Na rota de Colombo

25.5.15
Dizem que as história começam pelo principio, convém para que façam sentido mas esta poderia ter tantos princípios que se torna difícil eleger um. Podia começar a falar-vos de uma ilha paradisíaca no Atlântico...


Ou começar por partilhar os poderes curativos da água do mar, com a sua aplicação terapêutica através da Talassoterapia... 


Mas opto começar por um mapa que não sendo nosso também já faz parte das nossas vidas. O mapa de Colombo, Cristóvão Colombo, o navegador que descobriu e apresentou a América ao mundo.


Não é certa a naturalidade do navegador e explorador, poderá ser genovês, espanhol ou português... Aqui em casa, há dias em que também "trocamos" as nacionalidades. Só eu, a mãe é que tenho (por opção) uma única nacionalidade - portuguesa (apesar da ascendência espanhola por parte de bisavós). O pai e as filhas têm dupla nacionalidade. Quis o "acaso" (sempre por motivos profissionais) que o pai e a filha mais nova nascessem pelas Caraíbas, na Venezuela e a filha mais velha, na Pérola do Atlântico - Madeira (que, acreditem "não é" Portugal - pelos melhores motivos). Já eu, nasci em Cascais e no meio de tudo isto já vivemos em todos estes lugares, com realidades tão dispares, culturas tão distintas, experiências tão ricas. O nosso espírito inquieto virá certamente de todas estas saudáveis misturas.

A primeira viagem da Madalena, com seis semanas de gestação foi a Porto Rico e com cerca de três anos, a Constança já tinha viajado, via marítima, até ao Haiti. Entretanto, em Agosto passado estivemos todos em Santo Domingo (República Dominicana), a seguir os últimos passos de Colombo.


Também o navegador rumou pensando que ia encontrar a Índia e descobriu, primeiro, as Caraíbas depois, parte da restante América. Nós, partimos tantas vezes a acreditar que vamos encontrar uma coisa e, quando chegamos é tantas vezes uma surpresa. No fundo, "não importa onde te leva a viagem mas sim o que ela faz de ti". E assim, fomos passar uns dias, em família, ao Porto Santo.


Confesso que a maior parte das vezes que visitei esta ilha fi-lo em trabalho. Sempre que fui em lazer aborreci-me por ser um destino sobretudo de praia, praia, praia (apesar de não ficar, em nada, atrás dos destinos das Caraíbas). Mas, desta vez foi diferente... A Madalena conheceu este paraíso e a Constança relembrou, já que não o visitava há cinco anos, altura em que deixámos de viver na Pérola do Atlântico. 

Fomos (nós e o carro) no ferry (http://www.portosantoline.pt/) que liga a Madeira ao Porto Santo e as manas, que adoram navegar querem repetir a experiência! 

A viagem dura 2h30 e é possível avistar parte da costa madeirense, as ilhas Desertas e alguns ilhéus até chegarmos à ilha do Porto Santo. É uma viagem muito agradável, mesmo com ondulação superior a três metros, como apanhamos. Por acaso, nenhum de nós enjoou mas é um risco que se corre quando se navega e ao qual ninguém está imune. Nós sabíamos, mas arriscamos porque preferimos ser quatro "mareados" a nunca partir. O conselho é irem sentados, no barco, o mais atrás possível e não fixarem pontos. 








Optámos por ficar hospedados no Vila Baleira Hotel Resort (http://www.vilabaleira.com/pt), em regime de tudo incluído. Em cima da praia, rodeado de flores, com quartos amplos, serviço muito qualificado, direccionado para as famílias, com piscinas de água do mar, uma aquecida a 30 graus e com uma condição essencial para esta fase da minha vida (em que as minha coluna está a ser alvo de manipulação osteopática), um Thalasso Spa (aproveitei para fazer os tratamentos com as lamas).   







O Porto Santo brindou-nos com magia, cumplicidade, dias nublados, uma aragem fresca, ventosa e muito divertimento!






E claro, houve tempo para visitar o centro da ilha e a casa onde terá vivido Cristóvão Colombo.













Sabemos que navegar é essencial, que é um regresso à essência, que regenera e vamos prosseguir a nossa viagem, por rotas desconhecidas, outras revisitadas e assim, traçando a nossa... 


Quanto ao Porto Santo, merece e aguarda uma próxima visita. Como dizia John Steinbeck: "não são as pessoas que fazem as viagens mas sim as viagens que fazem as pessoas".



Curiosidades

Areia do Porto Santo
É muito fina e calibrada, com partículas tubulares que permitem uma fantástica aderência à pele. Quimicamente, possuem quantidades de óxido de cálcio e óxido de magnésio e estrôncio acima do normal, quando comparadas com outras areias, elementos extremamente benéficos para a saúde e as propriedades térmicas também são únicas, já que a difusão do calor é alta e a taxa de arrefecimento baixa.

P.S. - As menções tanto ao hotel quanto ao ferry são da nossa autoria, não somos patrocinados. 

Por uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

12.5.15
O Sol tórrido que nos abraçava já pelas dez da manhã, acompanhado dos seus calorosos quarenta graus não conseguiu dissipar o nosso deslumbre perante a imponência e magnitude deste verdadeiro tesouro arqueológico: Éfeso!



Em Éfeso respira-se um misto de beleza e história, viajamos numa cápsula do tempo. Por momentos, pensei ter avistado o Sport Billy (lembram-se desse bonequinho simpático?) e mais à frente a Cleópatra e Marco António que ali passaram a lua de mel - à passagem dos mesmos era derramado vinho no chão e assim terá nascido a passadeira vermelha. 


O ideal é chegar ao local nas primeiras horas da manhã para evitar o intenso calor e uma enchente de turistas e guias que dificultam a circulação. 


Ainda em Portugal, estudamos o local ao pormenor, com a Constança - as crianças ficam abismadas com as histórias e imagens recriadas em 3D desta colossal cidade.

O nosso conselho para esta visita é o de contratarem um guia, é garantia de que conhecerão na integra as profundezas deste património. O uso de protector solar, chapéu de sol ou sombrinha, água para se manterem hidratados, o carrinho para os mais pequenos (com chapéu de Sol) ou uso do sling e calçado confortável são indispensáveis.


A cidade é gigante! Destacam-se como principais pontos históricos o Templo de Artemis (reconstruido, com peças originais no British Museum), a Biblioteca de Celsus, a Avenida de Mármore, o Portão de Augustus, o Teatro e o Portão de Adriano.







Por ter sido uma viagem planeada com alguma antecedência, um mês antes visitámos, em Londres, o British Museum. Foi uma ajuda preciosa para que a Constança tivesse noção completa da história e de quão gigantes eram os monumentos que edificavam Éfeso, uma vez que inúmeras peças originais foram resgatadas para este museu.


Para conhecerem a fantástica cidade de Éfeso podem levar horas, um dia inteiro ou mais, se quiserem. Por isso, aproveitem a sombra da Biblioteca de Celsus para se sentarem e relaxarem um pouco ou a sombra de algumas árvores que por ali repousam, deixarem-se invadir pelo esplendor do local e descansem em família. 


Eu, uma apaixonada por história, arqueologia e livros vivi de forma muito particular a visita, sobretudo à Biblioteca. Experimentem pedir aos mais novos para derramarem água sob o chão de ladrilhos, eles vão delirar com as revelações dos desenhos magníficos. 



Esta visita é também uma excelente oportunidade para uma lição sobre civismo. Ficamos perplexos com a quantidade de visitantes que não respeitam a história e decidem avançar para cima dos vestígios arqueológicos. E ninguém os impediu ou os advertiu... Lamentável. 

À saída desta magnânima cidade existem uma série de lojas de recordações, venda de doces tradicionais, gelados... A que gostámos particularmente, é uma livraria que disponibiliza obras muito interessantes, não só acerca de Éfeso como acerca de outras maravilhas históricas. 


História

Éfeso foi uma das mais importantes cidades da Grécia antiga, localizada na costa Oeste da Anatólia, actual Turquia (Ásia Menor). Esta foi, no período romano, a segunda maior cidade do império, depois de Roma. Nessa época (séc. I) era considerada a segunda maior cidade no mundo. Hoje é o maior local arqueológico na Turquia e ainda não está toda a descoberto, as escavações arqueológicas prosseguem em redor.


Na antiguidade, Éfeso ficou imortalizada pelo Templo de Artemis (deusa Diana para os romanos), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo (550 AC) e pelo seu teatro, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 a 500 mil habitantes. Na Era Cristã, a cidade foi uma das sete da Ásia citadas no Livro das Revelações (Apocalipse segundo São João). Conta-se que aqui foi escrito o Evangelho segundo São João e a Primeira Carta aos Coríntios já que São Paulo também ali viveu, trabalhando numa congregação local. Aqui jaz ainda, um grande cemitério de gladiadores.

"Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje." - Heráclito (filósofo pré- socrático, considerado o pai da dialéctica e natural de Éfeso)

Como chegar

Avião
Há diversas companhias que operam directamente de Istambul para Izmir. Cada viagem pode custar cerca de €70.  

Navio
Izmir é um dos portos eleitos por muitos cruzeiros que cruzam o Mediterrâneo e o Mar Egeu. Os passeios até Éfeso podem ser contratados nos próprios navios.

Carro
Éfeso está situado a aproximadamente 45 minutos de carro, de Izmir. Os passeios de meio dia até as ruínas podem ser contratados nos hotéis da cidade e custam, em média, 45 euros por pessoa - incluem a visita à Casa da Virgem Maria (podem acompanhar aqui a nossa visita).



Milhas por um Planeta melhor

9.5.15
Sabemos que a maior de todas as viagens ocorre dentro de nós, assim sendo, hoje partilhamos uma aventura sem sair de casa. Milhas no caminho do desenvolvimento sustentável e ecológico. Já há algum tempo que os produtos biológicos fazem parte das nossas vidas ainda assim, sabia a pouco, queríamos ir mais além e educar as nossas filhas numa perspectiva mais ampla, no plano da consciência mas não só. 


Não gostamos de seguir modas mas de criar e entrámos no mundo dos biológicos depois de lermos vários estudos a respeito. Ficamos felizes por saber que os biológicos são a demonstração de que é possível cultivar alimentos sem a intervenção de químicos e que fogem à lógica da grande indústria agro-alimentar que inunda o mercado. E atenção aos rótulos, verifiquem sempre se estão a adquirir produtos autenticados como biológicos, que não usam nem pesticidas nem fertilizantes e que não estão contaminados.

Já tínhamos tido uma horta tradicional (natural) e a Madalena ainda comeu sopa com os legumes da horta da Constança, faltava um pormenor: não era 100% biológica.


Mas o bichinho ficou e, sendo nós o exemplo para os nossos filhos, decidimos finalmente, cultivar a nossa própria horta biológica! Tão simples, fresca, aromática, colorida!



Na única varanda despida que tínhamos instalamos estes módulos verticais (made in Portugal) que permitem deslocarmos a horta se assim for necessário e plantar o que bem entendermos desde que não sejam hortícolas de raiz muito profunda. O resultado é fantástico e vejam só a alegria das manas!




Optamos por cultivar aromáticas, hortícolas e um tomateiro num vaso, à parte. Temos camomila, segurelha, hortelã, oregãos, salsa, manjericão, alfazema, morangos, alfaces, rúcula, tomate... Ah e temos bichinhos na terra, pois claro e a Madalena delira!



A educação (que se recebe em casa) determina as atitudes e as posturas dos filhos perante e no Mundo. Uma criança que cresce com valores será inevitavelmente um adulto comprometido em todos os aspectos da vida, inclusive no respeito pelo Planeta.


"Quem ama cuida" e as manas já acarinham tanto este nosso espacinho que cresce a cada dia!

P.S. - Se precisarem de ajuda para comprar os módulos, instalar... existem empresas certificadas que vos podem auxiliar. Nós recorremos à "Ventos do Boqueirão" http://www.ventosdoboqueirao.pt/ e recomendamos!

Fiordes de Ras Musandam

6.5.15
"Uma espécie de oásis entre as montanhas e o mar", é assim que descrevemos Khasab, a capital da região de Ras Musandam, uma península situada no Estreito de Ormuz que separa o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. Um paraíso também conhecido pela "Noruega da Arábia".


E é aqui que a natureza nos recebe e surpreende com os seus Fiordes de Ras Musandam, de montanhas desérticas e águas cristalinas de um tom verde esmeralda que, dependendo da luz solar podem assumir outros tons de verde e até azul e que são um paraíso para os golfinhos e um sem fim de espécies de peixes coloridos.



Saímos cedo do porto de pesca, a bordo de uma embarcação típica e no trilho de uma aventura com direito a companhia portuguesa, chá, fruta, mergulho, snorkeling (apesar da temperatura da água ser fria) e uma birra (durou dois minutos, se tanto e não perturbou a viagem)! Ah pois foi! E a culpa foi de quem? Das bananas, pois claro, de tão saborosas que são. A Madalena rendida ao doce fruto quis repetir e contrariada o resultado está à vista (na foto)...










E Khasab tem dedo português! O porto natural ainda hoje serve de abrigo aos navegadores que fogem dos mares difíceis e, ao contrário de muitas cidades que foram edificadas em terrenos elevados para permitirem a sua defesa, Khasab foi construída para servir de apoio ao fornecimento de tâmaras e água potável para os navios portugueses que navegavam através do estreito. O forte português ainda está de pé e é visitável. 


À tarde, enquanto a "minúsca" descansava com o pai, eu e a "maiúsca" metemos pés ao caminho, para descobrir o outro lado da cidade, debaixo de uns tórridos 40 graus... O passeio durou pouco tempo. O que encontrámos foi uma população empobrecida, ruas sujas e empoeiradas e homens que se recusavam a prestar-nos informações por eu ser mulher. E são estes contrastes que nos ajudam a reposicionar no mundo e a crescer.



Khasab tem uma posição estratégica interessante pela sua proximidade com o Irão e é de lá que chegam ovelhas e cabras ao porto local, sendo depois enviadas para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita através de camiões. Este é ainda um ponto estratégico na rota do contrabando e dos piratas. 

Enquanto aqui estivemos avistamos inúmeros aviões militares que respondiam ao chamado da vizinha Arábia Saudita para auxiliar os sauditas que lideram a coligação árabe contra a tomada do Iémen pelos rebeldes hutis. Foi inevitável sentir um imenso aperto no peito. Abracei a Constança e a Madalena, pedi a Deus que protegesse todos os inocentes, vitimas de tanta barbárie e agradeci a bênção de vivermos em paz, rodeados de amor e longe de conflitos armados (ainda que o pai viva grande parte do tempo num dos três países com maior índice de criminalidade, no mundo).


Como dizia Nelson Mandela, "a esperança é uma arma poderosa e nenhum poder no mundo pode privar-te dela"