Fiordes de Ras Musandam

6.5.15
"Uma espécie de oásis entre as montanhas e o mar", é assim que descrevemos Khasab, a capital da região de Ras Musandam, uma península situada no Estreito de Ormuz que separa o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. Um paraíso também conhecido pela "Noruega da Arábia".


E é aqui que a natureza nos recebe e surpreende com os seus Fiordes de Ras Musandam, de montanhas desérticas e águas cristalinas de um tom verde esmeralda que, dependendo da luz solar podem assumir outros tons de verde e até azul e que são um paraíso para os golfinhos e um sem fim de espécies de peixes coloridos.



Saímos cedo do porto de pesca, a bordo de uma embarcação típica e no trilho de uma aventura com direito a companhia portuguesa, chá, fruta, mergulho, snorkeling (apesar da temperatura da água ser fria) e uma birra (durou dois minutos, se tanto e não perturbou a viagem)! Ah pois foi! E a culpa foi de quem? Das bananas, pois claro, de tão saborosas que são. A Madalena rendida ao doce fruto quis repetir e contrariada o resultado está à vista (na foto)...










E Khasab tem dedo português! O porto natural ainda hoje serve de abrigo aos navegadores que fogem dos mares difíceis e, ao contrário de muitas cidades que foram edificadas em terrenos elevados para permitirem a sua defesa, Khasab foi construída para servir de apoio ao fornecimento de tâmaras e água potável para os navios portugueses que navegavam através do estreito. O forte português ainda está de pé e é visitável. 


À tarde, enquanto a "minúsca" descansava com o pai, eu e a "maiúsca" metemos pés ao caminho, para descobrir o outro lado da cidade, debaixo de uns tórridos 40 graus... O passeio durou pouco tempo. O que encontrámos foi uma população empobrecida, ruas sujas e empoeiradas e homens que se recusavam a prestar-nos informações por eu ser mulher. E são estes contrastes que nos ajudam a reposicionar no mundo e a crescer.



Khasab tem uma posição estratégica interessante pela sua proximidade com o Irão e é de lá que chegam ovelhas e cabras ao porto local, sendo depois enviadas para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita através de camiões. Este é ainda um ponto estratégico na rota do contrabando e dos piratas. 

Enquanto aqui estivemos avistamos inúmeros aviões militares que respondiam ao chamado da vizinha Arábia Saudita para auxiliar os sauditas que lideram a coligação árabe contra a tomada do Iémen pelos rebeldes hutis. Foi inevitável sentir um imenso aperto no peito. Abracei a Constança e a Madalena, pedi a Deus que protegesse todos os inocentes, vitimas de tanta barbárie e agradeci a bênção de vivermos em paz, rodeados de amor e longe de conflitos armados (ainda que o pai viva grande parte do tempo num dos três países com maior índice de criminalidade, no mundo).


Como dizia Nelson Mandela, "a esperança é uma arma poderosa e nenhum poder no mundo pode privar-te dela"

Porto Manso sinónimo de Abril com sabor a Verão

29.4.15
Este mês de Abril trouxe-me várias surpresas agradáveis. Trouxe-me, de forma inesperada, os sabores, a temperatura e as cores do Verão. Foram umas mini-férias de Páscoa passadas em família, com as três pulguinhas, no turismo rural de uma pequena aldeia duriense chamada Porto Manso.



Admirável é hoje ver como um episódio isolado pode ser tão banal no quotidiano de uma aldeia, e pode ser, em simultâneo, tão singular aos olhos de quem vem de uma grande cidade. Aconteceu por diversas vezes nestas mini-férias. De Porto-Manso e da Casa da Torre ficou a chegada do Compasso, homens cansados, homens de fé, homens convictos de que, naquele dia de Páscoa, centenas de famílias seriam mais felizes depois da sua chegada e da sua mensagem de Alegria​. Até o Simão ficou feliz por poder levar o sino que ia tocando, desde a avenida principal até à entrada da casa.



Ficou também o sabor das tangerinas – apanhadas por nós directamente da árvore - e das compotas de framboesa, feitas com a fruta biológica da quinta (dos tais sabores que não conseguimos encontrar nas grandes superfícies comerciais das cidades). Ficou o sorriso das pulguinhas mais novas por poderem alimentar os patos da quinta. E os nossos banhos sem limites, numa piscina onde a água se funde com o caudal do rio Douro, dando a sensação de estarmos mesmo a mergulhar lá dentro! O Lourenço nunca tinha visto tantos barcos a passar à sua frente! A subida ao monte do Crasto ficou também, pela beleza do verde e do azul que lá cima se misturam.





Esta aldeia e as suas gentes fizeram-nos de facto sentir bem. Gentes cujas mãos calejadas deixam perceber o esforço físico que o sector primário exige diariamente. Era também graças a muitas dessas mãos que tinha as tangerinas na fruteira, as compotas na mesa e o pão pendurado na porta todas as manhãs. E por isso lhes tenho admiração.





Dificilmente descreveria melhor Porto Manso como, em meados da década de 40 do século XX, o descreveu Alves Redol: “está ali também à vista do Douro e acasalado com laranjeiras e mais árvores de fruto. Escorre de um monte maneiro em cujo cimo marulham pinheiros… A aldeia ao longe é um presépio bonito”.

Turismo Rural Casa da Torre
http://www.torredeportomanso.com/pt/pt.htm

https://www.facebook.com/torredeportomanso?fref=ts Casa da Torre - Turismo Rural

P.S. - Agradecemos à família Franco de Sousa o carinho e a partilha desta viagem tão especial e desejamos a continuação de muitas e maravilhosas descobertas! Bem-hajam!

Eternamente gratos

27.4.15
“Como é que vocês vão para todo o lado e conseguem ver tudo com as miúdas à perna?”… Esta é uma pergunta que ouvimos frequentemente. Então vamos por partes:
- "Para todo o lado" onde? 
- O que é para vocês "ver tudo"?
- O que significa ter “as miúdas à perna”?


Como já vos contamos anteriormente, escolhemos os destinos em família, tendo em consideração os interesses individuais e colectivos, as necessidades de cada um e do grupo. De que adianta estar um “no céu” e três no “inferno”? Adoramos mandar o ego passear! 
Já nos aconteceu um não considerar o destino eleito muito interessante mas confiar, ir, deixar-se surpreender e regressar maravilhado. E é assim aqui em casa, confiança, autenticidade, respeito e entrega! (Ai que isto soou a slogan político, ups)


Não vamos obviamente para todo o lado, nem em todas as épocas do ano! 
Regressamos há pouco tempo do Médio Oriente e não fomos para o deserto. Não íamos sujeitar a pequenita, de 18 meses, à condução vertiginosa nas dunas e as duas a jantares que terminavam muito além da hora a que gostam de descansar. Em contrapartida, fomos presenteados com uma imponente tempestade de areia do deserto, em pleno Dubai e divertimo-nos imenso. Uma experiência única, imprevisível e portanto impossível de planear, já o deserto perdurará nos tempos e não faltarão oportunidades para, em conjunto desfrutarmos do mesmo. 





Mas não somos maluquinhos, calma! Procuramos refúgio nas profundezas do oceano, no Atlantis The Palm, pois claro.




Ainda nesta viagem acabamos por não subir ao Burj Khalifa. O que nos respondem (regra geral) é: “Não posso, estão a gozar??!!”. Pode, sim!! Optamos por não comprar os bilhetes online. Porquê? Isso implicaria estabelecer horários rígidos e perdermos a oportunidade de nos deslumbrarmos com pormenores exóticos, ao compasso das duas. Passamos três vezes no local, em duas havia entradas disponíveis mas as manas estavam cansadas. Na terceira vez estava o dia totalmente esgotado. Faria algum sentido subordiná-las a um capricho nosso, a uma espera de mais de uma hora para subirmos ao mais alto edifício do mundo e “fazer uma foto”, quando nenhuma tem noção de altitude, por exemplo? Não! Estavam cansadas, foram jantar, descansar tranquilamente, sem birras, sem dramas e todos felizes


No terceiro dia lanchámos num dos restaurantes, na base do Burj Khalifa e fizemos o passeio de barco no lago, enquanto assistíamos ao espectáculo das águas dançantes! Foi ouro sobre azul, o dia encerrou, uma vez mais maravilhosamente, mergulhado em riso por causa dos salpicos dos repuxos do lago e até hoje a mais velha fala do assunto com um sorriso de orelha a orelha.

E aquela história (desculpa esfarrapada) de que "só lá vamos uma vez"... Sabemos lá se só vamos uma vez! Além disso, a infância, essa sim, só acontece uma vez e molda o que seremos para sempre!


Países com menos Sol, cujas temperaturas são mais frias optamos por explorar no Verão, caso contrário não usufruiremos nem de 1/3 (a menos que o objectivo seja esquiar mas também só vamos em Fevereiro). Países tropicais sugerimos visitar durante o nosso Outono ou Inverno. 





Quanto a visitar grandes cidades planeamos por fases. Já percorremos duas vezes Paris com a Constança e ainda não exploramos tudo.… Lá voltaremos e agora com a companhia da mana (que ainda não existia nas visitas anteriores). A Constança será a guia, ela ama Paris! E também teremos que regressar a Londres, Roma, Istambul, entre outros.







“Ter as miúdas à perna”… somos fãs!
A Madalena adora sentar-se nas ombreiras das portas e a Constança em bancos e nós acompanhamos. Se soubessem a quantidade e qualidade de coisas fantásticas que já descobrimos neste nosso mundo… uau!! 





A Constança é a nossa grande companheira no planeamento das viagens. Senta-se connosco a ver os mapas, a estudar a história e a cultura daquele povo, a ver fotos na Internet… As nossas viagens começam muito antes de entrarmos no avião!



Adoramos que sejam as nossas guias de viagem. É impossível descrever o que aprendemos, os pormenores que, de outra forma nos passariam despercebidos, as paragens que nos obrigam a ritmar os dias à cadência da respiração, sem pressões, sem esperar nada em troca. É impressionante a competência de ambas, a curiosidade sem limites que demonstram e as leva a explorar o mundo de uma forma tão maravilhosa e a darem-nos a mão para as acompanharmos nessa aventura. 


Para nós, o menos é mais! Vemos menos (do que é turístico) mas muito mais do que é um povo e sobretudo a perspectiva das nossas filhas sobre aquele local, em particular. Guardamos memórias tão doces de todas as viagens. Sinceramente, não há uma em que possamos dizer "correu mal". 



Adoramos que testem os nossos limites, assim como também nós as testamos, isso faz-nos olhar para algo novo e limar arestas. E quando alguma se porta mal, sim elas são como nós e têm dias e horas, nós estamos lá! É óbvio que se o comportamento não é o adequado é porque algo não está bem com ela e não está a conseguir expressar-se de outra forma. Cabe-nos a nós apoiar e mostrar que estamos com elas, em todas as horas, que elas são sempre importantes e não só quando demonstram comportamentos esperados. Passamos a vida a sair da nossa zona de conforto e a grande consequência é que vivemos de verdade, com intensidade!

Ah e sabem uma coisa? Eu, mãe sou uma espécie de pita super mimada!! Sim, amuo e faço birras (adaptadas aos 39 anos) e já cresci tanto desde que elas nasceram!!!


A nossa função é apenas amar, amar, amar e de lhes proporcionarmos ferramentas que as ajudem a aceitar que há coisas que são como são e que elas são as duas suficientemente corajosas e confiantes para fazerem a diferença que querem ver no mundo!


Estamos-vos eternamente gratos, queridas filhas!

P.S. - Só um aparte: isto somos nós, cada qual sabe da sua vidinha ;-)