Quando menos é mais

1.6.15

Desde há algum tempo (mais precisamente desde que passamos pela experiência de viver na Venezuela, mas é tema para outro post) que temos vindo a modificar os nossos hábitos de consumo e consequentemente adquirimos uma consciência a uma escala gigantesca. O mundo é composto de mudança e ainda bem. Assim, mudamos - e quando um muda o mundo muda também. Proporcionamos às nossas filhas exemplos que acreditamos serem os grandes alicerces para a sua formação e felicidade. 

Começamos por "destralhar" a casa, doar o que tínhamos em excesso (e ganhar consciência de que se gasta dinheiro só porque é giro ter isto ou aquilo que achamos que um dia nos pode ser útil e até está na moda e afinal, acabamos por nem usar e com isto lembro-me logo da Bimby). 
Tornamos o nosso lar ainda mais acolhedor, reduzindo-o ao essencial (uma tarefa ainda em curso). Passamos a coleccionar momentos em vez de coisas. 

Mudamos os hábitos alimentares (não, não deixei de comer chocolate negro), plantamos, há 22 dias a nossa horta, 100% biológica e já colhemos vegetais e aromáticas. 

Viajamos com data de ida e de regresso mas sem grandes planos e deixamo-nos surpreender pelo que a viagem tem realmente para nos oferecer. Optamos por hotéis próximos do que nos interessa e ganhamos tempo com qualidade. Demoramo-nos à mesa e degustamos melhor as culinárias locais, apreendemos as gentes, aprendemos palavras noutros idiomas (às vezes bem estranhos). Perdemo-nos em vilas e cidades para não seguirmos o curso dos turistas e é fantástico!

Ordenamos prioridades, compromissos, simplificamos!
Passamos a viver mais devagar e assim, a desfrutar do que é realmente importante, com a intensidade que merece.
Já não sabemos viver longe da natureza, precisamos de sentir o mar e a terra, no corpo e na alma. 


Hoje, somos uma família a viver com qualidade de vida (apesar do pai trabalhar fora, numa cidade caótica mas rodeada de montanhas e verde, onde os papagaios voam livremente), somos, também nós mais livres, vivemos com bom senso e equilíbrio, graças a termos colocado de parte o acessório (cada vez mais) e aprofundado o essencial. 


As fotos que se seguem são disso exemplo. As manas dispensam brinquedos caros para se divertirem e serem super felizes. Precisam apenas de estar juntas, envoltas em amor, em harmonia com a natureza. 

E esta forma de estar na vida levou-nos a programar umas férias de fim de verão tão diferentes das habituais... mas esse, será tema para um próximo post. 












Como diz Mario Rigoni Stern: "seria suficiente um passeio na natureza, parando por um momento para ouvir, despir-se do supérfluo, para entender que não se necessita de muito para viver bem".

Dia da criança com o Papa Francisco, no Vaticano

1.6.15
Era o primeiro "Dia da Criança" da Madalena e o sétimo da Constança. Não celebramos particularmente esta data. Aqui, todos os dias são dias da criança e também não trocamos presentes materiais (a menos que precisem de algo, em particular). Assim, decidimos passar o dia 01 de Junho de 2014 no Vaticano.

As crianças são mestres como Jesus, são os seres mais puros, sábios, e perfeitos que Deus colocou na Terra!

Na família, todos nutrimos um carinho especial pelo Santo Padre. O Ernesto e eu, somos da "geração jovem" de São João Paulo II, tive a honra de o ver, frente-a-frente e assim receber a sua bênção, numa das suas visitas a Portugal. Agora, o Papa Francisco marca a infância das nossas filhas e a nossa vida de pais, jovens adultos. 


A Constança, a criança mais doce que conhecemos (e não o digo por ser nossa filha ou por ser uma criança 'diferente' - que afinal são todas -  ela é mesmo assim) tem uma religiosidade muito própria, que revelou desde muito cedo e já nos tinha comentado que gostava imenso de ver, ao vivo, o Papa Francisco. Sentimos então, que tinha chegado o momento e fomos. De Veneza para Roma e Vaticano.


Ficamos hospedados na cidade do Vaticano e chegamos cedo à Praça de São Pedro. Visitamos a esplendorosa basílica onde assistimos à Eucaristia.






À saída, a Praça, que há duas horas estava vazia, transbordava agora de milhares de pessoas que faziam antever um grande momento no Vaticano! Crentes e não crentes, todos aguardávamos, ansiosos e felizes a chegada do Santo Padre, para o Angelus. A presença deste homem, mesmo que à distância marca até o mais descrente. Nunca conseguirei descrever o que senti, mas o brilho nos olhos da Constança, esse, por mais anos que eu viva, jamais se apagará da memória.


Mas soube a pouco, a mana mais crescida queria mais. Pediu-me para ver, de perto, o Papa Francisco. Respondi-lhe imediatamente que sim, iríamos vê-lo, ainda nesse dia. O pai segredou-me: "Rita, não prometas o que não depende de ti". Respondi-lhe: "não depende de mim, mas Ela vai interceder". Naquele momento, eu, mãe, pedi a Maria que me ajudasse também nessa missão e fomos, tranquilamente, passear por Roma.

“As mães são o antídoto mais forte contra a difusão do individualismo egoísta. "Indivíduo" quer dizer que não pode ser dividido. As mães, pelo contrário, dividem-se, a partir do momento em que acolhem um filho para o dar ao mundo e fazê-lo crescer"
Papa Francisco



De repente, ao lanche, vejo na televisão da pastelaria que o Papa está num encontro que deverá terminar por volta das 17 horas.

Ouço ainda as suas palavras: “A verdadeira alegria vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos experimentam no seu coração e que nos faz sentir a beleza de estar juntos, de apoiar-se mutuamente no caminho da vida".

E faz-se luz! Roma estava vista por esse dia e tínhamos que regressar ao Vaticano, mais precisamente para a Casa de Santa Marta. Pelo caminho ainda houve tempo para perguntar a um funcionário, de um restaurante próximo da Casa, qual o percurso que o Papa fazia habitualmente para regressar à sua residência oficial.


Tudo conferido, posicionámo-nos, era altura de esperar. Cinco minutos depois, gritávamos: "Papa Francesco!!! Papa Francesco!!!".

Estávamos perante o aceno, a um metro do Papa Francisco! Um homem simples, de vestes negras, olhar dócil e gentil, que se apresentava num carro humilde, sem blindagem, sem vidros fumados. As lágrimas rolaram-me cara abaixo, as da Constança também, e o Ernesto controlou-se mas não escondeu a emoção e a felicidade, a Madalena sorria como nunca tínhamos visto antes, parecia que tinha sido tocada por uma luz especial (acredito que foi).

Missão cumprida, família mega feliz! Foi um momento sem direito a foto, pela intensidade e espécie de relâmpago em que aconteceu, ainda assim, o suficiente para ficar guardado, nos nossos corações pela eternidade. Acreditamos que voltaremos a ter uma outra oportunidade e essa sim, prolongada.

E falta-me partilhar um segredo que só me foi revelado também nesta viagem. A primeira vez que fomos a Roma, ainda namorávamos, quando estivemos na Fontana de Trevi, o Ernesto (perante o meu olhar incrédulo) lançou uma moeda para a fonte e pediu um desejo. Na altura, perguntou-me se eu não queria fazer o mesmo. Incrédula com a pergunta e a atitude, respondi: "Eu? Alguma vez? Essas tradições são do mais parolo que existe!" (isso Rita, cospe para o ar!). Conclusão, o desejo que pediu foi: regressar novamente a Roma, comigo, mas já casados e com descendência.
Mais um desejo que se cumpriu.


Também não me disse qual foi o que pediu desta vez, tenho apenas uma leve desconfiança mas só quero saber quando se realizar. Sim, tenho a certeza de que se concretizará, à semelhança do anterior porque tudo o que pedimos com fé e amor, se cumpre.

“As crianças recordam-nos outra coisa bela; recordam-nos que somos sempre filhos. Mesmo se nos convertemos em adultos ou idosos, mesmo se nos convertemos em pais, se ocupamos um lugar de responsabilidade, por baixo de tudo isso permanece a identidade de filho. Todos somos filhos. E isso reconduz-nos sempre ao facto de que a vida não fomos nós que a demos a nós próprios, mas que a recebemos." 
Papa Francisco

Para saberem qual a agenda do Papa Francisco, onde e quando o poderão encontrar, basta clicarem no site do Vaticano.

Na rota de Colombo

25.5.15
Dizem que as história começam pelo principio, convém para que façam sentido mas esta poderia ter tantos princípios que se torna difícil eleger um. Podia começar a falar-vos de uma ilha paradisíaca no Atlântico...


Ou começar por partilhar os poderes curativos da água do mar, com a sua aplicação terapêutica através da Talassoterapia... 


Mas opto começar por um mapa que não sendo nosso também já faz parte das nossas vidas. O mapa de Colombo, Cristóvão Colombo, o navegador que descobriu e apresentou a América ao mundo.


Não é certa a naturalidade do navegador e explorador, poderá ser genovês, espanhol ou português... Aqui em casa, há dias em que também "trocamos" as nacionalidades. Só eu, a mãe é que tenho (por opção) uma única nacionalidade - portuguesa (apesar da ascendência espanhola por parte de bisavós). O pai e as filhas têm dupla nacionalidade. Quis o "acaso" (sempre por motivos profissionais) que o pai e a filha mais nova nascessem pelas Caraíbas, na Venezuela e a filha mais velha, na Pérola do Atlântico - Madeira (que, acreditem "não é" Portugal - pelos melhores motivos). Já eu, nasci em Cascais e no meio de tudo isto já vivemos em todos estes lugares, com realidades tão dispares, culturas tão distintas, experiências tão ricas. O nosso espírito inquieto virá certamente de todas estas saudáveis misturas.

A primeira viagem da Madalena, com seis semanas de gestação foi a Porto Rico e com cerca de três anos, a Constança já tinha viajado, via marítima, até ao Haiti. Entretanto, em Agosto passado estivemos todos em Santo Domingo (República Dominicana), a seguir os últimos passos de Colombo.


Também o navegador rumou pensando que ia encontrar a Índia e descobriu, primeiro, as Caraíbas depois, parte da restante América. Nós, partimos tantas vezes a acreditar que vamos encontrar uma coisa e, quando chegamos é tantas vezes uma surpresa. No fundo, "não importa onde te leva a viagem mas sim o que ela faz de ti". E assim, fomos passar uns dias, em família, ao Porto Santo.


Confesso que a maior parte das vezes que visitei esta ilha fi-lo em trabalho. Sempre que fui em lazer aborreci-me por ser um destino sobretudo de praia, praia, praia (apesar de não ficar, em nada, atrás dos destinos das Caraíbas). Mas, desta vez foi diferente... A Madalena conheceu este paraíso e a Constança relembrou, já que não o visitava há cinco anos, altura em que deixámos de viver na Pérola do Atlântico. 

Fomos (nós e o carro) no ferry (http://www.portosantoline.pt/) que liga a Madeira ao Porto Santo e as manas, que adoram navegar querem repetir a experiência! 

A viagem dura 2h30 e é possível avistar parte da costa madeirense, as ilhas Desertas e alguns ilhéus até chegarmos à ilha do Porto Santo. É uma viagem muito agradável, mesmo com ondulação superior a três metros, como apanhamos. Por acaso, nenhum de nós enjoou mas é um risco que se corre quando se navega e ao qual ninguém está imune. Nós sabíamos, mas arriscamos porque preferimos ser quatro "mareados" a nunca partir. O conselho é irem sentados, no barco, o mais atrás possível e não fixarem pontos. 








Optámos por ficar hospedados no Vila Baleira Hotel Resort (http://www.vilabaleira.com/pt), em regime de tudo incluído. Em cima da praia, rodeado de flores, com quartos amplos, serviço muito qualificado, direccionado para as famílias, com piscinas de água do mar, uma aquecida a 30 graus e com uma condição essencial para esta fase da minha vida (em que as minha coluna está a ser alvo de manipulação osteopática), um Thalasso Spa (aproveitei para fazer os tratamentos com as lamas).   







O Porto Santo brindou-nos com magia, cumplicidade, dias nublados, uma aragem fresca, ventosa e muito divertimento!






E claro, houve tempo para visitar o centro da ilha e a casa onde terá vivido Cristóvão Colombo.













Sabemos que navegar é essencial, que é um regresso à essência, que regenera e vamos prosseguir a nossa viagem, por rotas desconhecidas, outras revisitadas e assim, traçando a nossa... 


Quanto ao Porto Santo, merece e aguarda uma próxima visita. Como dizia John Steinbeck: "não são as pessoas que fazem as viagens mas sim as viagens que fazem as pessoas".



Curiosidades

Areia do Porto Santo
É muito fina e calibrada, com partículas tubulares que permitem uma fantástica aderência à pele. Quimicamente, possuem quantidades de óxido de cálcio e óxido de magnésio e estrôncio acima do normal, quando comparadas com outras areias, elementos extremamente benéficos para a saúde e as propriedades térmicas também são únicas, já que a difusão do calor é alta e a taxa de arrefecimento baixa.

P.S. - As menções tanto ao hotel quanto ao ferry são da nossa autoria, não somos patrocinados.