A Austrália sempre nos fascinou. E face à crise que o nosso país tem passado nos últimos anos, decidimos arriscar e rumar os três ao hemisfério sul. Eu iria a uma entrevista de trabalho e quem sabe em poucos meses seríamos "aussies".
Partimos na nossa Primavera e chegámos a Sidney no Outono. Fizemos escala em Genebra e em Abu Dhabi. O Vasco, na altura tinha 15 meses portou-se lindamente, dormiu quando era de noite, fosse qual fosse o fuso horário em que estivéssemos. Fomos muito bem tratados por todas as tripulações, três no total. Na viagem de Genebra para Abu Dhabi tínhamos uma hospedeira portuguesa que mimou o nosso menino toda a viagem.
No total é uma viagem dura. Duas horas e pouco Lisboa-Genebra; sete horas Genebra-Abu Dhabi e 14 horas Abu Dhabi-Sidney. Ficámos sem posição para estarmos sentados. Eu tive bastantes dores nas pernas no voo maior. E tudo isto com um bebé ao colo. Mas parecíamos crianças a contar os minutos para aterrar.
Quando finalmente chegámos ao nosso destino já era noite. No outono escurece por volta das 17 horas e faz frio, comparado com a temperatura durante o dia.
Fomos buscar as malas, só queríamos ir para a estalagem onde iríamos ficar. Mas, nunca mais apareciam, esperámos, esperámos e nada da nossa bagagem. Dirigimo-nos a um balcão de informação e deram-nos a pior notícia que se quer ouvir após mais 24 horas a viajar. "A vossa bagagem ficou em Genebra". Uma das funcionárias deu-nos uns kits de higiene, e disse-nos que já lhe tinha acontecido o mesmo, com um olhar de quem compreendia perfeitamente como nos sentíamos.
Duas malas e um carinho de bebé tinham ficado para trás. Connosco só tínhamos uma mala de mão com fraldas, alguma comida de bebé e uma muda de roupa para o Vasco. O aeroporto emprestou-nos um carrinho de bebé até a nossa bagagem chegar, o que foi muito útil, pois só estava prevista chegar daí a dois dias.
No entanto, tínhamos um anjo da guarda à nossa espera. Uma amiga, de uma amiga minha, que também tinha decidido viver a aventura Australiana, acompanhou-nos até à estalagem para fazermos o check-in, e depois levou-nos a um supermercado, ali perto, onde pudemos comprar roupa interior e alguma comida.
Estávamos exaustos, só queríamos tomar banho e dormir. E foi o que fizemos. Por volta das três da manhã acordámos cheios de fome, e começava uma semana de jetlag. O Vasco nunca demonstrou grandes manifestações de jetlag, apenas tinha mais sede.
O nosso principal meio de transporte eram as nossas pernas. Andávamos km por dia. Mas Sidney foi construída de forma a que caminhar com um carrinho de bebé seja fácil. Passeios largos e alcatroados. Bastava aproximarmos-nos ligeiramente da passadeira e os carros paravam imediatamente. Algo que nunca esquecerei.
Todos os dias passeávamos. O Botanic Garden era o nosso destino preferido. Um parque enorme com uma vegetação variadíssima, com vista para a Opera House.
Ficámos em Potts Point, uma zona calma com prédios com fachada em tijolo. Com um pequeno parque para as crianças brincarem. Com lojas de rua e um mercado de rua onde vendem bolos, legumes, frutas, etc.
É difícil saber quem é australiano em Sidney. É uma cidade de emigrantes, sendo a grande maioria de origem oriental.
Fomos a Bondi Beach duas vezes. Apanhámos o metro e depois um autocarro que parava em frente à praia. Conseguia imaginar-me a viver ali. Prédios baixos com lojas por baixo. Uma praia imensa e um relvado antes de chegar à areia. E duas horas grátis de internet!
O primeiro banho de mar do Vasco foi nesta praia, já que em Portugal tinha corrido mal (pela temperatura da água). Agora, no Pacífico sim! A água estava maravilhosa(não esquecer que era Outono). E ele radiante.
Fomos ao Wild Life ver os coalas, cangurus e outros amigos australianos. Conhecemos um crocodilo que vivia num rio junto a uma pequena vila em que os cães desapareciam misteriosamente. Finalmente descobriram que era este gigante o culpado, e trouxeram-no para ali.
Também visitámos o Chinese Gardens, que foi construído pela comunidade chinesa. Parecia que estávamos na terra do sol nascente. E a verdade, é que em Sidney o sol nasce no mar e põe-se em terra, nunca assistimos a este fenómeno, mas vimos fotografias lindíssimas numa galeria em Bondi Beach.
Fomos ao Museu de arte contemporânea onde vimos diversas coleções. Frequentávamos a biblioteca quase diariamente pois ali a internet era grátis.
Também passeávamos no Rushcutters Bay Park onde tinha uma pequena marina e um grande parque para as crianças brincarem. Encontrávamos muitas mães com os seus filhos neste parque.
Alguns factos que consideramos importantes:
- as gaivotas em Sidney são loucas, não podem ver ninguém a comer atacam literalmente as pessoas para lhes tirarem a comida;
- a aranha mais venenosa da Austrália é a Sydney funnel-web, é uma aranha pequena, que se esconde facilmente num sapato (eu julgava que era do tamanho de uma tarântula, imaginem o pânico quando a vi no Wild Life daquele tamanhinho);
- o melhor supermercado é o Woolworths, mas a comida australiana é muito diferente da nossa. Têm muito mais tipos de chocolates e refrigerantes que nós. Já os legumes e a fruta são uma pequena fortuna;
- a comida de bebé não tem nada a ver com a nossa, foi uma dificuldade encontrar comida que o Vasco gostasse;
- nunca conseguimos usar o cartão telefónico, muito complicado, muitos números para inserir.
A minha entrevista correu bem, mas não fiquei com o lugar. O candidato que foi entrevistado antes de mim foi o escolhido.
As nossas malas quando chegaram estavam todas partidas, mas deram-nos umas novas.
O regresso a Portugal custou mais do que a viagem para Sidney. O voo de Genebra para Lisboa atrasou-se e já estávamos completamente exaustos dos dois voos anteriores.
Voltávamos a fazer tudo de novo? Claro que sim, mas desta vez ficávamos em Bondi Beach para ver o Sol nascer no mar :)
P.S. - Agradecemos à família Pereira o carinho e a partilha desta viagem tão especial e desejamos a continuação de muitas e maravilhosas descobertas! Bem-hajam!



















































