A chuva convida ao conforto de um cantinho quente e, de repente, sem pedir licença, um aroma doce e colorido invade-nos irresistivelmente todos os sentidos. Estamos na entrada da doce fábrica de chocolate suíço: Maison Cailler.
Aguardamos a nossa vez, para mergulharmos na história do chocolate e vamo-nos deliciando no imenso mundo de sabores e experiências, na loja Cailler. São dezenas e dezenas de variedades de chocolates, dispostos a satisfazer desde o mais singelo apreciador desta iguaria, às gulas mais exigentes e extravagantes.
Workshops e mini-cursos, sobre como fazer chocolates e tudo o que com ele se relaciona, podem ser reservados com antecedência e deleitam apreciadores, oriundos de todas as partes do Planeta.
A visita que se estende por várias salas invadidas por luz, sons, imagens e aromas, dura cerca de uma hora, pode ser realizada em vários idiomas e começa com a história do cacau e o homem que o apresentou à Europa: Hernán Cortéz.
Em 1519, Cortéz chegou ao México e foi recebido pelo Imperador Montezuma, dos astecas. O Imperador bebia uma bebida peculiar, com paladar forte, que Cortéz muito prezou. Nove anos depois, no regresso a Espanha transportou consigo grãos de cacau para oferecer ao Rei. As ilhas tropicais, conquistadas pelos espanhóis depressa foram invadidas por plantações de cacau e o chocolate tornou-se uma bebida famosa, apenas ao alcance dos mais abastados. Graças às plantações de cacau, de Cortéz, durante um século, a Espanha teve o monopólio do comércio de grãos de cacau. A partir de 1700, o chocolate era já uma bebida popular em países como a Inglaterra e a Holanda e a sua produção disparou.
E quem resiste?
Apesar da Suíça não produzir cacau (pelas suas condições climáticas), foi aqui que nasceu o chocolate mais famoso do mundo. François-Louis Cailler, o primeiro suíço a produzir chocolate, provou esta iguaria em Itália, no século IXX. No regresso à terra mãe, pôs mãos à obra e desenvolveu a arte. Em 1819, fundou uma pequena fábrica em Vevey. Já em 1875, o genro de Cailler estabeleceu uma parceria com Henri Nestlé. O leite condensado foi misturado com o chocolate e nasceu o chocolate de leite. Juntou-se Charles-Amédée Kohler, o autor do chocolate com nozes, e germinou a "Peter, Cailler, Kohler". Em 1929, a Nestlé comprou a Cailler.
Passada a contextualização histórica é tempo de apurar as pupilas gustativas e o olfacto. Nesta sala estão expostos os diferentes ingredientes utilizados pela marca. Somos todos convidados à primeira prova.
Segue-se a sala da confecção e, finalmente a doce degustação, sem pressa que a variedade é imensa.
No fim da visita, a foto da praxe que a própria Cailler nos envia por e-mail.
Um pequeno vídeo que revela, um pouco, desta apetitosa visita.
A transformação de uma simples produção numa arte, o surgimento de fábricas de chocolate de renome, a adição de ingredientes pomposos, os avanços tecnológicos, a imagem de marca de produtos superiores, colocaram a iguaria suíça no cume do melhor chocolate do mundo (ainda assim, os suíços que nos perdoem mas nós preferimos o chocolate belga).
O produto que alavancou a economia suíça levou a que, em 1901, o governo criasse a Associação de Produtores de Chocolate, Chocosuisse, de forma a promover o chocolate suíço e garantir um padrão de qualidade superior.
Esta visita foi particularmente interessante pelo facto de o pai da casa e a filha mais nova (a mana minusca) terem nascido num dos maiores e melhores produtores de cacau, do mundo: Venezuela. Passamos assim, das plantações de cacau (que ainda existem, na Venezuela) para a magia da transformação e o tão apreciado produto final.
E para quem ainda não sabe, a mãe desta família e a filha mais nova são chocolatras. E sim, passamos uma semana no “céu”. Agora pasmem-se, a Portugal regressamos apenas com três caixas de chocolate e sabem que mais? Todas para oferecer! Porquê? É um mistério para desvendarmos quando voltarmos à Suíça.
Dicas:
Ao lado da fábrica, quase na entrada da estação de comboios de Broc existe um outlet da Nestlé que vale a pena visitar.
A Suíça é o “país do chocolate”, mas pode comprar em supermercados (a preços bem mais acessíveis) praticamente os mesmos que compra nas lojas das marcas.
No Coop, encontra a maior variedade de marcas com destaque para: Nestlé, Lindt, Cailler, Camille Bloch, Villars, Toblerone, Minor, Suchards. Também no Denner (grupo Migros) encontra excelentes marcas, incluindo as próprias e muitas promoções.