, “just in case”. Termómetro, medicação para uma eventual dor de cabeça, uma febre repentina, uma indisposição alimentar, soro fisiológico... Se precisam de um medicamento permanente, levem-no convosco. Assim, não correm o risco de lhes exigirem prescrições médicas na hora de o comprar ou de nem sequer existir o mesmo medicamento no destino.

Antes de embarcarmos para algum destino mais exótico, consultamos a pediatra das nossas filhas para nos certificarmos de que estão aptas e quais os fármacos a levar. Por exemplo, existem poucos repelentes aconselhados a crianças com menos de dois anos e nem todos são eficazes contra determinados mosquitos. Os protectores solares mais eficazes, para a mesma idade, são os cremes minerais solares e vão sempre connosco, uma vez que não se encontram com facilidade em muitos países (já tivemos essa experiência).

Adaptador

Nem todos os hotéis disponibilizam tomadas internacionais por isso, convém levar o adaptador. Evitam perder tempo de férias à procura de uma loja que os venda, normalmente mais caros do que o desejável.

Tamanho e peso das malas

O tamanho da bagagem de mão não pode exceder os cinco quilos e as medidas não podem ultrapassar os 115 centímetros (somando altura, comprimento e largura). Hoje, quase todos os aeroportos dispõe de suportes onde pode encaixar a mala e verificar se cumprem com os requisitos legalmente exigidos. Também podem pedir ajuda numa loja especializada e consultar na Internet as medidas permitidas por cada companhia.



Pesar a bagagem em casa: pesem-se primeiro, depois pesem-se novamente agora com a bagagem e descontem o vosso peso. Assim não erram, caso a balança esteja desafinada! Fazemos isto com as crianças e é bastante divertido!

Atenção ao que colocam dentro da mala de cabine. O controle é cada vez mais rígoroso, não vale a pena correr riscos e ficar sem objectos ou produtos que tanto estimam - este é um mantra que tento interiorizar há uns anos e que me podia ter salvo, por três vezes, de ver confiscados objectos tão queridos e úteis, como um abre cartas lindíssimo, comprado pouco antes de ir para o aeroporto, em Londres ou um Victorinox, edição limitada, que nem me lembrava que me acompanhava, no aeroporto do Sal, ou mesmo o óleo de corpo da bebé que viajou por dezenas de aeroportos com controlos complicados e que, na última viagem não passou no crivo do controle, em Lisboa. O ideal é consultarem na Internet as regras para cada aeroporto.

Alguns exemplos:

- Objectos cortantes são proibidos, incluindo limas, tesouras de bebé e corta unhas. E não vale a pena insistir, não passam mesmo!

- Líquidos em frascos acima de 100 mililitros, ainda que parcialmente cheios também não passam no controle (foi o que aconteceu com o óleo de corpo da bebé). Até 100 mililitros devem ser colocados em bolsas de plástico transparente, apropriadas e apresentados em separado no raio-x.

- Os medicamentos (que vão na bagagem de mão) têm que ser acompanhados da respectiva prescrição médica. Os colírios e soluções para lentes de contato, desde que não excedam os 100 mililitros dispensam este proforma.

- Quanto aos produtos adquiridos no free shop, desde que devidamente embalados e identificados podem ser transportados sem qualquer restrição.

Para a bagagem despachada, as regras mudam, dependendo se é um voo de médio ou longo curso. Aqui, as restrições estão relacionadas com o peso. Cada passageiro pode, regra geral, e a menos que seja um passageiro frequente com estatuto Silver ou Gold, transportar, no máximo 23 quilos em cada mala. A partir deste peso cada companhia área aplica um custo adicional por quilo de bagagem. Uma situação que podem consultar no site da companhia com a qual viajam.

Mala (de mão) da bebé

Aqui há espaço para uma muda de roupa, o muda fraldas, as fraldas, toalhetes, óleo de cocô (versão viagem), sling, babete, alguma comida (uma peça de fruta, uma sopa num termo pequeno ou comida de boião se o bebé gostar), bolachas, leite e água. A quantidade varia em função de ser um voo de médio ou longo curso. Nos últimos, as companhias disponibilizam boiões de comida, para bebé. Também incluímos um brinquedo que a própria escolhe com a ajuda da mana. Porta documentos com caderneta de saúde e vacinas (das duas filhas). Parece muita coisa? Não é, e bem acomodado nem dão por isso. Acreditamos que nestas coisas mais vale pecar por excesso do que por defeito.

Mochila de criança

A mana "maiúsca" já tem a sua mochila que não dispensa. É pequena para não a sobrecarregar e grande o suficiente para transportar o que eventualmente pode precisar durante um voo ou no aeroporto. Acompanha-a sempre um jogo, composto por 100 cartas (pequenas) com 200 possibilidades de brincadeiras, um lápis e, em algumas viagens, o iPad com jogos terapêuticos (um conselho: verificar a carga da bateria antes de sair de casa). Uma garrafa de água, uma peça de fruta e bolachas. A bordo já sabe que recebe uma caixa com lápis de cor, um livro para colorir, baralho de cartas...

Eu opto por não usar uma bolsa minha durante as viagens. Coloco a minha carteira no exterior da mala da "minúsca". Na mesma mala estão, além dos cartões de pagamento: dinheiro, não vá dar-se o caso de não aceitarem outros meios de pagamento, a carteira com os documentos, passaportes, talões de embarque. É um descanso!

No final, no aeroporto (e salvo excepções de viagens de longa duração) despachamos duas malas, uma nossa (pai e mãe) e outra das filhas, o carro da bebé (que entregamos e recolhemos à porta do avião) e, na bagagem fora do formato a cadeira de carro. A maior, usa o assento que podemos transportar na cabine. O ovo, usado nos primeiros meses de vida, nem sempre pode ir na cabine. Informem-se antes com a companhia para não terem surpresas. Na mão levamos a mala da bebé, a mochila da mais crescida e outra com o nosso portátil, a GoPro que não pode faltar, óculos de sol e de apoio à leitura, algum outro elemento de valor. A máquina fotográfica vai comigo.

Extras

Cama de bebé

Com a nossa filha mais velha usamos e chegamos à conclusão que era dispensável. As unidades hoteleiras e os navios já têm berços disponíveis, mas, se o bebé não gostar (como a nossa mais nova) podem, por exemplo, fazer uma caminha, no chão, ao lado da vossa. Eles deliciam-se, é uma espécie de acampamento. Connosco resulta muito bem!

Esterilizador e biberões

Até aos quatro meses - para as mães que não podem (o meu caso) ou não querem amamentar em exclusivo - ia connosco, depois não. A água, para adicionar o leite, em formula fervíamos nas cafeteiras do quarto (previamente lavadas) ou usávamos águas minerais engarrafadas. Nos EUA a Gerber, por exemplo, disponibiliza garrafões de água preparada para bebés. Existem ainda os baby bottle liners que nos permitem usar o mesmo biberão sem ter que ser lavado. Numa situação de emergência ou por poucos dias são do mais prático que existe!

Cadeira do carro

Levavamos as das duas (a "maiúsca", como já vos disse, já só usa o assento em viagem), fica muitíssimo mais económico do que alugar. No aeroporto plastificamos ambas e vão despachadas na bagagem fora do formato. Uma opção, para quem não precisa delas no percurso até ao aeroporto é serem vocês mesmos a plastifica-las em casa. É mega diversão com a criançada e muito mais económico!

Dica adicional Quando viajamos para países que, sabemos de antemão serem pródigos no desaparecimento de algum do recheio das malas, optamos por colocar a roupa suja em cima (sem estar dentro de sacos), assim perdem a vontade de remexer.

Uma curiosidade

Evitem levar amendoins para dentro do avião. Por estranho que pareça, é frequente haver pessoas alérgicas a este alimento e ninguém quer correr o risco de desencadear uma reacção alérgica nalgum passageiro.


Vamos crescer tanto

25.2.15
Entramos no avião, de Caracas para Lisboa. Voo completamente lotado, como já é habitual. Procuramos os nossos lugares, chegamos e à coxia estava já sentado um senhor. Pensei: “espero que seja uma pessoa paciente, não vá dar-se o caso das miúdas não adormecerem fácilmente e ainda são quase 8h30 de voo…”. O senhor cumprimentou-nos com um sorriso amistoso (ufa). Instalámo-nos! Passado alguns minutos diz-me o Ernesto:
- “É um padre!”
-“Padre? Que padre?”
- Este senhor, sentado ao meu lado, é padre!”
- “Menos Ernesto!!!”
- “A sério! Vê a insignia na cruz que traz ao peito…”
Realmente, conferia. Conhecendo-me melhor do que as palmas das suas mãos, o Ernesto sugeriu que trocassemos de lugar. Afinal, já previa longas horas de conversação. Dito e certo! Nunca fi zuma viagem de longo curso tão prazerosa. Foi assim que começou uma bela amizade com o Pe. Luciano, sacerdote Salesiano (nem de propósito, a minha familia tem já uma longa tradição Salesiana e juro que me senti a viajar, literalmente ao lado de S. João Bosco).

Há mais de 60 anos foi destacado dos Salesianos, em Roma para a Venezuela. Desde então, tem trabalhado nas favelas, recupera jovens, resgata dos maus caminhos famílias inteiras. Há 16 anos fundou a Casa de Acolhimento Padre Luciano. Aqui vivem dezenas de crianças e jovens, em risco que aprendem a ser homens e mulheres justos, fraternos e trabalhadores. Com o contributo e generosidade de muitos amigos e até desconhecidos, a obra continua a crescer de forma sustentada e a dar frutos.

Todas as semanas vão favela dentro levar os excedentes e prestar apoio aos que ainda não conseguiram sair dos morros. E assim que ouvi isto vi um dos nossos sonhos assumir contornos humanos e auto convidei-nos para os acompanhar na missão! O Pe. Luciano primeiro espantado, depois feliz aceitou e, no próximo Verão vamos viver 15 dias (desconfio que a estadia se prolongará) nesta nobre Casa, situada na base de uma favela. Vamos subir diariamente para estes bairros (sim, são perigosos, com elevadissimas taxas de criminalidade violenta mas também com muitos corações e almas puras e bondosas que carecem de tanto amor e comida). Temos a certeza de que cresceremos todos muito mais do que possamos imaginar a esta distância… Vai fazer-nos bem vivermos com tão pouco e ainda termos que o partilhar com quem nada tem, vivermos sem o conforto material, sem a certeza do “daqui a pouco” e de que está tudo a postos mesmo até para o que não precisamos. As miúdas vão fazer amigos para a vida e nós também! Estamos gratos e em contagem decrescente porque a primeira grande viagem faz-se de dentro para fora!

“O Mundo é um livro e aquele que não viaja lê apenas uma página” – Sto Agostinho

Em casa da Mãe

23.2.15
As águas serenas do Mar Egeu embalavam os nossos corações peregrinos. À vista Izmir, na Turquia. A “Pérola do Egeu”, a terra que há 3500 anos viu nascer o poeta Homero.

Íamos, finalmente, visitar a Casa da Virgem Maria, onde a mãe de Jesus terá vivido os seus últimos anos, junto a São João Baptista (a quem Cristo terá pedido, antes de ser crucificado para a amparar).

Com crianças, por termos apenas um dia disponível e por estar uma temperatura que rondava os 40 graus, optámos por contratar uma excursão, num autocarro turístico, com uma guia em castelhano, a amável Derya.

A humilde casa (onde aconteceu a Assunção de Nossa Senhora) é feita de pedra, situa-se a 400 metros de altitude, no alto do Monte Coresus (Panaya Kapulu), numa zona conhecida como Maryemana Kultur Parki, a oito quilómetros de centro de Éfeso.

O local mágico, invadido por uma energia singular, é um relevante centro de peregrinação reconhecido pela igreja católica e pelos muçulmanos. Para estes, Nossa Senhora foi a mãe de um grande Profeta e é a única mulher a ser exaltada no livro sagrado muçulmano.


Dentro da casa, hoje uma capela/ santuário, não é permitido fotografar.

Para nós, crentes em Nossa Senhora e as nossa filhas a Ela consagradas, esta visita revestiu-se de grande intensidade. A Constança estava emocionada e a Madalena, ainda tão bebé, parecia sentir a presença de Maria, algo que não poderemos nunca descrever em palavras. Percorrermos os mesmos caminhos que a Mãe, passearmos nos mesmos jardins, abrigarmo-nos nas sombras das mesmas árvores, bebermos da água da fonte (a única na região e que se acredita ser abençoada) que tantas vezes lhe saciou a sede foram momentos verdadeiramente especiais.

Ao lado da fonte, está o Muro das Graças repleto de bilhetes, lenços esvoaçantes, fitas, agradecimentos e pedidos dos peregrinos que ali passam. Também nós deixamos o nosso bilhete, escrito com tanto carinho e significado. Um momento de oração e reflexão, em família.

O local foi desvendado ao mundo, no século IXX por Anne Catherine Emmerich, uma freira acamada, que nunca andou nem nunca saiu da Alemanha. O sítio, em Éfeso é descrito com um pormenor impressionante e as suas visões foram publicadas em livro.

Em outubro de 1881, um padre francês descobriu as ruínas do que teria sido a casa descrita pela freira. Dez anos mais tarde, uma expedição encontrou o mesmo local através das descrições nos livros e descobriram ainda que a casa era um centro de adoração há séculos, por pessoas que se diziam descendentes dos "Cristãos de Ephesus" que chamavam aquela zona: "Chapel of the Most Holy" e que acreditavam que Nossa senhora ali tinha vivido até ascender aos céus. A realização do teste de carbono 14, comprova que a casa data dessa época.

História

Visitaram o local: em 1967, o Papa Paulo VI; em 1979, o Papa João Paulo II e em 2006, o Papa Benedicto XVI.

Sugestões

Levar protector solar, chapéu, lanche e recipiente para trazer água da fonte que se crê abençoada.

Parem, sentem-se à sombra das árvores e contemplem a serenidade do local. Contem a história do mesmo às crianças, antes e durante a visita. Escolham uma intenção, acendam uma vela e rezem juntos.

Que Maria abençoe e proteja todas as famílias.

Ainda em Izmir, a nossa visita a uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo - Éfeso.

Murano: ilha mágica!

22.2.15
Bela, encantadora, artística, romântica e mágica: são apenas alguns dos adjetivos para classificar Murano.

É a maior das Ilhas e também a mais próxima de Veneza. A Ilha de sonho fica bem pertinho. O acesso faz-se, em 20 minutos, através de “vaporetto”. Um verdadeiro autocarro aquático que é também o transporte público de Veneza. Recomendo a compra de um “ticktet” válido por 1 dia para que possa disfrutar calmamente das belezas naturais das Ilhas Venezianas.

Na viagem aproveite para fotografar paisagens de ângulos bem diferentes.

Toda a informação sobre as linhas, horários e preços pode encontrar no portal da empresa ACTV (Azienda del Consorzio Trasporti Veneziano).

A arte do vidro

Murano é o berço da produção de vidro a sopro. A arte resiste há mais de 700 anos. Em menos de 1 minuto os sopradores criam peças de rara beleza.

Por entre as ruelas existem várias fábricas. Aconselho a conhecer de perto o fabrico artesanal que mantém viva uma rica tradição de Murano. Em alguns casos a entrada é paga. Informe-se antes de entrar na área de produção. É feita uma demonstração do fabrico e no final o turista é convidado a comprar uma pequena lembrança. Os motivos, cheios de cores e brilhos são variados e os preços adequados a todos os bolsos. É quase impossível sair da Ilha sem uma compra!

Durante o passeio por Murano surpreenda-se com verdadeiras esculturas públicas em vidro, como é o caso da obra “Natale di Luce in una Cometa de Vetro”, desenhada por Simone Cenedese. Foi instalada em dezembro de 2007 no Campo Santo Stefano. É o símbolo do Natal em Murano.

Curiosidade

No final do século XIII, os fabricantes de cristais de Veneza foram obrigados a instalar as fábricas em Murano, devido ao risco de incêndio. Rapidamente a Ilha transformou-se num dos mais importantes centros de vidro do mundo. Os produtos luxuosos foram usados na decoração de palácios de referência mundial.

A produção de cristais continua a ser uma das atividades mais importantes da Ilha. As pequenas lojas cativam os clientes pela imensidão de vidraria disponível. Atualmente a produção enfrenta a concorrência do mercado Chinês.

Outras atrações

Com apenas 5 mil habitantes, Murano está ligada por diversas pontes embora não tenha tantos canais como Veneza. O canal mais importante que tem divide a Ilha em duas. Sugiro uma pausa para um café numa das esplanadas à margem do canal.

Prossiga a viagem e a cada recanto vai encontrar um bom motivo para fotografar.

A Igreja de Santa Maria e San Donato (Basilica Del Santi Maria e Donato) é conhecida pelos mosaicos bizantinos do século XII. Mostra que mesmo sendo no Ocidente, Veneza sofreu influência e foi considerada por muito tempo como uma cidade oriental.

Já a Igreja de São Pedro Mártir destaca-se pela decoração, com importantes obras de Tintoretto e Veronese, pintores venezianos de referência.

Todas as pontes são transponíveis!

Concluída a visita parta à conquista de outras ilhas de Veneza. As crianças não são entrave para uma agradável viagem à descoberta de novos mundos.

Limusina, por favor!

21.2.15
Já se imaginaram a sair da praia de limusina? Pois, nós também não, mas aconteceu, nas Bahamas!! 
Depois de meia hora à espera (sem sucesso) que passasse um táxi ou outro meio de transporte que nos levasse de regresso ao porto de Nassau, eis que surge o Johnny e o seu Hummer limusina. A viagem custou $20, o táxi custaria $25! Moral da história: se não tens táxi vai de limusina!

Foi, provavelmente a viagem mais pirosa que fizemos até hoje e ao mesmo tempo uma das mais cómicas!

Confiar e agradecer

20.2.15
Porque as viagens não se fazem só de avião, carro, comboio, navio... porque somos todos viajantes na longa viagem da vida que nos surpreende a todo o instante, não só com lugares encantadores mas também com pessoas, tão especiais faz-nos sentido partilhar convosco alguns passos mágicos para a concretização deste blog. Nesta casa o lema é confiar e agradecer! Sabemos que quando algo menos bom nos acontece tem um sentido e confiamos, sentimos que Ele está sempre connosco. Quando algo bom acontece: agradecemos! Nada é por acaso! Se duvidas houvesse a imagem do blog bastaría para dissipá-las. Quando decidimos avançar com este nosso cantinho virtual, desejávamos que tivesse o nosso cunho. Creio que é intrínseco ao ser humano ter o seu espaço, de uma forma ou de outra personalizado. Como nesta casa todos gostamos de histórias, o conceito de nos vermos retratados em desenho, em vez de foto era algo natural. Comentei com uma amiga e ela falou-me dos trabalhos deliciosos da Raquel Pina. Daí à conversa com a autora foi literalmente um clic. Fiz-lhe uma breve descrição de quem somos, dos nossos gostos e enviei meia dúzia de fotos representativas de tudo o que tinha partilhado por escrito. A Raquel acertou à primeira! Foram realizados apenas três ajustes. Um era essencial, a bebé da casa nunca gostou de chucha pelo que a mesma foi substituída por algo que a Madalena ama: bolachas! Quanto à posição da pequenita, dentro da mala, não podia ser mais fidedigna. A Raquel também não sabia (na altura em que a desenhou) mas é exactamente assim que ela se senta depois de invadir as malas do lar (diria que é um dos seus passatempos preferidos). Já a nossa filha mais velha surge com a bola mundo nas mãos. O que nunca tínhamos revelado à Raquel é que a Constança gosta imenso de jogar à bola e tem, justamente uma bola mundo insuflável que nos acompanha em muitas viagens! Outro pormenor do desenho: a mala da Constança. Nunca antes falámos desse tema e, no entanto a mala de cabine (real) da nossa primogénita é em tudo muito semelhante à desenhada. Já com o desenho nas mãos, chegara a hora de avançar para a imagem geral do blog. Os compromissos profissionais do pai impediam-no de se dedicar a essa tarefa, já eu consegui coordenar tarefas e agendas e aventurei-me. Fiz e refiz, por três vezes o blog mas o resultado não me agradava. Sou uma apaixonada por natureza e faltava sentir aquele “tcharam”... Enviei então, uma mensagem, bem ao estilo SOS, à Sílvia Silva. Tal como com a Raquel, a Sílvia abraçou o projecto com infinito carinho, dedicação e mestria. Todo o processo foi idêntico ao do desenho da nossa imagem. E sim, foi igualmente um sucesso à primeira! Quando andamos nesta vida por paixão, a magia acontece. É maravilhoso saber que ninguém se cruza nas nossas vidas por acaso!

Cidade fascinio entre o céu e o mar: Veneza!

20.2.15
O som da "Ave Maria" de Verdi anunciava boas novas. A melodia harmoniosa do movimento das águas dava-nos as boas-vindas! A sensação, ao sair da estação de comboios era a de que tínhamos acabado de mergulhar num sonho de esplendor e beleza sem precedentes! Chegamos a Veneza (Venezia), a cidade que, garanto: Deus esculpiu ao pormenor, à semelhança do céu, só pode!

Nietzsche dizia e com tanta razão, "se eu tivesse que encontrar uma palavra que substituísse música, eu só conseguiria pensar em Veneza!".

Cruzamos pontes, percorremos, sem rumo e sem mapa ruas e ruelas (uma forma divertida e descontraída de aumentar, ainda mais a cumplicidade em família) e o mistério que envolve esta cidade divina é tal que acreditamos ser surpreendido por Giacomo Casanova, nalgum virar de esquina. As crianças amam ser guias nestas ruelas! É uma genuína viagem ao século XVIII (excepção feita aos milhares de turistas em quem quase tropeçamos).

Veneza, construída sobre bancos de areia desde a Idade Média está muitas vezes inundada (consequência do degelo decorrente das alterações climáticas) mas fomos bafejados pela sorte e encontramo-la seca, apesar da chuva que insistia em cair, no primeiro dia. E é tão divertido passear à chuva com as miúdas, saltar nas poças de água, abrigarmo-nos nas ombreiras das portas das lojas…

O ritmo da cidade é marcado pelas gôndolas (embarcação tradicional veneziana que oferece passeios de 45 minutos, para dois adultos e duas crianças, por €80) e pelos "vaporettos" (autocarros aquáticos com bilhetes a €7 por passageiro, válidos por uma hora) que rasgam os canais e atravessam o Grande Canal. Duas das principais atrações para as crianças que ficam encantadas com as decorações das embarcações e com os cânticos do gandoleiros (enquanto remam) mais equilibristas que navegadores. Já nos “vaporettos”, os melhores lugares são (com muito cuidado) junto às grades, para que os mais novos não percam pitada.



Calcorrear Veneza com carrinho de bebé? Uma aventura mas possível! O desafio não está em circular mas em atravessar as pontes que cruzam os canais. Não é a cidade mais bem preparada para acolher estes veículos, ou cadeiras de rodas mas já vão existindo algumas rampas e um elevador suspenso, bem interessante. Nada que perturbe o veneziano romantismo intrínseco.

Os opulentos palácios aristocráticos (construídos por comerciantes abastados e por nobres na idade do ouro veneziana), ao longo do Grande Canal sequestram-nos para um conto de príncipes e princesas. Os proprietários, vaidosos, abrem as janelas para que os transeuntes possam vivenciar a beleza que os esculpe e decora. O entardecer aqui dá vida aos edifícios e um chocolate quente torna o passeio ainda mais doce.

O Grande Canal é como a “avenida” principal da cidade. A primeira coisa que fizemos, ao chegarmos a este pedaço de céu na Terra, foi entramos no primeiro Vaporetto para desvendarmos este canal sublime. Claro que, também as crianças ficaram encantadas!


A cidade é invadida por aromas e é impossível resistir a um gelado tradicional ou a um delicioso Tiramisu, acabado de confeccionar. Uma actividade divertida e gulosa é assistir ao fabrico destas iguarias.

A Piazza San Marcos é celestial!
Artistas de rua, centenas de pombos atrevidos (que os pequenos, destemidos gostam de alimentar (para meu grande pesadelo que tenho fobia a pássaros) e centenas de turistas dão-lhe vida. Rodeada da Basílica San Marco, o Campanile (com uma vista impressionante do alto), a Torre do Relógio (construída no final do século XV, exibe as fases da lua e os signos do zodíaco, representados em azul e dourado no grande relógio. Uma oportunidade divertida para uma aula de astrologia. Conta a lenda que depois de concluída, os autores da obra foram cegos para que não pudessem repetir nada semelhante. No cimo está a figura do leão alado de San Marco, símbolo da cidade de Veneza), o Museu Correr e o Palácio Ducal (residência dos governantes de Veneza, chamados de doges, no século IX) conferem-lhe uma autenticidade excepcional.

A Basílica San Marco, uma das catedrais mais exóticas da Europa é paragem obrigatória. Ainda assim, e dependendo da idade das crianças pode ser uma visita cansativa uma vez que não é permitido sair da fila, no trajeto pré definindo.

E um dos símbolos de Veneza é a Ponte de Rialto, em forma de arco, parcialmente coberta é a única que liga as duas margens do Grande Canal, no coração da cidade. Ao lado e a não perder: o Mercado principal de Veneza que invade as manhãs de segundas e sábados. Toda a família pode desfrutar dos queijos, peixe fresco e um sem fim de produtos e pregões venezianos. A ocasião perfeita para interagir com a cultura gastronómica e o bom humor das gentes locais.

Ao lado da Piazza San Marco surpreende-nos a Ponte dos Suspiros, uma das mais importantes de Veneza. É feita de rocha calcária branca e janelas com barras de pedra. Reza a lenda que se dois apaixonados se beijarem no exacto momento em que a atravessam de gôndola, na altura do pôr-do-sol, o seu amor durará para sempre. As crianças gostam imenso de conhecer as lendas associadas ao locais. Nós entrámos numa livraria, muito acolhedora e comprámos para a Constança um livro só com as lendas venezianas. Acompanhou-nos sempre!

Junto à Igreja de Santa Maria della Carità está situada a L'Accademia di Belle Arti di Venezi, conhecida apenas por Accademia é o maior museu de Veneza. A entrada é gratuita no primeiro domingo de todos os meses. Pode não ser a visita mais interessante para uma criança pequena.

Il Canovaccio é mais um ponto irresistível desta viagem. Envolto numa atmosfera misteriosa e colorida, aqui pode comprar ou apenas observar as famosas máscaras de Veneza. O risco que corre é o das suas crianças quererem comprar uma colecção de máscaras!
Teatro San Gallo, um teatro mágico, uma noite inesquecível! Aqui toda a família ficará a conhecer, numa breve história os encantos de Veneza. A não perder! Se estiverem em Veneza, no primeiro domingo de Setembro aproveitem para assistir a um dos mais belos espetáculos da Europa, a Regata Histórica. Gôndolas, bissones e outras embarcações desfilam o esplendor da cidade com tripulantes e convidados trajados a rigor, para reviverem a história da cidade.

Como chegar a Veneza

Avião

Veneza está ligada às principais cidades italianas e europeias por diversos voos diários. O aeroporto Marco Polo fica próximo da cidade de Mestre. Daí saem autocarros, táxis, táxis aquáticos e motoscafos, (barcos de passageiros relativamente baratos apesar de lentos) até à Piazzale Roma, em Veneza. A opção mais económica, para toda a família são os autocarros da empresa ATVO.

Carro

Só compensa ir de carro se o roteiro da viagem incluir outros lugares na mesma região, até porque além de ter que levar ou alugar as cadeirinhas para as crianças, estes veículos não entram em Veneza, ficam parqueados num estacionamento na entrada da cidade, onde termina a estrada (Piazzale Roma), ou nalgum lugar próximo no continente (Mestre é a melhor opção, as outras são Tronchetto, Marghera, San Giuliano, Fusina, Tessera ou Cà Noghera). Depois de estacionar terão que se deslocar de autocarro, comboio ou barco até Veneza.


comboios directos para Veneza desde praticamente todas as cidades italianas. Veneza é ainda ligada aos grandes centros europeus por comboios de alta velocidade. Para chegar à cidade desembarcamos na estação Venezia–Santa Lucia. Dependendo da origem do comboio pode ser necessário mudar na estação Venezia–Mestre, que fica no continente. Há comboios, ao longo de todo o dia entre ambas as estações e a agradável viagem demora cerca de dez minutos. Chegar a Veneza, pela primeira vez de comboio é mágico! A primeira imagem, assim que saímos da estação é a do Grande Canal. Entramos numa viagem no tempo...

Alojamento

Por serem, regra geral estadias menos prolongadas, optamos por hotéis centrais e amigos das famílias. Podem parecer mais dispendiosos mas é só ilusão, já que poupam em transportes e ganham em tempo. Do grupo Accor, os Novotel têm sido, para nós uma escolha muitíssimo agradável. Quartos ao estilo americano: espaçosos, com tábua e ferro de engomar (sim, regra geral gostamos de andar engomadinhos), sofás-cama para as crianças, casas de banho generosas e com banheira... Restaurantes com múltiplas e deliciosas opções, zona de brincadeira bem apetrechada e funcional, wi-fi gratuito.

Alimentação

O cardápio gastronómico de Veneza inclui peixes, frutos do mar com arroz e feijão, além de aspargos, abóboras e ervas, vegetais típicos da região do Vêneto. Quase todos os restaurantes oferecem menus a preços fixos (ficam mais em conta do que os pedidos a la carte). Se puder, não deixe de ir dar um salto ao afamado Harry's Bar para saborear o autêntico Bellini, uma bebida que mistura prosecco com sumo natural de pêssegos rosados e não dispense um lanche no Caffé Florian (na Piazza San Marco, inaugurado em 1720, a mais antiga pastelaria em funcionamento na Europa), famosos por oferecerem receitas divinas como carpaccio, bellini e chocolate quente. Nós, somos fãs do Caffé Florian e do seu ambiente glamoroso. Eu e a Constança do seu chocolate quente e o pai e a Madalena do Club Sandwich. Aqui e ao som sempre de uma orquestra, pomos em prática o “people watching”, uma actividade tão divertida e enriquecedora que as crianças adoram e acompanham. Os preços estão ao nível do status deste espaço. Não se esqueçam de provar os deliciosos Baoacoli Veneziani. Biscoitos típicos venezianos feitos com manteiga, farinha, açúcar, fermento e clara de ovos.

Sugestão em família

Comprem um tiramisu, sentem-se na beira de um canal, saboreiem-no e deixem-se invadir, sem pressas pela estonteante beleza desta cidade museu ao ar livre!

Fizemos as malas com a certeza de que voltaremos a este éden, classificado pela UNESCO de Património Mundial da Humanidade e onde já fomos felizes mais do que uma vez: Veneza!

Ao lado de Veneza está a encantadora Murano. A família Camacho conta-nos a sua experiência neste post.