Eternamente gratos

27.4.15
“Como é que vocês vão para todo o lado e conseguem ver tudo com as miúdas à perna?”… Esta é uma pergunta que ouvimos frequentemente. Então vamos por partes:
- "Para todo o lado" onde? 
- O que é para vocês "ver tudo"?
- O que significa ter “as miúdas à perna”?


Como já vos contamos anteriormente, escolhemos os destinos em família, tendo em consideração os interesses individuais e colectivos, as necessidades de cada um e do grupo. De que adianta estar um “no céu” e três no “inferno”? Adoramos mandar o ego passear! 
Já nos aconteceu um não considerar o destino eleito muito interessante mas confiar, ir, deixar-se surpreender e regressar maravilhado. E é assim aqui em casa, confiança, autenticidade, respeito e entrega! (Ai que isto soou a slogan político, ups)


Não vamos obviamente para todo o lado, nem em todas as épocas do ano! 
Regressamos há pouco tempo do Médio Oriente e não fomos para o deserto. Não íamos sujeitar a pequenita, de 18 meses, à condução vertiginosa nas dunas e as duas a jantares que terminavam muito além da hora a que gostam de descansar. Em contrapartida, fomos presenteados com uma imponente tempestade de areia do deserto, em pleno Dubai e divertimo-nos imenso. Uma experiência única, imprevisível e portanto impossível de planear, já o deserto perdurará nos tempos e não faltarão oportunidades para, em conjunto desfrutarmos do mesmo. 





Mas não somos maluquinhos, calma! Procuramos refúgio nas profundezas do oceano, no Atlantis The Palm, pois claro.




Ainda nesta viagem acabamos por não subir ao Burj Khalifa. O que nos respondem (regra geral) é: “Não posso, estão a gozar??!!”. Pode, sim!! Optamos por não comprar os bilhetes online. Porquê? Isso implicaria estabelecer horários rígidos e perdermos a oportunidade de nos deslumbrarmos com pormenores exóticos, ao compasso das duas. Passamos três vezes no local, em duas havia entradas disponíveis mas as manas estavam cansadas. Na terceira vez estava o dia totalmente esgotado. Faria algum sentido subordiná-las a um capricho nosso, a uma espera de mais de uma hora para subirmos ao mais alto edifício do mundo e “fazer uma foto”, quando nenhuma tem noção de altitude, por exemplo? Não! Estavam cansadas, foram jantar, descansar tranquilamente, sem birras, sem dramas e todos felizes


No terceiro dia lanchámos num dos restaurantes, na base do Burj Khalifa e fizemos o passeio de barco no lago, enquanto assistíamos ao espectáculo das águas dançantes! Foi ouro sobre azul, o dia encerrou, uma vez mais maravilhosamente, mergulhado em riso por causa dos salpicos dos repuxos do lago e até hoje a mais velha fala do assunto com um sorriso de orelha a orelha.

E aquela história (desculpa esfarrapada) de que "só lá vamos uma vez"... Sabemos lá se só vamos uma vez! Além disso, a infância, essa sim, só acontece uma vez e molda o que seremos para sempre!


Países com menos Sol, cujas temperaturas são mais frias optamos por explorar no Verão, caso contrário não usufruiremos nem de 1/3 (a menos que o objectivo seja esquiar mas também só vamos em Fevereiro). Países tropicais sugerimos visitar durante o nosso Outono ou Inverno. 





Quanto a visitar grandes cidades planeamos por fases. Já percorremos duas vezes Paris com a Constança e ainda não exploramos tudo.… Lá voltaremos e agora com a companhia da mana (que ainda não existia nas visitas anteriores). A Constança será a guia, ela ama Paris! E também teremos que regressar a Londres, Roma, Istambul, entre outros.







“Ter as miúdas à perna”… somos fãs!
A Madalena adora sentar-se nas ombreiras das portas e a Constança em bancos e nós acompanhamos. Se soubessem a quantidade e qualidade de coisas fantásticas que já descobrimos neste nosso mundo… uau!! 





A Constança é a nossa grande companheira no planeamento das viagens. Senta-se connosco a ver os mapas, a estudar a história e a cultura daquele povo, a ver fotos na Internet… As nossas viagens começam muito antes de entrarmos no avião!



Adoramos que sejam as nossas guias de viagem. É impossível descrever o que aprendemos, os pormenores que, de outra forma nos passariam despercebidos, as paragens que nos obrigam a ritmar os dias à cadência da respiração, sem pressões, sem esperar nada em troca. É impressionante a competência de ambas, a curiosidade sem limites que demonstram e as leva a explorar o mundo de uma forma tão maravilhosa e a darem-nos a mão para as acompanharmos nessa aventura. 


Para nós, o menos é mais! Vemos menos (do que é turístico) mas muito mais do que é um povo e sobretudo a perspectiva das nossas filhas sobre aquele local, em particular. Guardamos memórias tão doces de todas as viagens. Sinceramente, não há uma em que possamos dizer "correu mal". 



Adoramos que testem os nossos limites, assim como também nós as testamos, isso faz-nos olhar para algo novo e limar arestas. E quando alguma se porta mal, sim elas são como nós e têm dias e horas, nós estamos lá! É óbvio que se o comportamento não é o adequado é porque algo não está bem com ela e não está a conseguir expressar-se de outra forma. Cabe-nos a nós apoiar e mostrar que estamos com elas, em todas as horas, que elas são sempre importantes e não só quando demonstram comportamentos esperados. Passamos a vida a sair da nossa zona de conforto e a grande consequência é que vivemos de verdade, com intensidade!

Ah e sabem uma coisa? Eu, mãe sou uma espécie de pita super mimada!! Sim, amuo e faço birras (adaptadas aos 39 anos) e já cresci tanto desde que elas nasceram!!!


A nossa função é apenas amar, amar, amar e de lhes proporcionarmos ferramentas que as ajudem a aceitar que há coisas que são como são e que elas são as duas suficientemente corajosas e confiantes para fazerem a diferença que querem ver no mundo!


Estamos-vos eternamente gratos, queridas filhas!

P.S. - Só um aparte: isto somos nós, cada qual sabe da sua vidinha ;-)

A mágica Alberobello de Bari

24.4.15
O velho continente transpira magia em cada recanto, está pejado de refúgios preciosos, românticos, de uma beleza incrível. Em Bari, uma comuna italiana da região da Apúlia, encontramos luz e muita paz. Reza a lenda que aqui está escondido o Santo Graal… 


Situada no "calcanhar" do país em forma de bota, Bari é considerada a segunda cidade mais importante do Sul da Itália e é famosa sobretudo pelas suas praias, zona antiga e agradável gastronomia. Mas, e desta vez decidimos afastar-nos de Bari e, uma hora depois somos surpreendidos por um segredo único no mundo: Alberobello!


Nesta cidade pitoresca, as casas são cilindricas e chamam-se trulli. Nos quarteirões de “Monti” e “Aia Piccola“, existem cerca de mil 1000 trulli. E é nelas que nos abrigamos do intenso calor que se faz sentir já em Maio.
Interessante é estarmos em Itália e parecer que estamos na Grécia pelas semelhanças que saltam à vista.


Estas construções têm uma história curiosa. Na segunda metade do século XVII, o conde Giangirolamo II Acquaviva d’Aragona ordenou aos moradores que construíssem casas que se “desmontassem” rapidamente, desaparecendo completamente (pelo menos os telhados). Sim, leram bem! O objectivo era o de evitar o pagamento do imposto feudal cobrado por cada casa nova. Quando a guarda do Rei fosse fiscalizar, as construções desapareceriam milagrosamente. Mas é tão difícil imaginar esta cidade eclipsar-se em menos de nada...


Desde 1996 que Alberobello é considerada Património da Humanidade, pela UNESCO. A maior parte dos telhados são ornamentados com símbolos religiosos ou esotéricos, o que a torna francamente misteriosa. 



Esta cidade graciosa é fácil de percorrer apesar das suas ruelas e escadarias e convida a deliciar-se com um típico gelado italiano (algo que a Constança dispensa, a Madalena na altura não podia ainda comer mas eu e o pai apreciamos) ou, para quem não resiste a comprar lembranças, um verdadeiro banho de souvenirs para todos os gostos e carteiras. Os restaurantes aqui têm um charme ainda mais especial e as casas (para habitação) são autênticos contos de fadas. Difícil é também resistir à massa orecchiette e aos biscoitos tarallini, só de lembrar cresce água na boca!





Para chegar a Alberobello podem voar desde Portugal até Milão e daí para Bari. Já em Bari existem autocarros que vos transportam para este recanto mágico. Outra opção é fazerem um cruzeiro cuja rota inclua Bari. Para as famílias que preferem uma aventura de duas ou quatro rodas, espreitem o mapa da foto. Uma coisa é certa: Alborobello é a cidade mais charmosa do Sul de Itália!



Murais que encantam

23.4.15
Há tradições tão nobres, nos portos. O Porto do Funchal não é excepção, pelo contrário, aqui sucedem-se murais maravilhosos, desenhados e pintados tanto por tripulações como por terceiros que se juntam às mesmas na execução destas obras de arte. Há dois anos, estávamos de férias na Madeira e a Constança colaborou na criação de um mural, de um navio escola dinamarquês. Algumas destas pinturas são desenvolvidas por fases. Iniciadas a primeira vez em que as embarcações visitam a ilha vão sendo concluídas nas visitas seguintes.
São recordações que ficam até que o tempo e a erosão à beira mar as apague...