Alimentação saudável em viagem

5.3.15

É possível? Claro que sim!

A nós não nos restam grandes alternativas já que a nossa filha mais velha lançou-nos um grande desafio por ter (até há pouco tempo) uma relação diferente com a comida. Evitava-a a qualquer preço, a menos que fosse pão (escuro), queijo, presunto, esparguete, alface, cenouras, algumas frutas, amendoins e crepes ou gaufres de chocolate.

Um leque muito variado e nutritivo, não vos parece? Pois, a nós também não! Agora já aprecia sushi (comida que eu dispenso) mas aprendeu com o pai, e ainda bem. Prefere os salgados e picantes. Carne vermelha? Só se for picada, ao estilo bolonhesa, hambúrgueres também não constam das preferências e desde há um mês que garante não gostar de ingerir nada que provenha da vaca (a sério que não fomos nós quem incutiu, é dela).

McDonald´s? Tinha três anos, era noite de Halloween, estávamos em plena Miami. Decidimos arriscar e pela primeira vez levá-la a experimentar (ainda que no meu ombro sentisse o toque de um anjinho papudo a julgar-nos: “que pais irresponsáveis, a levarem a menina para esse antro”. No fim, acabou por comer meia dúzia de batatas fritas e metade de um boião de comida Gerber… Refrigerantes nunca gostou, apesar de não entrarem na nossa casa, já provou e rejeita, o que é mais um ponto a favor na hora de viajar!
McDonald´s riscado da lista de escolhas (confesso que, no fundo fiquei feliz, iupiiii)!
A foto fala por si!

As pediatras que até hoje a acompanharam garantem que não é motivo para alarme até porque, tem sido uma criança saudável e “quando tiver fome vai comer”, dizem.

À semelhança do quotidiano, em viagem a sopa é assídua no almoço e no jantar (desde que, para a Constança muito bem passada e para a bebé mais espessa, cada uma com o seu deleite).

Habituámo-nos a pesquisar restaurantes mais tradicionais, caseiros, vegetarianos ou gourmet e com gastronomia local (para apurarmos todos o paladar) que ofereçam esta hipótese. Além destes, os italianos têm-se revelado uma óptima opção, não pelas pizas, que a Constança não é grande aficionada mas pela oferta de pratos confeccionados com esparguete, as outras massas não são chamadas ao banquete.



Quem aproveita para se deliciar à mesa é a bebé.
Ama comida e se puder está sempre a petiscar. É uma doceira nata (mea culpa)!
Boiões de comida para bebé? Nem vê-los! Detesta e fica mesmo zangada (graças a Deus)! Mas já existe comida biológica, para bebé, em boião.

Esta diversidade, também nos gostos gastronómicos, na família é uma verdadeira bênção e tem-nos conduzido a descobertas nutritivamente deliciosas, à volta do mundo!
Aprendemos a ser pais:

Mais flexíveis - não há rigidez nos horários, nem nas escolhas a irem para os pratos;
Mais pacientes - podemos demorar duas horas com uma refeição

Sugestão


Nós costumamos visitar mercearias e mercados nos destinos que percorremos. Temos tido agradabilíssimas surpresas. Acabamos por descobrir imensos produtos locais e experimentamos comidas novas, às vezes muito exóticas. Já nos salvaram em algumas ocasiões. Quando andamos pelas Caraíbas, almoçamos muitas vezes em praias. Há sempre peixe que podemos escolher e as crianças deliram! É das melhores coisas a fazer nestes destinos: um piquenique no areal, à beira mar!

Dicas

Cuidado com as consequências do sumo de limão (muito utilizado para temperar estes pratos) na pele, quando exposta ao sol porque queima! Tivemos essa amarga experiência no braço da nossa filha mais velha. Pedimos peixe (como podem ver na foto), temperamos com lima que terá respingado para o seu bracinho. Ao fim da tarde, a zona afectada assemelhava-se a um escaldão, o que nos pareceu estranho (pelos cuidados que temos com a protecção solar) e em poucas horas fez bolha, levantou a pele e era, na realidade uma colossal queimadura. Foi imediatamente tratada e, em semanas ficou bem, em meses a mancha foi desaparecendo. Hoje não se nota nada, ficou o susto, a surpresa e deixamos o alerta!

Sandes, frutas, barras de cereais e iogurtes

Se fizerem pequenos-almoços buffet podem aproveitar para, no final fazerem uma sandes e levarem uma ou duas peças de fruta, assim como barras de cereais e um iogurte para os lanches da manhã. Lembrem-se de levar uma colher (devolvem ao fim do dia).

Frutos secos

São óptimos, ricos em Omegas e ajudam a afastar a tentação dos doces. Encontram-se facilmente em praticamente todos os destinos. Atenção à idade das crianças. Antes dos dois anos são perigosos pelo risco de asfixia.

Bebés

Para os que já não são amamentados, certifiquem-se apenas que existe, no destino de férias, o leite em fórmula ao qual estão habituados. É muito prático quando os bebés estão acostumados a beber o leite, à temperatura ambiente. Com as nossas foi muito fácil. Tenham sempre à mão uma garrafa de água mineral e uma dose a mais de leite em pó.

Avião

É possível reservar previamente refeições vegetarianas. Têm-se revelado uma excelente opção nas nossas viagens.

P.S – Andamos sempre acompanhados de um pacote de bolachas, uma peça de fruta e uma garrafa de água (hidratação é essencial), só para o caso de demorarmos mais tempo até encontrarmos o lugar ideal para comermos.

Sonho ou pesadelo?

3.3.15
Sabem aquela viagem perfeita? Aquela que idealizam, visualizam e até já sentem o que sentiriam, ouvem o que ouviriam e vêm o que veriam quando a concretizassem? Boa, essa mesmo! Aconteceu-nos!
Somos fãs de cruzeiros e, por ser o último ano em que não estávamos sujeitos à ditadura do calendário escolar, optamos por navegar em Maio, pelo Mediterrâneo, já que até então viajavamos sempre pelos mares das Caraíbas.

Companhia de navegação

Somos entusiastas da Royal Caribbean (RC) e não era fácil optar por outra companhia, sobretudo depois de termos passado férias fantásticas a bordo, tanto do mais pequeno (Majesty of the Seas), quanto (na altura) do maior navio de cruzeiros do mundo (Oasis of the Seas)– ambos RC. Mas essa era uma crença altamente limitadora e temos um lema: sair da zona de conforto! Arriscamos a MSC!

Navio

MSC Preziosa: mais um gigante dos mares, com capacidade para 3500 passageiros e mais de 1300 tripulantes, com uma escadaria de cristais Swarovski (pirosa que sei lá, para o nosso gosto mas encantadora para muitos dos passageiros que a sobem e descem deslumbrados), discoteca para miúdos e graúdos, o maior parque aquático dos mares, um simulador de formula 1 a bordo… Cabines e camarotes espaçosos e francamente confortáveis (aquí ganham à RC).
Um navio muitíssimo simpático!
Íamos comprar uma cabine com janela mas já não estavam disponíveis. Restava-nos escolher entre interior e com varanda. Com crianças (curiosas e atrevidas) ficamo-nos pela primeira opção e não nos arrependemos!







Porto de partida

Queríamos sair de Veneza por sabermos que seria uma das últimas oportunidades para contemplarmos a Piazza de San Marco, desde o Grande Canal, a bordo de um navio gigante (já que a partir de Novembro de 2014, todos os navios com mais de 96 toneladas estariam impedidos de navegar neste canal). Esta saída é considerada, pelos amantes dos cruzeiros, como a mais fabulosa do Planeta! E foi!!! Não encontramos, ainda hoje, adjectivos à altura para a descrever!







Quando demos por nós já estávamos a bordo e alojados! O nosso camareiro, Gyang, era um amor. Confessou-nos que não conhecia o navio, apenas aquele deck e a cabine partilhada, onde dormia. Contou-nos um pouco do que é ficar nove meses no mar, sem sair sequer nos portos, um sacrifício recompensado quando vê os sorrisos tranquilos nos rostos dos filhos e da esposa (há escolhas ingratas).
Saímos de Veneza rumo a Bari...





Buffet

Não pretendíamos jantar no salão, na primeira noite e fomos ao buffet, era a confusão total! Passageiros em atropelo, empregados pouco disponíveis... Pedimos uma sopa para a bebé que demorou uma eternidade a chegar (vinha da cozinha) e o cardápio, digamos que não era, de todo o mais variado. Mas pensamos: siga a marinha! Seguimos!

A partir desse momento a nossa viagem entrava numa espécie de espiral de alienação! Cruzavam-se connosco as personagens mais sinistras, mais arruaceiras, excepção feita a um grupo de bailarinos alemães que usufruíam do seu cruzeiro dançante, numa secção à parte. As zonas de fumadores confundiam-se com as de não fumadores (tal era o abuso dos passageiros perante a apatia da tripulação responsável).

Clínica

Tínhamos saído, definitivamente das nossas zonas de conforto! Até que, um a um (salvou-se a Madalena) e à medida de um por dia, adoecemos a bordo (desconhecemos até hoje a causa mas desconfiamos de intoxicação alimentar).
Ficamos a conhecer a clínica (simpática por sinal), a frieza e a rigidez (assim como a eficiência) dos médicos do Kosovo e de Montenegro e a simpatia de uma jovem enfermeira da Macedónia. Descobrimos ainda as manhas de muitos tripulantes que inventavam as desculpas mais rocambolescas para invadirem a zona com queixas em troca de justificações médicas, para faltarem ao serviço. Como a maioria era de nacionalidade brasileira (e não sabiam que éramos portugueses) acabávamos por ouvir as combinações das sintomatologias, entre eles, antes de chegarem aos médicos e tinha mesmo muita piada. Claro que a porta da rua era a serventia da casa e saiam de lá mais depressa do que entravam, para chegarem a horas aos seus postos!
Chegamos a Istambul, saímos no navio, pisámos terra firme e já a alcançar o controlo de saídas perdi o Norte, o Sul, tudo... regressámos ao Preziosa, esta mãe de cadeira de rodas. Fiquei meia manhã a receber soro e medicação intravenosa. Mas, ver Istambul por uma escotilha era inaceitável para a minha vontade maior de pôr pés ao caminho e desvendar os mistérios da mística Istambul. A enfermeira macedónia, depois de tanto lhe rogar lá me fez a vontade e fomos, os quatro felizes à aventura, numa cidade a regressar!



Excursão



Perdemos a excursão que tínhamos comprado de véspera, a única que recebeu o valor de volta fui eu (tinha atestado médico). Não aceitaram a justificação de que o pai tivesse que ficar a bordo, com as duas filhas menores, de olho na saúde da mãe.

Salão

Nessa noite, decidimos trajar a rigor para jantarmos no salão. Estava com lotação quase esgotada, sob um ruído ensurdecedor, digno da pior tasca... Como estava indecisa em relação ao prato principal decidi pedir apenas a entrada, para começar. Em resposta a antipatia do empregado de mesa e um: “tem que pedir tudo de uma vez e já!”. Levantamo-nos e fomos jantar a um restaurante pago!

Junior Club

No regresso de Istambul, eu ainda estava debilitada e a Constança frequentou por duas horas o Junior Club. A atenção prestada às crianças era tanta que levamos a nossa filha sem que ninguém se apercebesse. Por acaso éramos nós, os pais! Só por acaso... Passado uma hora, dirigimo-nos à recepção, pedimos a presença da responsável do club e perguntámos pela nossa filha. Perante o pânico da responsável, ao perceber que a criança estava desaparecida, apresentamos-lhe a Constança. Acreditamos que tenha servido de lição para casos futuros! No dia seguinte, tínhamos à porta, em nome da Constança, um saco recheado de mimos, com o boneco mascote, do navio a Dó Ré Mi e um pedido de desculpas formal.




Mas a viagem prosseguiu, rimos de muitas situações, reclamámos de várias, em sede própria.
Conhecemos viajantes que navegaram no mesmo navio (noutras rotas) e que tiveram férias perfeitas! A MSC é uma boa companhia de cruzeiros. Aconteceu, não a nós mas para nós e não foi tudo mau, pelo contrário, testamos limites, situações novas, reacção das crianças perante as adversidades em viagem, fortalecemos laços e agora, a esta distância arriscamos dizer: repetíamos!

Afinal, não são os acontecimentos das nossas vidas que a marcam mas sim, a forma como reagíamos ou agimos perante os mesmos!

Próximo cruzeiro, por favor!


Dicas

Quando viajarem façam sempre um seguro de saúde. A bordo, todas as despesas médicas serão suportadas por vocês e são bastante dispendiosas. Guardem os recibos e apresentem, na companhia seguradora, à chegada a Portugal. Têm que pagar a franquia e o resto é suportado pelo seguro. Vale a pena!

P.S 1 - Todas as fotos foram feitas com os nossos telemóveis, porque, também a máquina fotográfica teve um problema. E então?! Ficamos com fotos na mesma e com memórias fantásticas!

P.S 2 - O nosso próximo cruzeiro será realizado com uma companhia, com a qual nunca pensámos navegar (COSTA - sem razão especial, apenas ainda não nos tinha atraído), mas o itinerário é deslumbrante… Em breve contaremos tudo.

Como comprar um cruzeiro e o que levar
Cruzeiros em Família

Hora de fazer as malas

2.3.15
Se quando viajamos sozinhos surgem dúvidas, imaginem quando incluímos crianças, idosos ou animais de estimação (sobretudo quando não são destinos tropicais que nos permitem transportar, quase em exclusivo indumentária mais leve). Quais as roupas a levar? Quente ou frio? Calçado? Transportar ou não produtos alimentares? Quais os permitidos? Medicação, mala de mão ou de porão? Se a viagem é terrestre as dúvidas dissipam-se porque tudo o que couber na sua viatura é permito, mas, se vai viajar de avião o cenário é outro. Como fazemos?

Organizar - Checklist

Com base no destino, na duração da visita e nas previsões meteorológicas elaboramos uma lista do que levar, para cada um.

Roupa

Será que precisamos de dois casacos de neve? Do pareo de praia? Consoante o destino e época do ano, optamos por levar roupa versátil, que se adapte, tanto a um look mais casual como a um mais sofisticado. Também não nos esquecemos de levar algum apontamento mais requintado. Por exemplo, se vão fazer um cruzeiro, numa rota de veraneio, além da roupa confortável, de praia e daquele casaco de malha que nos ajuda a enfrentar o fresco dos ares condicionados, convém não esquecer ainda o traje para uma noite de gala, a bordo. Normalmente, nesta noite podem fotografar com o comandante. As crianças gostam imenso de o conhecer, é um dos pontos altos da viagem! Para os adultos, esse momento é verdadeira viagem à série “The Love Boat”!

Agrupar

Agrupamos a roupa: calças com calças, camisas com camisas. Facilita na hora de desemalar! A roupas das manas, vai na mala delas, separadas por kits, por dias. As da mais pequena em sacos com zip (do género dos de congelação) que no regresso já servem para a roupa suja. Para elas levamos sempre roupa extra. Também nos habituamos a colocar os artigos mais essenciais no topo. Só para o caso de precisarmos e termos que abrir as malas, no aeroporto.


Roupa dobrada ou em rolinhos?!

Se sou eu a fazer as malas, a roupa vai engomada e dobrada. Se a tarefa fica para o pai, a roupa pode ir por engomar e pode ir enrolada. Quem consegue arrumar tudo em muito menos malas? O pai! Experimentem!

Já fiz malas com a técnica dos rolinhos, cabe muito mais roupa. Tem um senão, a maioria fica super engelhada. 


Dentro deste saco está um vestido de noite com as respectiva roupa interior.

Calçado

Um dos artigos mais importantes e também mais espaçoso nas viagens. A selecção é muito criteriosa para evitar ocupar espaço desnecessário. Máximo três pares para cada um, sendo que os mais volumosos vão já calçados para a viagem de avião. Os restantes guardam as meias dentro.

Higiene

Regra geral, as unidades hoteleiras disponibilizam a maioria destes produtos. Mesmo assim, eu não passo sem o meu shampoo e amaciador, assim como creme de corpo, rosto... Para não correr o risco de ter que transportar três necessaires (só com os meus produtos), opto por levar somente as quantidades a usar nos dias em que vamos estar fora ou levar embalagens que estão a terminar e ganhamos espaço para o regresso, já que as outras vão para o lixo. Escova do cabelo e amaciador, creme de corpo, água de colónia são partilhados pelas três. Cada um tem o seu necessaire. Também levamos fraldas para dois dias, compramos mais no destino e no regresso conquistamos espaço na mala. Atenção, as toalhas de banho ficam em casa, de praia levamos só uma. Restringimo-nos ao básico.

Reservem espaço extra

Se gostam de comprar recordações nos sítios que visitam, das duas uma, ou reservam espaço extra na mala ou compram uma nova. Não somos de comprar muitos "recuerdos", preferimos enviar postais. Os amigos e familiares estimam este miminho! Acabamos por enviar um postal também para nós. 

Quando viajamos para os EUA, visitamos alguns outlets e lojas especializadas (muitos artigos saem bastante mais em conta do que quando comprados em Portugal) e já levamos uma mala dentro de outra, para esse efeito.

Obrigatório

Um kit de primeiros - socorros. Apenas o essencial para adultos e crianças, “just in case”. Termómetro, medicação para uma eventual dor de cabeça, uma febre repentina, uma indisposição alimentar, soro fisiológico... Se precisam de um medicamento permanente, levem-no convosco. Assim, não correm o risco de lhes exigirem prescrições médicas na hora de o comprar ou de nem sequer existir o mesmo medicamento no destino.

Antes de embarcarmos para algum destino mais exótico, consultamos a pediatra das nossas filhas para nos certificarmos de que estão aptas e quais os fármacos a levar. Por exemplo, existem poucos repelentes aconselhados a crianças com menos de dois anos e nem todos são eficazes contra determinados mosquitos. Os protectores solares mais eficazes, para a mesma idade, são os cremes minerais solares e vão sempre connosco, uma vez que não se encontram com facilidade em muitos países (já tivemos essa experiência).

Adaptador

Nem todos os hotéis disponibilizam tomadas internacionais por isso, convém levar o adaptador. Evitam perder tempo de férias à procura de uma loja que os venda, normalmente mais caros do que o desejável.

Tamanho e peso das malas

O tamanho da bagagem de mão não pode exceder os cinco quilos e as medidas não podem ultrapassar os 115 centímetros (somando altura, comprimento e largura). Hoje, quase todos os aeroportos dispõe de suportes onde pode encaixar a mala e verificar se cumprem com os requisitos legalmente exigidos. Também podem pedir ajuda numa loja especializada e consultar na Internet as medidas permitidas por cada companhia.



Pesar a bagagem em casa: pesem-se primeiro, depois pesem-se novamente agora com a bagagem e descontem o vosso peso. Assim não erram, caso a balança esteja desafinada! Fazemos isto com as crianças e é bastante divertido!

Atenção ao que colocam dentro da mala de cabine. O controle é cada vez mais rígoroso, não vale a pena correr riscos e ficar sem objectos ou produtos que tanto estimam - este é um mantra que tento interiorizar há uns anos e que me podia ter salvo, por três vezes, de ver confiscados objectos tão queridos e úteis, como um abre cartas lindíssimo, comprado pouco antes de ir para o aeroporto, em Londres ou um Victorinox, edição limitada, que nem me lembrava que me acompanhava, no aeroporto do Sal, ou mesmo o óleo de corpo da bebé que viajou por dezenas de aeroportos com controlos complicados e que, na última viagem não passou no crivo do controle, em Lisboa. O ideal é consultarem na Internet as regras para cada aeroporto.

Alguns exemplos:

- Objectos cortantes são proibidos, incluindo limas, tesouras de bebé e corta unhas. E não vale a pena insistir, não passam mesmo!

- Líquidos em frascos acima de 100 mililitros, ainda que parcialmente cheios também não passam no controle (foi o que aconteceu com o óleo de corpo da bebé). Até 100 mililitros devem ser colocados em bolsas de plástico transparente, apropriadas e apresentados em separado no raio-x.

- Os medicamentos (que vão na bagagem de mão) têm que ser acompanhados da respectiva prescrição médica. Os colírios e soluções para lentes de contato, desde que não excedam os 100 mililitros dispensam este proforma.

- Quanto aos produtos adquiridos no free shop, desde que devidamente embalados e identificados podem ser transportados sem qualquer restrição.

Para a bagagem despachada, as regras mudam, dependendo se é um voo de médio ou longo curso. Aqui, as restrições estão relacionadas com o peso. Cada passageiro pode, regra geral, e a menos que seja um passageiro frequente com estatuto Silver ou Gold, transportar, no máximo 23 quilos em cada mala. A partir deste peso cada companhia área aplica um custo adicional por quilo de bagagem. Uma situação que podem consultar no site da companhia com a qual viajam.

Mala (de mão) da bebé

Aqui há espaço para uma muda de roupa, o muda fraldas, as fraldas, toalhetes, óleo de cocô (versão viagem), sling, babete, alguma comida (uma peça de fruta, uma sopa num termo pequeno ou comida de boião se o bebé gostar), bolachas, leite e água. A quantidade varia em função de ser um voo de médio ou longo curso. Nos últimos, as companhias disponibilizam boiões de comida, para bebé. Também incluímos um brinquedo que a própria escolhe com a ajuda da mana. Porta documentos com caderneta de saúde e vacinas (das duas filhas). Parece muita coisa? Não é, e bem acomodado nem dão por isso. Acreditamos que nestas coisas mais vale pecar por excesso do que por defeito.

Mochila de criança

A mana "maiúsca" já tem a sua mochila que não dispensa. É pequena para não a sobrecarregar e grande o suficiente para transportar o que eventualmente pode precisar durante um voo ou no aeroporto. Acompanha-a sempre um jogo, composto por 100 cartas (pequenas) com 200 possibilidades de brincadeiras, um lápis e, em algumas viagens, o iPad com jogos terapêuticos (um conselho: verificar a carga da bateria antes de sair de casa). Uma garrafa de água, uma peça de fruta e bolachas. A bordo já sabe que recebe uma caixa com lápis de cor, um livro para colorir, baralho de cartas...

Eu opto por não usar uma bolsa minha durante as viagens. Coloco a minha carteira no exterior da mala da "minúsca". Na mesma mala estão, além dos cartões de pagamento: dinheiro, não vá dar-se o caso de não aceitarem outros meios de pagamento, a carteira com os documentos, passaportes, talões de embarque. É um descanso!

No final, no aeroporto (e salvo excepções de viagens de longa duração) despachamos duas malas, uma nossa (pai e mãe) e outra das filhas, o carro da bebé (que entregamos e recolhemos à porta do avião) e, na bagagem fora do formato a cadeira de carro. A maior, usa o assento que podemos transportar na cabine. O ovo, usado nos primeiros meses de vida, nem sempre pode ir na cabine. Informem-se antes com a companhia para não terem surpresas. Na mão levamos a mala da bebé, a mochila da mais crescida e outra com o nosso portátil, a GoPro que não pode faltar, óculos de sol e de apoio à leitura, algum outro elemento de valor. A máquina fotográfica vai comigo.

Extras

Cama de bebé

Com a nossa filha mais velha usamos e chegamos à conclusão que era dispensável. As unidades hoteleiras e os navios já têm berços disponíveis, mas, se o bebé não gostar (como a nossa mais nova) podem, por exemplo, fazer uma caminha, no chão, ao lado da vossa. Eles deliciam-se, é uma espécie de acampamento. Connosco resulta muito bem!

Esterilizador e biberões

Até aos quatro meses - para as mães que não podem (o meu caso) ou não querem amamentar em exclusivo - ia connosco, depois não. A água, para adicionar o leite, em formula fervíamos nas cafeteiras do quarto (previamente lavadas) ou usávamos águas minerais engarrafadas. Nos EUA a Gerber, por exemplo, disponibiliza garrafões de água preparada para bebés. Existem ainda os baby bottle liners que nos permitem usar o mesmo biberão sem ter que ser lavado. Numa situação de emergência ou por poucos dias são do mais prático que existe!

Cadeira do carro

Levavamos as das duas (a "maiúsca", como já vos disse, já só usa o assento em viagem), fica muitíssimo mais económico do que alugar. No aeroporto plastificamos ambas e vão despachadas na bagagem fora do formato. Uma opção, para quem não precisa delas no percurso até ao aeroporto é serem vocês mesmos a plastifica-las em casa. É mega diversão com a criançada e muito mais económico!

Dica adicional Quando viajamos para países que, sabemos de antemão serem pródigos no desaparecimento de algum do recheio das malas, optamos por colocar a roupa suja em cima (sem estar dentro de sacos), assim perdem a vontade de remexer.

Uma curiosidade

Evitem levar amendoins para dentro do avião. Por estranho que pareça, é frequente haver pessoas alérgicas a este alimento e ninguém quer correr o risco de desencadear uma reacção alérgica nalgum passageiro.


Vamos crescer tanto

25.2.15
Entramos no avião, de Caracas para Lisboa. Voo completamente lotado, como já é habitual. Procuramos os nossos lugares, chegamos e à coxia estava já sentado um senhor. Pensei: “espero que seja uma pessoa paciente, não vá dar-se o caso das miúdas não adormecerem fácilmente e ainda são quase 8h30 de voo…”. O senhor cumprimentou-nos com um sorriso amistoso (ufa). Instalámo-nos! Passado alguns minutos diz-me o Ernesto:
- “É um padre!”
-“Padre? Que padre?”
- Este senhor, sentado ao meu lado, é padre!”
- “Menos Ernesto!!!”
- “A sério! Vê a insignia na cruz que traz ao peito…”
Realmente, conferia. Conhecendo-me melhor do que as palmas das suas mãos, o Ernesto sugeriu que trocassemos de lugar. Afinal, já previa longas horas de conversação. Dito e certo! Nunca fi zuma viagem de longo curso tão prazerosa. Foi assim que começou uma bela amizade com o Pe. Luciano, sacerdote Salesiano (nem de propósito, a minha familia tem já uma longa tradição Salesiana e juro que me senti a viajar, literalmente ao lado de S. João Bosco).

Há mais de 60 anos foi destacado dos Salesianos, em Roma para a Venezuela. Desde então, tem trabalhado nas favelas, recupera jovens, resgata dos maus caminhos famílias inteiras. Há 16 anos fundou a Casa de Acolhimento Padre Luciano. Aqui vivem dezenas de crianças e jovens, em risco que aprendem a ser homens e mulheres justos, fraternos e trabalhadores. Com o contributo e generosidade de muitos amigos e até desconhecidos, a obra continua a crescer de forma sustentada e a dar frutos.

Todas as semanas vão favela dentro levar os excedentes e prestar apoio aos que ainda não conseguiram sair dos morros. E assim que ouvi isto vi um dos nossos sonhos assumir contornos humanos e auto convidei-nos para os acompanhar na missão! O Pe. Luciano primeiro espantado, depois feliz aceitou e, no próximo Verão vamos viver 15 dias (desconfio que a estadia se prolongará) nesta nobre Casa, situada na base de uma favela. Vamos subir diariamente para estes bairros (sim, são perigosos, com elevadissimas taxas de criminalidade violenta mas também com muitos corações e almas puras e bondosas que carecem de tanto amor e comida). Temos a certeza de que cresceremos todos muito mais do que possamos imaginar a esta distância… Vai fazer-nos bem vivermos com tão pouco e ainda termos que o partilhar com quem nada tem, vivermos sem o conforto material, sem a certeza do “daqui a pouco” e de que está tudo a postos mesmo até para o que não precisamos. As miúdas vão fazer amigos para a vida e nós também! Estamos gratos e em contagem decrescente porque a primeira grande viagem faz-se de dentro para fora!

“O Mundo é um livro e aquele que não viaja lê apenas uma página” – Sto Agostinho

Em casa da Mãe

23.2.15
As águas serenas do Mar Egeu embalavam os nossos corações peregrinos. À vista Izmir, na Turquia. A “Pérola do Egeu”, a terra que há 3500 anos viu nascer o poeta Homero.

Íamos, finalmente, visitar a Casa da Virgem Maria, onde a mãe de Jesus terá vivido os seus últimos anos, junto a São João Baptista (a quem Cristo terá pedido, antes de ser crucificado para a amparar).

Com crianças, por termos apenas um dia disponível e por estar uma temperatura que rondava os 40 graus, optámos por contratar uma excursão, num autocarro turístico, com uma guia em castelhano, a amável Derya.

A humilde casa (onde aconteceu a Assunção de Nossa Senhora) é feita de pedra, situa-se a 400 metros de altitude, no alto do Monte Coresus (Panaya Kapulu), numa zona conhecida como Maryemana Kultur Parki, a oito quilómetros de centro de Éfeso.

O local mágico, invadido por uma energia singular, é um relevante centro de peregrinação reconhecido pela igreja católica e pelos muçulmanos. Para estes, Nossa Senhora foi a mãe de um grande Profeta e é a única mulher a ser exaltada no livro sagrado muçulmano.


Dentro da casa, hoje uma capela/ santuário, não é permitido fotografar.

Para nós, crentes em Nossa Senhora e as nossa filhas a Ela consagradas, esta visita revestiu-se de grande intensidade. A Constança estava emocionada e a Madalena, ainda tão bebé, parecia sentir a presença de Maria, algo que não poderemos nunca descrever em palavras. Percorrermos os mesmos caminhos que a Mãe, passearmos nos mesmos jardins, abrigarmo-nos nas sombras das mesmas árvores, bebermos da água da fonte (a única na região e que se acredita ser abençoada) que tantas vezes lhe saciou a sede foram momentos verdadeiramente especiais.

Ao lado da fonte, está o Muro das Graças repleto de bilhetes, lenços esvoaçantes, fitas, agradecimentos e pedidos dos peregrinos que ali passam. Também nós deixamos o nosso bilhete, escrito com tanto carinho e significado. Um momento de oração e reflexão, em família.

O local foi desvendado ao mundo, no século IXX por Anne Catherine Emmerich, uma freira acamada, que nunca andou nem nunca saiu da Alemanha. O sítio, em Éfeso é descrito com um pormenor impressionante e as suas visões foram publicadas em livro.

Em outubro de 1881, um padre francês descobriu as ruínas do que teria sido a casa descrita pela freira. Dez anos mais tarde, uma expedição encontrou o mesmo local através das descrições nos livros e descobriram ainda que a casa era um centro de adoração há séculos, por pessoas que se diziam descendentes dos "Cristãos de Ephesus" que chamavam aquela zona: "Chapel of the Most Holy" e que acreditavam que Nossa senhora ali tinha vivido até ascender aos céus. A realização do teste de carbono 14, comprova que a casa data dessa época.

História

Visitaram o local: em 1967, o Papa Paulo VI; em 1979, o Papa João Paulo II e em 2006, o Papa Benedicto XVI.

Sugestões

Levar protector solar, chapéu, lanche e recipiente para trazer água da fonte que se crê abençoada.

Parem, sentem-se à sombra das árvores e contemplem a serenidade do local. Contem a história do mesmo às crianças, antes e durante a visita. Escolham uma intenção, acendam uma vela e rezem juntos.

Que Maria abençoe e proteja todas as famílias.

Ainda em Izmir, a nossa visita a uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo - Éfeso.

Murano: ilha mágica!

22.2.15
Bela, encantadora, artística, romântica e mágica: são apenas alguns dos adjetivos para classificar Murano.

É a maior das Ilhas e também a mais próxima de Veneza. A Ilha de sonho fica bem pertinho. O acesso faz-se, em 20 minutos, através de “vaporetto”. Um verdadeiro autocarro aquático que é também o transporte público de Veneza. Recomendo a compra de um “ticktet” válido por 1 dia para que possa disfrutar calmamente das belezas naturais das Ilhas Venezianas.

Na viagem aproveite para fotografar paisagens de ângulos bem diferentes.

Toda a informação sobre as linhas, horários e preços pode encontrar no portal da empresa ACTV (Azienda del Consorzio Trasporti Veneziano).

A arte do vidro

Murano é o berço da produção de vidro a sopro. A arte resiste há mais de 700 anos. Em menos de 1 minuto os sopradores criam peças de rara beleza.

Por entre as ruelas existem várias fábricas. Aconselho a conhecer de perto o fabrico artesanal que mantém viva uma rica tradição de Murano. Em alguns casos a entrada é paga. Informe-se antes de entrar na área de produção. É feita uma demonstração do fabrico e no final o turista é convidado a comprar uma pequena lembrança. Os motivos, cheios de cores e brilhos são variados e os preços adequados a todos os bolsos. É quase impossível sair da Ilha sem uma compra!

Durante o passeio por Murano surpreenda-se com verdadeiras esculturas públicas em vidro, como é o caso da obra “Natale di Luce in una Cometa de Vetro”, desenhada por Simone Cenedese. Foi instalada em dezembro de 2007 no Campo Santo Stefano. É o símbolo do Natal em Murano.

Curiosidade

No final do século XIII, os fabricantes de cristais de Veneza foram obrigados a instalar as fábricas em Murano, devido ao risco de incêndio. Rapidamente a Ilha transformou-se num dos mais importantes centros de vidro do mundo. Os produtos luxuosos foram usados na decoração de palácios de referência mundial.

A produção de cristais continua a ser uma das atividades mais importantes da Ilha. As pequenas lojas cativam os clientes pela imensidão de vidraria disponível. Atualmente a produção enfrenta a concorrência do mercado Chinês.

Outras atrações

Com apenas 5 mil habitantes, Murano está ligada por diversas pontes embora não tenha tantos canais como Veneza. O canal mais importante que tem divide a Ilha em duas. Sugiro uma pausa para um café numa das esplanadas à margem do canal.

Prossiga a viagem e a cada recanto vai encontrar um bom motivo para fotografar.

A Igreja de Santa Maria e San Donato (Basilica Del Santi Maria e Donato) é conhecida pelos mosaicos bizantinos do século XII. Mostra que mesmo sendo no Ocidente, Veneza sofreu influência e foi considerada por muito tempo como uma cidade oriental.

Já a Igreja de São Pedro Mártir destaca-se pela decoração, com importantes obras de Tintoretto e Veronese, pintores venezianos de referência.

Todas as pontes são transponíveis!

Concluída a visita parta à conquista de outras ilhas de Veneza. As crianças não são entrave para uma agradável viagem à descoberta de novos mundos.

Limusina, por favor!

21.2.15
Já se imaginaram a sair da praia de limusina? Pois, nós também não, mas aconteceu, nas Bahamas!! 
Depois de meia hora à espera (sem sucesso) que passasse um táxi ou outro meio de transporte que nos levasse de regresso ao porto de Nassau, eis que surge o Johnny e o seu Hummer limusina. A viagem custou $20, o táxi custaria $25! Moral da história: se não tens táxi vai de limusina!

Foi, provavelmente a viagem mais pirosa que fizemos até hoje e ao mesmo tempo uma das mais cómicas!