Lavaux - Suíça

31.8.15
Entre as vinhas e o lago Léman existe um lugar frutado – Lavaux.
Considerada património cultural da Unesco desde 2007, na categoria “Paisagens Naturais”, Lavaux, com os seus 900 hectares de vinha, é uma das maiores regiões vinícolas da Suíça. Rodeada de terrenos íngremes, murados, com videiras, aqui a vista nunca é igual.


Do outro lado, o aceno das montanhas francesas. E no meio de tudo isto, vinho (as castas de uvas aqui cultivadas são: Chasselas, Gamay e Pinot Noir) e gastronomia ímpar, com os filetes de perche, um peixe pequeno, carnudo, característico do lago Léman, a serem os reis da festa.




Hospedamo-nos em Cully, nas margens do Lago, com esta vista soberba e relaxante que as manas  e nós, tanto desfrutamos. 




Os locais asseguram que Lavaux produz vinho desde a ocupação romana, mas os terraços existentes foram construídos, por monges, ao longo do século XI. Lavaux é bafejada por um clima temperado, com sol abundante. Os vinhedos são protegidos pelas montanhas e refrescados pelos ventos que sopram do Lago Léman, vindos dos Alpes franceses e do Mont Blanc.


A região visita-se facilmente de bicicleta e a pé, através de trilhos assinalados e desenhados no meio das vinhas e a degustação de vinhos é um dos pontos altos da visita.


Daqui a Lausanne são 15 minutos e até Montreux são 25. Chega-se facilmente de comboio, carro e barco. 


Partilhamos o link do Swiss Pass, o passe que permite uma das melhores e mais deslumbrantes formas de viajar e conhecer a charmosa Suíça.

À semelhança de outras localidades suíças, Cully acolhe um sem número de portugueses, sempre afáveis e disponíveis para prestar aquela "informação" preciosa, que não vem em nenhum mapa ou roteiro turístico. 

Les Grottes - Genebra

27.8.15
Numa cidade cosmopolita como Genebra, famosa pelo seu núcleo financeiro, por ser o centro mundial da diplomacia existe um bairro multicolor e diferente: Les Grottes, mais conhecido pelo Bairro dos Estrunfes. 



Situado atrás da Estação Central, este é um marco da arquitectura moderna a fazer lembrar Gaudí e Barcelona. O complexo foi projetado por três arquitectos que pretendiam dar outra cor e estilo à “Cidade da Paz”. De convencionais, os edifícios não têm nada. É admirável a abundância de pormenores, relevos trabalhados em ferro forjado, pedra. Motivos da natureza que dão vida a este cantinho de Genébra. 




O bairro que já foi refúgio de boémios e artistas, abrigou ainda uma comunidade de hippies, tem um teatro, escola, hospital. Hoje é mais um símbolo de Genebra, a conhecer! 

Só mais uma curiosidade… Enquanto por aqui passeávamos, eis que algo azul e branco, numa janela nos acenou. Mas não era um estrunfe, era mais português. Vejam e concluam…



Maison Cailler - Suiça

26.8.15
A chuva convida ao conforto de um cantinho quente e, de repente, sem pedir licença, um aroma doce e colorido invade-nos irresistivelmente todos os sentidos. Estamos na entrada da doce fábrica de chocolate suíço: Maison Cailler.


Aguardamos a nossa vez, para mergulharmos na história do chocolate e vamo-nos deliciando no imenso mundo de sabores e experiências, na loja Cailler. São dezenas e dezenas de variedades de chocolates, dispostos a satisfazer desde o mais singelo apreciador desta iguaria, às gulas mais exigentes e extravagantes. 


Workshops e mini-cursos, sobre como fazer chocolates e tudo o que com ele se relaciona, podem ser reservados com antecedência e deleitam apreciadores, oriundos de todas as partes do Planeta. 


A visita que se estende por várias salas invadidas por luz, sons, imagens e aromas, dura cerca de uma hora, pode ser realizada em vários idiomas e começa com a história do cacau e o homem que o apresentou à Europa: Hernán Cortéz. 


Em 1519, Cortéz chegou ao México e foi recebido pelo Imperador Montezuma, dos astecas. O Imperador bebia uma bebida peculiar, com paladar forte, que Cortéz muito prezou. Nove anos depois, no regresso a Espanha transportou consigo grãos de cacau para oferecer ao Rei. As ilhas tropicais, conquistadas pelos espanhóis depressa foram invadidas por plantações de cacau e o chocolate tornou-se uma bebida famosa, apenas ao alcance dos mais abastados. Graças às plantações de cacau, de Cortéz, durante um século, a Espanha teve o monopólio do comércio de grãos de cacau. A partir de 1700, o chocolate era já uma bebida popular em países como a Inglaterra e a Holanda e a sua produção disparou.

E quem resiste?


Apesar da Suíça não produzir cacau (pelas suas condições climáticas), foi aqui que nasceu o chocolate mais famoso do mundo. François-Louis Cailler, o primeiro suíço a produzir chocolate, provou esta iguaria em Itália, no século IXX. No regresso à terra mãe, pôs mãos à obra e desenvolveu a arte. Em 1819, fundou uma pequena fábrica em Vevey. Já em 1875, o genro de Cailler estabeleceu uma parceria com Henri Nestlé. O leite condensado foi misturado com o chocolate e nasceu o chocolate de leite. Juntou-se Charles-Amédée Kohler, o autor do chocolate com nozes, e germinou a "Peter, Cailler, Kohler". Em 1929, a Nestlé comprou a Cailler.



Passada a contextualização histórica é tempo de apurar as pupilas gustativas e o olfacto. Nesta sala estão expostos os diferentes ingredientes utilizados pela marca. Somos todos convidados à primeira prova. 



Segue-se a sala da confecção e, finalmente a doce degustação, sem pressa que a variedade é imensa.
No fim da visita, a foto da praxe que a própria Cailler nos envia por e-mail.




Um pequeno vídeo que revela, um pouco, desta apetitosa visita. 
A transformação de uma simples produção numa arte, o surgimento de fábricas de chocolate de renome, a adição de ingredientes pomposos, os avanços tecnológicos, a imagem de marca de produtos superiores, colocaram a iguaria suíça no cume do melhor chocolate do mundo (ainda assim, os suíços que nos perdoem mas nós preferimos o chocolate belga). 


O produto que alavancou a economia suíça levou a que, em 1901, o governo criasse a Associação de Produtores de Chocolate, Chocosuisse, de forma a promover o chocolate suíço e garantir um padrão de qualidade superior.

Esta visita foi particularmente interessante pelo facto de o pai da casa e a filha mais nova (a mana minusca) terem nascido num dos maiores e melhores produtores de cacau, do mundo: Venezuela. Passamos assim, das plantações de cacau (que ainda existem, na Venezuela) para a magia da transformação e o tão apreciado produto final.


E para quem ainda não sabe, a mãe desta família e a filha mais nova são chocolatras. E sim, passamos uma semana no “céu”. Agora pasmem-se, a Portugal regressamos apenas com três caixas de chocolate e sabem que mais? Todas para oferecer! Porquê? É um mistério para desvendarmos quando voltarmos à Suíça.

Dicas:

Ao lado da fábrica, quase na entrada da estação de comboios de Broc existe um outlet da Nestlé que vale a pena visitar.

A Suíça é o “país do chocolate”, mas pode comprar em supermercados (a preços bem mais acessíveis) praticamente os mesmos que compra nas lojas das marcas.
No Coop, encontra a maior variedade de marcas com destaque para: Nestlé, Lindt, Cailler, Camille Bloch, Villars, Toblerone, Minor, Suchards. Também no Denner (grupo Migros) encontra excelentes marcas, incluindo as próprias e muitas promoções.


Aqueduto das Águas Livres

23.8.15
Desta vez, foi de cima para baixo que avistamos a nossa querida Lisboa e não, não viajávamos de avião. Percorremos o Aqueduto das Águas Livres e trouxemos companhia, a avó Luiza, uma apaixonada por história. 


Para contrariar anos a fio de seca em Lisboa, no século XVI, surgiu a intenção de reconstruir o antigo aqueduto com o qual os Romanos terão abastecido a cidade a partir da barragem de Olisipo, no vale de Carenque e assim, a proposta foi enviada ao Rei D. Sebastião. A falta de orçamento (algo que permanece actual em Portugal) não permitiu a sua concretização mas, em 1731, o Rei D. João V (recorrendo à cobrança de impostos sobre a carne, azeite…) mandou construir o Aqueduto das Águas Livres, em 1744 as primeiras águas começaram a chegar a Lisboa e assim continuaram até 1967. 




A vista, de ambos os lados do aqueduto, é soberba!




Este é um vasto sistema de captação e transporte de água, por via gravítica e considerado uma obra notável da engenharia hidráulica. E, ao contrário do que pensávamos não provoca qualquer desconforto (vertigens ou tonturas) percorrer estes corredores. 



O sistema, resistiu ao terramoto de 1755. Os entendidos defendem duas teorias - uma, que as suas fundações estão assentes em dois maciços rochosos do Cretáceo Superior e outra - que a resistência se deveu ao ângulo formado pelos arcos, que lhe terá permitido a mobilidade suficiente.


Este Monumento Nacional extende-se por um troço principal, de 14,1 km, com início na Mãe de Água Velha, em Belas, e final no reservatório da Mãe de Água das Amoreiras, em Lisboa, ao qual se somam vários troços secundários destinados a transportar a água de cerca de 60 nascentes. Cinco galerias para abastecimento de cerca de 30 chafarizes da capital.


A extraordinária arcaria do vale de Alcântara, numa extensão de 941m, é composta por 35 arcos, incluindo, entre estes, o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65,29 m de altura e 28,86 m de largura, o chamado Arco Grande e assinalado no percurso.


Em toda a sua extensão, esta obra excepcional tem 58.135 metros, incluindo nascentes, ramais e galerias subterrâneas.


A nossa aventura pelos mistérios e encantos das águas de Lisboa, prossegue, em breve, na Mãe de Água e no Patriacal.


Dica:

Vale a pena comprar o bilhete combinado para visitar o Aqueduto das Águas Livres e a Mãe de Água.

Este Monumento Nacional (com os seus quatro edifícios) encerra aos domingos e segundas-feiras.

Dubai com tempestade de areia

21.8.15
Somos entusiastas de experiências novas e andamos sempre no encalço das mesmas. No Dubai não seria excepção! O destino revelou-se interessante do ponto de vista arquitectónico e da engenharia, mas esta é apena uma face de um rosto que esconde um sem número de realidades que não estimamos, entre elas a exploração da mão-de-obra de milhares de trabalhadores oriundos de países paupérrimos (assunto para outro post, ou talvez não)...



Acordámos, cedo como habitualmente, olho pela janela, vejo o céu bacento. Primeiro pensei que ainda estava meia adormecida. Depois, reparei que alguns trabalhadores, na rua usavam máscaras mas não estranhei (cada um é como cada qual). Despachamo-nos e regresso à janela. Agora o céu já não se vê e parece haver uma espécie de poeira no ar. Saímos e, ai que quase voamos!! Pelos olhos entra-nos uma poeira fininha, pelas narinas idem, protegemos as manas e abrigamo-nos no city bus. Percebemos prontamente que estamos debaixo de uma tempestade de areia. Por todo lado há avisos e indicações de velocidades a serem respeitadas e comportamentos a ter em conta.




A paisagem fica alaranjada e misteriosa. Mas as tempestades de areia e poeira estão entre os fenómenos mais violentos e imprevisíveis da natureza. Ventos fortes levantam as partículas de poeira ou areia no ar, formam uma nuvem turbulenta e sufocante que reduz a visibilidade até ao limite da cegueira em questão de segundos e causa danos em propriedades, ferimentos e até mortes.



De repente, o deserto que virou cidade parece regressar à sua essência, de deserto e é lindo! É maravilhoso!

Dicas: 

Coloque uma máscara sobre o nariz e a boca. Se tiver uma máscara ou um respirador feito para filtrar partículas pequenas, coloque imediatamente. Se não tiver uma máscara, enrole um lenço ou outro pano no nariz e na boca. Humedeça-o um pouco, com água. Aplique uma pequena quantidade de vaselina na parte interna das narinas, para evitar que as membranas mucosas ressequem. 

Proteja os olhos. Os óculos de segurança herméticos são os melhores. Se não os tiver, proteja o rosto com os braços enquanto se movimenta e depois enrole um pano bem apertado na cabeça, para proteger os olhos e as orelhas. 

Vá para terreno elevado. A concentração mais densa de areia e poeira flutua perto do chão, logo, a tempestade é mais fraca no topo de um monte. 

Atenção às lentes e máquinas fotográficas, a nossa virou “poeira”... Nunca mais funcionou.

P.S. - Não foi aplicado filtro a nenhuma das fotos deste post.