Suiça I: Dicas, curiosidades e o nosso roteiro

16.8.15
A Suíça, situada na Europa Central, é um país pequeno, onde tudo é próximo, é civilizado, recheado de encantos e recantos mil. Não é por acaso que é considerado um dos mais bonitos da Europa. Pela proximidade geográfica com França, Itália, Alemanha, Liechtenstein e Áustria, é "impossível" visitar a Suíça sem dar um salto a algum dos países envolventes. E vale mesmo a pena! Há alturas em que já não sabemos em que país estamos, temos um pé na Suíça e outro em França, por exemplo. Explicar isto às crianças não é tão linear, mas é trabalho de casa, antes de embarcarem para o destino e é um bom desafio. 

Partilhamos agora este nosso roteiro, de oito dias, sem grandes pormenores acerca de cada paragem, já que é assunto para posts individuais. 

Optamos por fazer LisboaGenebra - era um sonho de miúda, desta mãe, visitar o CERN!


A primeira dúvida surgiu na eleição do meio de transporte a utilizar: Carro ou comboio


A Suíça tem excelentes redes ferroviárias e viárias (não encontramos uma única portagem). Os comboios são maravilhosos (a compra do Swiss Pass é uma excelente opção uma vez que oferece viagens e descontos também em autocarros, trams, barcos, museus...), desde os mais tradicionais aos mais modernos e envidraçados. Além disso, são pontuais "como um relógio suíço", pois claro e atravessam montanhas e vales, ladeados de lagos cristalinos e aldeias irresistíveis. 


Com as manas e as malas, pareceu-nos mais tranquilo alugarmos o carro e dessa forma não estarmos sujeitos à rigidez dos horários. Alugamos a viatura na Avis (para termos desconto e acumularmos milhas como passageiros frequentes do Victoria Miles).


Uma dica importante: O Aeroporto Internacional Cointrin tem uma parte na Suíça e outra em França (nós não dissemos que estamos com um pé em cada país?!) e o aluguer do lado francês é francamente mais económico, compensa!


Para conhecermos Genebra ficamos alojados em Ferney - Voltaire. Próximo do aeroporto de Genebra, a terra que acolheu o filósofo e escritor Voltaire e onde este viveu os últimos anos da sua vida, revela-se uma povoação simpática, pequena e muitíssimo mais em conta do que a vizinha e cosmopolita Genebra. Aliás, muitos suíços vão a Ferney - Voltaire abastecer os carros e as dispensas. Daí ao CERN são 10 minutos e 20 até Genebra. 


Depois de percorrermos estes dois pontos, rumamos a Annecy. Como referimos num post anterior, vale a pena ficar, pelo menos dois dias. 


A somar aos lugares de contos de fadas, seguimos para Yvoire mas não pernoitamos, fomos directo para a região vinícola suíça - Lavaux.
Um destino para se instalar, no mínimo mais duas noites e assim percorrer as vinhas, apreciar a gastronomia, conhecer (nas proximidades, em Broc) a fábrica de chocolates Cailler e relaxar no lago. Daqui a Lausanne são 15 minutos e é visita "obrigatória". Rumo a Gruyères visitamos Montreux - a Riviera Suíça. 


E eis que, a caminho de Berna (a capital) surgem as mais encantadoras montanhas - Interlaken. Daqui a Jungrau são 30 minutos de sucessivas paisagens de tirar o fôlego. Em Jungfrau subimos ao topo do topo - Piz Gloria - Schilthorn (cenário do filme "007 - Ao serviço de Sua Majestade").


E depois Berna, oh cidade de encantos tamanhos! Não foi à toa que Einstein aqui viveu os anos mais felizes da sua vida.


Outras dicas e curiosidades:

Moeda: A moeda é o franco suíço ainda assim, a maioria dos estabelecimentos e hotéis apresentam os valores a pagar tanto em francos suíços quanto em euros, mas atenção porque vão ver o mesmo valor nas duas moedas. Faça o câmbio e veja qual mais lhe convém.

Língua oficial: Alemão, francês, italiano e romanche.
Cada cantão tem a sua alma. A Suíça francesa gosta de bons vinhos e queijos, a italiana de gelatarias, igrejas maravilhosas e a alemã de organização de topo.

Mobility Card: Oferecido na maior parte dos hotéis, permite-lhe deslocar-se em muitas cidades, de forma gratuita. 

Aluguer de automóvel no Aeroporto Internacional Cointrin: Na parte suíça: Alamo, Avis, Budget, Europcar, Hertz, Holiday Auto e National. Na parte francesa: Avis, Europcar, Hertz e National.

Refeições: Os suíços jantam cedo! Às 20h já é tarefa hercúlea encontrar algum restaurante operacional. 
Sopa? Não é um hábito suíço, se viaja com crianças tenha isso em consideração.

Água: Em todas as cidades existem fontes de água fresca pura, por isso, aproveite a sua garrafa de água e encha-se sempre que precisar.

Parques: Existem parques e jardins em cada esquina e totalmente apetrechados para as brincadeiras, em família. Há imensos e fantásticos jardins sensoriais que fazem as delicias de qualquer criança e todos preparados para quem tem mobilidade reduzida.

Chocolates: A Suíça é o paraíso do chocolate, já se sabe, mas pode comprar em supermercados (a preços bem mais acessíveis) praticamente os mesmos que compra nas lojas das marcas.
No Coop, encontra a maior variedade de marcas com destaque para: Nestlé, Lindt, Cailler, Camille Bloch, Villars, Toblerone, Minor, Suchards. Também no Denner (grupo Migros) encontra excelentes marcas, incluindo as próprias e muitas promoções.

Cultura: O cruzamento de diferentes tradições e culturas, tornou a Suíça cosmopolita, caracterizada por uma criatividade cultural de grande diversidade. Museus, arquitectura, arte, design, moda, cinema, literatura, teatro, música… Um verdadeiro paraíso acessível a todos!

Descalce-se: Se entrar numa casa suíça, mesmo sendo convidado, tire os sapatos. Os suíços têm esse hábito (nós por acaso também e não nos surpreendeu). Na entrada encontrarão um pequeno armário onde colocarão os sapatos.

Despesas: É um país caro! Ainda assim, não será motivo para não fazer as malas e partir à descoberta. Já diz o ditado "quem não tem cão caça com gato", se não pode comer num restaurante pode sempre comprar uma excelente e completa refeição, por exemplo, no Migros e comer, confortavelmente dentro do estabelecimento (no espaço buffet) ou pode optar por levar e sentar-se numa praça, a sentir o movimento de uma cidade. O Migros oferece mais de 80 possibilidades de refeições, sobremesas e petiscos a preços pouco mais elevados que os praticados em Portugal.

"Tugas": Não domina nenhum dos idiomas que se ouvem na Suíça? Não é problema! Este é um país de emigração tradicional portuguesa. Onde há um português, há sempre dois ou tês!! Encontramos portugueses em todos os estabelecimentos e hotéis por onde passamos. São todos prestáveis e ávidos por falar a língua de Camões. Pode ter a certeza de que, com muito carinho partilharão as melhores dicas e como lidar com algum imprevisto. 



Annecy

13.8.15
Rousseau apaixonou-se por ela, Paul Cézanne não ficou atrás e inspirado pela luz que banha o local e que se reflecte na água que varia entre o azul turquesa e o verde esmeralda, imortalizou o lago com o seu óleo em tela: "Le Lac bleu". Bem-vindos a Annecy!




No coração das montanhas da Sabóia, esta arrebatadora cidade (que data de 1219) é considerada a “Veneza dos Alpes” (o que nos parece mais do que justo), encerra tesouros em cada esquina, percorre-se a pé e dispensa mapa. 









Annecy foi refúgio de sacerdotes católicos expulsos de Genebra pelos calvinistas e terra dominada por nobres da dinastia Savoia. Francisco de Sales (patrono dos Salesianos) também aqui lutou e viveu. 





Aos pés do Alpes, a “Velha Annecy” é recortada por pequenos canais, ruas estreitas, gentes acolhedoras e pontes com códigos secretos. Aqui, respira-se cultura e tradição e há lojas, lojinhas e feiras de rua para todos os gostos. Doces e outras iguarias gastronómicas são tentações tão sedutoras quanto a cidade, em si. No alto, um castelo de conto de fadas.












Pela proximidade com Itália, existem também numerosos restaurantes, gelatarias e padarias com cunho italiano e de infinita qualidade, além das tradicionais e irresistíveis creparias. Este é um roteiro de distintos restaurantes estrelados do Guia Michelin.


O lago, esse, forma-se na fonte dos grandes glaciares alpinos, desde há 18 mil anos e orgulha-se de ter as águas mais puras da Europa e das mais puras do mundo. O seu fundo tem conchas e as suas margens são sinónimo de vitalidade e arte de viver. Praias, jardins, hortas, parques, ciclovias, o clube náutico, pretextos perfeitos para relaxar à beira lago. E não, a água não é gelada, ela atinge uma temperatura média de 24 graus, no Verão. Nós não dispensamos! 











Apesar da sua proximidade a Genebra (35 minutos), esta não é apenas uma cidade de passagem. Vale a pena reservar, pelo menos dois dias para a desvendar e relaxar. Há bons hotéis de charme no centro ou, se preferir, na zona montanhosa existem chalets´ que fazem o encanto da pequenada (em qualquer das duas opções convém reservar com antecedência). O local convida ao romance e ao convívio, em família. Arrisca?

Yvoire

6.8.15
Um lago cristalino, uma aldeia com 709 anos de história, acolhida por muralhas medievais, janelas e ruas floridas, recantos charmosos e crepes, chocolates... Onde? Em França, encostadinha à Suiça: Yvoire, uma das vilas mais bonitas do mundo (dizem os entendidos). Do que já vimos até hoje, sim, confere e a expressão da mana "maiusca", assim que entramos as muralhas: "ahhh, tão lindo!!", não deixa margem para dúvidas.




Este burgo medieval francês recebeu, em 2009, o título de "A Aldeia Mais Florida da Europa" e só podia, mesmo!






A romântica Yvoire situa-se precisamente onde o lago de Genebra (Lac Léman) é dividido em dois - o grande e o pequeno. Durante anos foi vila de pescadores, no século XIV, o Conde Amadeu V mandou que ali se construísse um castelo, para controlar a zona e no século XVI estava já sob a alçada dos Senhores de Berna (os Bernese). Hoje, faz as delicias de quem se atreve a cruzar as duas margens.



Se é verdade que em duas horas a vila está vista, não o é menos que vale a pena permanecer mais tempo e deixar-se invadir por deliciosa sedução (em todos os sentidos). 





Para chegar à vila, que só se visita a pé, existem barcos que partem de Nyon e de Genebra e chegam à marina de Yvoire (http://www.cgn.ch/fr-ch/idees-loisirs/productlist.aspx) ou, como nós fizemos, pode ir-se de carro (situa-se a 25 km de Genebra), há três estacionamentos nas imediações. Outras duas opções são o comboio (http://www.sbb.ch/home.html) e o autocarro (http://www.geneva.info/gare-routiere-departures-timetable/).  






Entre restaurantes, lojas de artesanato, casas peculiares vai encontrar uma igreja encantadora, recheada de uma paz hospitaleira e o Jardim dos Sentidos, uma horta do castelo, onde o visitante se perde e encontra num labirinto de cores, aromas, sons e texturas: http://www.jardin5sens.net




E a visita não podia terminar sem o casamento da praxe. É que é raro o destino que visitemos e onde não tropecemos num maravilhoso enlace, seja Verão ou Inverno. Desejamos muita felicidade aos noivos, que as suas vidas sejam sempre floridas, que gerem frutos, que sejam regadas com muito amor, carinho e cumplicidade diários, que seja um caminho, lado-a-lado, arejado e romântico como a pacata vila que o tempo esqueceu e onde foram abençoados. 


Link de Yvoire: