Por uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

12.5.15
O Sol tórrido que nos abraçava já pelas dez da manhã, acompanhado dos seus calorosos quarenta graus não conseguiu dissipar o nosso deslumbre perante a imponência e magnitude deste verdadeiro tesouro arqueológico: Éfeso!



Em Éfeso respira-se um misto de beleza e história, viajamos numa cápsula do tempo. Por momentos, pensei ter avistado o Sport Billy (lembram-se desse bonequinho simpático?) e mais à frente a Cleópatra e Marco António que ali passaram a lua de mel - à passagem dos mesmos era derramado vinho no chão e assim terá nascido a passadeira vermelha. 


O ideal é chegar ao local nas primeiras horas da manhã para evitar o intenso calor e uma enchente de turistas e guias que dificultam a circulação. 


Ainda em Portugal, estudamos o local ao pormenor, com a Constança - as crianças ficam abismadas com as histórias e imagens recriadas em 3D desta colossal cidade.

O nosso conselho para esta visita é o de contratarem um guia, é garantia de que conhecerão na integra as profundezas deste património. O uso de protector solar, chapéu de sol ou sombrinha, água para se manterem hidratados, o carrinho para os mais pequenos (com chapéu de Sol) ou uso do sling e calçado confortável são indispensáveis.


A cidade é gigante! Destacam-se como principais pontos históricos o Templo de Artemis (reconstruido, com peças originais no British Museum), a Biblioteca de Celsus, a Avenida de Mármore, o Portão de Augustus, o Teatro e o Portão de Adriano.







Por ter sido uma viagem planeada com alguma antecedência, um mês antes visitámos, em Londres, o British Museum. Foi uma ajuda preciosa para que a Constança tivesse noção completa da história e de quão gigantes eram os monumentos que edificavam Éfeso, uma vez que inúmeras peças originais foram resgatadas para este museu.


Para conhecerem a fantástica cidade de Éfeso podem levar horas, um dia inteiro ou mais, se quiserem. Por isso, aproveitem a sombra da Biblioteca de Celsus para se sentarem e relaxarem um pouco ou a sombra de algumas árvores que por ali repousam, deixarem-se invadir pelo esplendor do local e descansem em família. 


Eu, uma apaixonada por história, arqueologia e livros vivi de forma muito particular a visita, sobretudo à Biblioteca. Experimentem pedir aos mais novos para derramarem água sob o chão de ladrilhos, eles vão delirar com as revelações dos desenhos magníficos. 



Esta visita é também uma excelente oportunidade para uma lição sobre civismo. Ficamos perplexos com a quantidade de visitantes que não respeitam a história e decidem avançar para cima dos vestígios arqueológicos. E ninguém os impediu ou os advertiu... Lamentável. 

À saída desta magnânima cidade existem uma série de lojas de recordações, venda de doces tradicionais, gelados... A que gostámos particularmente, é uma livraria que disponibiliza obras muito interessantes, não só acerca de Éfeso como acerca de outras maravilhas históricas. 


História

Éfeso foi uma das mais importantes cidades da Grécia antiga, localizada na costa Oeste da Anatólia, actual Turquia (Ásia Menor). Esta foi, no período romano, a segunda maior cidade do império, depois de Roma. Nessa época (séc. I) era considerada a segunda maior cidade no mundo. Hoje é o maior local arqueológico na Turquia e ainda não está toda a descoberto, as escavações arqueológicas prosseguem em redor.


Na antiguidade, Éfeso ficou imortalizada pelo Templo de Artemis (deusa Diana para os romanos), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo (550 AC) e pelo seu teatro, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 a 500 mil habitantes. Na Era Cristã, a cidade foi uma das sete da Ásia citadas no Livro das Revelações (Apocalipse segundo São João). Conta-se que aqui foi escrito o Evangelho segundo São João e a Primeira Carta aos Coríntios já que São Paulo também ali viveu, trabalhando numa congregação local. Aqui jaz ainda, um grande cemitério de gladiadores.

"Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje." - Heráclito (filósofo pré- socrático, considerado o pai da dialéctica e natural de Éfeso)

Como chegar

Avião
Há diversas companhias que operam directamente de Istambul para Izmir. Cada viagem pode custar cerca de €70.  

Navio
Izmir é um dos portos eleitos por muitos cruzeiros que cruzam o Mediterrâneo e o Mar Egeu. Os passeios até Éfeso podem ser contratados nos próprios navios.

Carro
Éfeso está situado a aproximadamente 45 minutos de carro, de Izmir. Os passeios de meio dia até as ruínas podem ser contratados nos hotéis da cidade e custam, em média, 45 euros por pessoa - incluem a visita à Casa da Virgem Maria (podem acompanhar aqui a nossa visita).



Milhas por um Planeta melhor

9.5.15
Sabemos que a maior de todas as viagens ocorre dentro de nós, assim sendo, hoje partilhamos uma aventura sem sair de casa. Milhas no caminho do desenvolvimento sustentável e ecológico. Já há algum tempo que os produtos biológicos fazem parte das nossas vidas ainda assim, sabia a pouco, queríamos ir mais além e educar as nossas filhas numa perspectiva mais ampla, no plano da consciência mas não só. 


Não gostamos de seguir modas mas de criar e entrámos no mundo dos biológicos depois de lermos vários estudos a respeito. Ficamos felizes por saber que os biológicos são a demonstração de que é possível cultivar alimentos sem a intervenção de químicos e que fogem à lógica da grande indústria agro-alimentar que inunda o mercado. E atenção aos rótulos, verifiquem sempre se estão a adquirir produtos autenticados como biológicos, que não usam nem pesticidas nem fertilizantes e que não estão contaminados.

Já tínhamos tido uma horta tradicional (natural) e a Madalena ainda comeu sopa com os legumes da horta da Constança, faltava um pormenor: não era 100% biológica.


Mas o bichinho ficou e, sendo nós o exemplo para os nossos filhos, decidimos finalmente, cultivar a nossa própria horta biológica! Tão simples, fresca, aromática, colorida!



Na única varanda despida que tínhamos instalamos estes módulos verticais (made in Portugal) que permitem deslocarmos a horta se assim for necessário e plantar o que bem entendermos desde que não sejam hortícolas de raiz muito profunda. O resultado é fantástico e vejam só a alegria das manas!




Optamos por cultivar aromáticas, hortícolas e um tomateiro num vaso, à parte. Temos camomila, segurelha, hortelã, oregãos, salsa, manjericão, alfazema, morangos, alfaces, rúcula, tomate... Ah e temos bichinhos na terra, pois claro e a Madalena delira!



A educação (que se recebe em casa) determina as atitudes e as posturas dos filhos perante e no Mundo. Uma criança que cresce com valores será inevitavelmente um adulto comprometido em todos os aspectos da vida, inclusive no respeito pelo Planeta.


"Quem ama cuida" e as manas já acarinham tanto este nosso espacinho que cresce a cada dia!

P.S. - Se precisarem de ajuda para comprar os módulos, instalar... existem empresas certificadas que vos podem auxiliar. Nós recorremos à "Ventos do Boqueirão" http://www.ventosdoboqueirao.pt/ e recomendamos!

Fiordes de Ras Musandam

6.5.15
"Uma espécie de oásis entre as montanhas e o mar", é assim que descrevemos Khasab, a capital da região de Ras Musandam, uma península situada no Estreito de Ormuz que separa o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. Um paraíso também conhecido pela "Noruega da Arábia".


E é aqui que a natureza nos recebe e surpreende com os seus Fiordes de Ras Musandam, de montanhas desérticas e águas cristalinas de um tom verde esmeralda que, dependendo da luz solar podem assumir outros tons de verde e até azul e que são um paraíso para os golfinhos e um sem fim de espécies de peixes coloridos.



Saímos cedo do porto de pesca, a bordo de uma embarcação típica e no trilho de uma aventura com direito a companhia portuguesa, chá, fruta, mergulho, snorkeling (apesar da temperatura da água ser fria) e uma birra (durou dois minutos, se tanto e não perturbou a viagem)! Ah pois foi! E a culpa foi de quem? Das bananas, pois claro, de tão saborosas que são. A Madalena rendida ao doce fruto quis repetir e contrariada o resultado está à vista (na foto)...










E Khasab tem dedo português! O porto natural ainda hoje serve de abrigo aos navegadores que fogem dos mares difíceis e, ao contrário de muitas cidades que foram edificadas em terrenos elevados para permitirem a sua defesa, Khasab foi construída para servir de apoio ao fornecimento de tâmaras e água potável para os navios portugueses que navegavam através do estreito. O forte português ainda está de pé e é visitável. 


À tarde, enquanto a "minúsca" descansava com o pai, eu e a "maiúsca" metemos pés ao caminho, para descobrir o outro lado da cidade, debaixo de uns tórridos 40 graus... O passeio durou pouco tempo. O que encontrámos foi uma população empobrecida, ruas sujas e empoeiradas e homens que se recusavam a prestar-nos informações por eu ser mulher. E são estes contrastes que nos ajudam a reposicionar no mundo e a crescer.



Khasab tem uma posição estratégica interessante pela sua proximidade com o Irão e é de lá que chegam ovelhas e cabras ao porto local, sendo depois enviadas para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita através de camiões. Este é ainda um ponto estratégico na rota do contrabando e dos piratas. 

Enquanto aqui estivemos avistamos inúmeros aviões militares que respondiam ao chamado da vizinha Arábia Saudita para auxiliar os sauditas que lideram a coligação árabe contra a tomada do Iémen pelos rebeldes hutis. Foi inevitável sentir um imenso aperto no peito. Abracei a Constança e a Madalena, pedi a Deus que protegesse todos os inocentes, vitimas de tanta barbárie e agradeci a bênção de vivermos em paz, rodeados de amor e longe de conflitos armados (ainda que o pai viva grande parte do tempo num dos três países com maior índice de criminalidade, no mundo).


Como dizia Nelson Mandela, "a esperança é uma arma poderosa e nenhum poder no mundo pode privar-te dela"

Porto Manso sinónimo de Abril com sabor a Verão

29.4.15
Este mês de Abril trouxe-me várias surpresas agradáveis. Trouxe-me, de forma inesperada, os sabores, a temperatura e as cores do Verão. Foram umas mini-férias de Páscoa passadas em família, com as três pulguinhas, no turismo rural de uma pequena aldeia duriense chamada Porto Manso.



Admirável é hoje ver como um episódio isolado pode ser tão banal no quotidiano de uma aldeia, e pode ser, em simultâneo, tão singular aos olhos de quem vem de uma grande cidade. Aconteceu por diversas vezes nestas mini-férias. De Porto-Manso e da Casa da Torre ficou a chegada do Compasso, homens cansados, homens de fé, homens convictos de que, naquele dia de Páscoa, centenas de famílias seriam mais felizes depois da sua chegada e da sua mensagem de Alegria​. Até o Simão ficou feliz por poder levar o sino que ia tocando, desde a avenida principal até à entrada da casa.



Ficou também o sabor das tangerinas – apanhadas por nós directamente da árvore - e das compotas de framboesa, feitas com a fruta biológica da quinta (dos tais sabores que não conseguimos encontrar nas grandes superfícies comerciais das cidades). Ficou o sorriso das pulguinhas mais novas por poderem alimentar os patos da quinta. E os nossos banhos sem limites, numa piscina onde a água se funde com o caudal do rio Douro, dando a sensação de estarmos mesmo a mergulhar lá dentro! O Lourenço nunca tinha visto tantos barcos a passar à sua frente! A subida ao monte do Crasto ficou também, pela beleza do verde e do azul que lá cima se misturam.





Esta aldeia e as suas gentes fizeram-nos de facto sentir bem. Gentes cujas mãos calejadas deixam perceber o esforço físico que o sector primário exige diariamente. Era também graças a muitas dessas mãos que tinha as tangerinas na fruteira, as compotas na mesa e o pão pendurado na porta todas as manhãs. E por isso lhes tenho admiração.





Dificilmente descreveria melhor Porto Manso como, em meados da década de 40 do século XX, o descreveu Alves Redol: “está ali também à vista do Douro e acasalado com laranjeiras e mais árvores de fruto. Escorre de um monte maneiro em cujo cimo marulham pinheiros… A aldeia ao longe é um presépio bonito”.

Turismo Rural Casa da Torre
http://www.torredeportomanso.com/pt/pt.htm

https://www.facebook.com/torredeportomanso?fref=ts Casa da Torre - Turismo Rural

P.S. - Agradecemos à família Franco de Sousa o carinho e a partilha desta viagem tão especial e desejamos a continuação de muitas e maravilhosas descobertas! Bem-hajam!