E a vida basta!

10.9.15

As crianças vivem no mesmo mundo que nós vivemos mas com uma perspectiva própria. Se descermos ao patamar destes maravilhosos seres e se nos permitirmos olhar o mundo com os mesmos olhos que eles, sem filtros, vamos encontrar um planeta encantador, cheio de milagres e de mistérios. 
As crianças estão a viver tudo pela primeira vez. Para elas, a vida é em si mesmo um estado de graça! 


E é uma profanação interromper o estado de graça da vida com um cubo colorido de plástico que emite sons. É uma profanação interromper o milagre da existência para lhes sussurrar que o nome desta e daquela forma é X, que o cheiro é Y... Alguém se atreveria a interromper um monge que contempla o horizonte para o questionar sobre a formiga que anda na terra? Por acaso interromperíamos o biólogo que observa a formiga para lhe oferecer um cubo mágico e pedir-lhe que tente com que cada face fique com uma só cor? Para a criança, a vida é suficiente! 


Testemunhar a vida (nos primeiros meses), conquistar a vida (nos primeiros anos), participar da vida (durante toda a infância), questionar a vida (do meio para o fim da infância e na adolescência), contribuir para a vida (na adolescência madura e juventude) e modificar a vida (na juventude e maturidade). Nessa ordem. A vida basta! 


Rompemos sem pudor, pelas cores, aromas e sons característicos do fim do Verão, nas planícies alentejanas. O fresco das sombras, o fresco da água límpida que corre na ribeira. Saboreamos o mel, ainda a escorrer do favo, acabado de sair da colmeia, as frutas colhidas das árvores, sem tratamento, tal e qual vieram ao mundo, a sopa feita com os sabores que brotam daquela terra fértil… 




Para a "minusca" da casa, os 23 meses convidam a testemunhar e conquistar a vida e a vindima é sinónimo de sentir a textura da uvas entre os dedos, aperta-las, colhê-las do cacho e saborear, uma a uma, sem pressa que o dia é longo. 



Já a "maiusca" explora, ao seu ritmo e intensidade, o doce Alentejo que lhe nutre o corpo e a alma. Está a participar da vida! 



No fim do dia, de braços abertos aos céus, sou uma mãe tão grata e tão feliz! 


E a vida basta!

El Yunque

8.9.15
Na altura, vivíamos na Venezuela e aproximava-se o Carnaval. Com a “maiusca” a iniciar as férias, pareceu-nos interessante rumar até Puerto Rico. E a “minusca” também foi, mas ainda na barriga desta mãe. Em Caracas, definimos o que queríamos conhecer. A Floresta Tropical - a única floresta tropical do Sistema de Florestas Federais dos Estados Unidos - estava no top três. Acordámos cedo, introduzimos as coordenadas no GPS e, apesar de algum desconforto e dor de cabeça que esta grávida sentia, fomos à aventura.





Esta floresta encantada (anteriormente conhecida pelo nome de National Caribe Floresta) fica a uma hora de San Juan (capital de Puerto Rico). Estacionamos e pomos pés ao caminho, à descoberta de parte dos 114 quilómetros que compõem a Reserva Nacional El Yunque, na Serra del Luguillo. 

Considerada sagrada pelos índios Taino, no seu idioma «Yu-Ke» significa «Terra Branca», a floresta acolhe milhares de plantas, 240 espécies arbóreas (23 das quais não são encontradas em nenhum outro lugar), 11 espécies de morcegos, 50 de aves, oito de lagartos, 70 espécies de orquídeas, peixes e cobras. Pois, cobras… é só abstrair-se, focar nos sons fantásticos da natureza que nos rodeia e corre bem. 

El Yunque conta com treze trilhas para caminhadas num total de 23 quilómetros. Os mais resistentes podem subir ao  El Toro e deslumbrar-se com a espectacular vista de 360 graus da floresta. 

Todo o parque natural está bem sinalizado e à entrada de cada trilha (todas seguras) existem cartazes informativos com o comprimento, grau de dificuldade, tempo médio do percurso, pontos de interesse, obstáculos…

São caminhos acessíveis e as crianças pequenas percorrem bem a trilha Big Tree, que não tem dois quilómetros e que contorna a cascata La Mina, cujas águas mergulham de uma altura de 15 metros sobre uma refrescante piscina natural. Já a trilha El Yunque, com cerca de cinco quilómetros, é considerada a mais gratificante. Este é um dos lugares mais chuvosos do mundo, não é por caso que também lhe chamam a "Rain Forest". Mas fomos bafejados pela sorte, porque não choveu enquanto a visitávamos.





Do ponto mais alto é possível avistar ilhas como, Los Vieques, Culebra, San Lorenzo, Caguas, Barranquitas, Cayey, Aibonito. O entusiasmo aumenta à medida que mergulhamos nas profundezas deste tesouro.





O ambiente é invadido pelo chilrear e o bater de asas repentino dos pássaros que não se deixam ver. Os poucos que avistamos são imensamente coloridos e cantores, não se cansam. No solo sentem-se movimentos rápidos de animais tímidos. Conseguimos observar peixes, lagartos e rãs de várias cores.


Dicas:

Quando ir 
As temperaturas variam pouco durante o ano. Entre Junho e Novembro é época de furacões, sendo que os piores meses são Setembro e Outubro. A época alta ocorre entre Dezembro e Abril. Claro que nas férias escolares, Puerto Rico fica ao rubro e a floresta não é excepção. 

Como ir
A melhor forma de conhecer a floresta e explorar os seus trilhos é alugando um automóvel (nós alugámos na Avis e levantamos no aeroporto porque percorremos toda a ilha). Também há excursões organizadas a partir de San Juan.

Onde se hospedar
A oferta é rústica e agradavelmente misteriosa e romântica.




Não esquecer
Sling ou canguru para transportar as crianças mais pequenas
Água
Lanche
Repelente
Capa de chuva

Lavaux - Suíça

31.8.15
Entre as vinhas e o lago Léman existe um lugar frutado – Lavaux.
Considerada património cultural da Unesco desde 2007, na categoria “Paisagens Naturais”, Lavaux, com os seus 900 hectares de vinha, é uma das maiores regiões vinícolas da Suíça. Rodeada de terrenos íngremes, murados, com videiras, aqui a vista nunca é igual.


Do outro lado, o aceno das montanhas francesas. E no meio de tudo isto, vinho (as castas de uvas aqui cultivadas são: Chasselas, Gamay e Pinot Noir) e gastronomia ímpar, com os filetes de perche, um peixe pequeno, carnudo, característico do lago Léman, a serem os reis da festa.




Hospedamo-nos em Cully, nas margens do Lago, com esta vista soberba e relaxante que as manas  e nós, tanto desfrutamos. 




Os locais asseguram que Lavaux produz vinho desde a ocupação romana, mas os terraços existentes foram construídos, por monges, ao longo do século XI. Lavaux é bafejada por um clima temperado, com sol abundante. Os vinhedos são protegidos pelas montanhas e refrescados pelos ventos que sopram do Lago Léman, vindos dos Alpes franceses e do Mont Blanc.


A região visita-se facilmente de bicicleta e a pé, através de trilhos assinalados e desenhados no meio das vinhas e a degustação de vinhos é um dos pontos altos da visita.


Daqui a Lausanne são 15 minutos e até Montreux são 25. Chega-se facilmente de comboio, carro e barco. 


Partilhamos o link do Swiss Pass, o passe que permite uma das melhores e mais deslumbrantes formas de viajar e conhecer a charmosa Suíça.

À semelhança de outras localidades suíças, Cully acolhe um sem número de portugueses, sempre afáveis e disponíveis para prestar aquela "informação" preciosa, que não vem em nenhum mapa ou roteiro turístico. 

Les Grottes - Genebra

27.8.15
Numa cidade cosmopolita como Genebra, famosa pelo seu núcleo financeiro, por ser o centro mundial da diplomacia existe um bairro multicolor e diferente: Les Grottes, mais conhecido pelo Bairro dos Estrunfes. 



Situado atrás da Estação Central, este é um marco da arquitectura moderna a fazer lembrar Gaudí e Barcelona. O complexo foi projetado por três arquitectos que pretendiam dar outra cor e estilo à “Cidade da Paz”. De convencionais, os edifícios não têm nada. É admirável a abundância de pormenores, relevos trabalhados em ferro forjado, pedra. Motivos da natureza que dão vida a este cantinho de Genébra. 




O bairro que já foi refúgio de boémios e artistas, abrigou ainda uma comunidade de hippies, tem um teatro, escola, hospital. Hoje é mais um símbolo de Genebra, a conhecer! 

Só mais uma curiosidade… Enquanto por aqui passeávamos, eis que algo azul e branco, numa janela nos acenou. Mas não era um estrunfe, era mais português. Vejam e concluam…



Maison Cailler - Suiça

26.8.15
A chuva convida ao conforto de um cantinho quente e, de repente, sem pedir licença, um aroma doce e colorido invade-nos irresistivelmente todos os sentidos. Estamos na entrada da doce fábrica de chocolate suíço: Maison Cailler.


Aguardamos a nossa vez, para mergulharmos na história do chocolate e vamo-nos deliciando no imenso mundo de sabores e experiências, na loja Cailler. São dezenas e dezenas de variedades de chocolates, dispostos a satisfazer desde o mais singelo apreciador desta iguaria, às gulas mais exigentes e extravagantes. 


Workshops e mini-cursos, sobre como fazer chocolates e tudo o que com ele se relaciona, podem ser reservados com antecedência e deleitam apreciadores, oriundos de todas as partes do Planeta. 


A visita que se estende por várias salas invadidas por luz, sons, imagens e aromas, dura cerca de uma hora, pode ser realizada em vários idiomas e começa com a história do cacau e o homem que o apresentou à Europa: Hernán Cortéz. 


Em 1519, Cortéz chegou ao México e foi recebido pelo Imperador Montezuma, dos astecas. O Imperador bebia uma bebida peculiar, com paladar forte, que Cortéz muito prezou. Nove anos depois, no regresso a Espanha transportou consigo grãos de cacau para oferecer ao Rei. As ilhas tropicais, conquistadas pelos espanhóis depressa foram invadidas por plantações de cacau e o chocolate tornou-se uma bebida famosa, apenas ao alcance dos mais abastados. Graças às plantações de cacau, de Cortéz, durante um século, a Espanha teve o monopólio do comércio de grãos de cacau. A partir de 1700, o chocolate era já uma bebida popular em países como a Inglaterra e a Holanda e a sua produção disparou.

E quem resiste?


Apesar da Suíça não produzir cacau (pelas suas condições climáticas), foi aqui que nasceu o chocolate mais famoso do mundo. François-Louis Cailler, o primeiro suíço a produzir chocolate, provou esta iguaria em Itália, no século IXX. No regresso à terra mãe, pôs mãos à obra e desenvolveu a arte. Em 1819, fundou uma pequena fábrica em Vevey. Já em 1875, o genro de Cailler estabeleceu uma parceria com Henri Nestlé. O leite condensado foi misturado com o chocolate e nasceu o chocolate de leite. Juntou-se Charles-Amédée Kohler, o autor do chocolate com nozes, e germinou a "Peter, Cailler, Kohler". Em 1929, a Nestlé comprou a Cailler.



Passada a contextualização histórica é tempo de apurar as pupilas gustativas e o olfacto. Nesta sala estão expostos os diferentes ingredientes utilizados pela marca. Somos todos convidados à primeira prova. 



Segue-se a sala da confecção e, finalmente a doce degustação, sem pressa que a variedade é imensa.
No fim da visita, a foto da praxe que a própria Cailler nos envia por e-mail.




Um pequeno vídeo que revela, um pouco, desta apetitosa visita. 
A transformação de uma simples produção numa arte, o surgimento de fábricas de chocolate de renome, a adição de ingredientes pomposos, os avanços tecnológicos, a imagem de marca de produtos superiores, colocaram a iguaria suíça no cume do melhor chocolate do mundo (ainda assim, os suíços que nos perdoem mas nós preferimos o chocolate belga). 


O produto que alavancou a economia suíça levou a que, em 1901, o governo criasse a Associação de Produtores de Chocolate, Chocosuisse, de forma a promover o chocolate suíço e garantir um padrão de qualidade superior.

Esta visita foi particularmente interessante pelo facto de o pai da casa e a filha mais nova (a mana minusca) terem nascido num dos maiores e melhores produtores de cacau, do mundo: Venezuela. Passamos assim, das plantações de cacau (que ainda existem, na Venezuela) para a magia da transformação e o tão apreciado produto final.


E para quem ainda não sabe, a mãe desta família e a filha mais nova são chocolatras. E sim, passamos uma semana no “céu”. Agora pasmem-se, a Portugal regressamos apenas com três caixas de chocolate e sabem que mais? Todas para oferecer! Porquê? É um mistério para desvendarmos quando voltarmos à Suíça.

Dicas:

Ao lado da fábrica, quase na entrada da estação de comboios de Broc existe um outlet da Nestlé que vale a pena visitar.

A Suíça é o “país do chocolate”, mas pode comprar em supermercados (a preços bem mais acessíveis) praticamente os mesmos que compra nas lojas das marcas.
No Coop, encontra a maior variedade de marcas com destaque para: Nestlé, Lindt, Cailler, Camille Bloch, Villars, Toblerone, Minor, Suchards. Também no Denner (grupo Migros) encontra excelentes marcas, incluindo as próprias e muitas promoções.