Arte sempre e em qualquer lugar

19.10.15
A ARTE: querida por muitos, ignorada por outros tantos, mas presente, das mais variadíssimas formas, em cada quarteirão das nossas (de todos) vidas. 


Desde cedo que a mana “maiúsca” demonstra interesse pela pintura. Ainda não tinha dois anos e já vibrava com o trraço de Vincent van Gogh (que conheceu através dos jogos da Baby Einstein: http://www.fnac.pt/Baby-Einstein-Baby-Einstein-Baby-Van-Gogh-O-Mundo-das-Cores-sem-especificar/a166879), tivemos a confirmação aos 3,5 anos, quando visitou o Van Gogh Museum, em Amesterdão. Depois disso, as nossas viagens ganharam ainda mais vida, com a visita a exposições, espectáculos ou museus dedicados às mais diversas feições apresentadas pela arte, seja no teatro, dança, música, artes visuais… Se vos disser que Paris e Londres estão no topo das preferências da Constança, está tudo dito!


A mana “minúsca” começa agora a dar os primeiros passos nestas andanças e revela verdadeira paixão pela dança. Tudo a seu tempo e sem esquecer que a arte tem um papel preponderante no desenvolvimento da criança, da formação do seu senso crítico e afectivo. É o despertar da capacidade criadora. Afinal, o uso das linguagens artísticas é carregado de sentidos e faz parte da condição humana.


É por isso que, mesmo em descanso, em viagem há sempre espaço para dar largas à imaginação e libertar o melhor que há em nós. Há dias, recebi uma mensagem de uma amiga madeirense e sensível a este tema (ou não fosse a “Pérola do Atlântico” pejada de artistas de alto gabarito, muitos reconhecidos internacionalmente, creio que inspirados na beleza natural ímpar daquele bocadinho de céu). Enviava um link, com um contacto e convite para um workshop de pintura para crianças e dizia: “para as tuas meninas. Tenho a certeza que vão adorar!”. Mais do que suficiente! E foi na Ilha da Madeira, no Funchal que as nossas vidas se cruzaram com a da querida Sara Santos: https://www.facebook.com/SARA-SANTOS-127776537232626/



Se viverem na Ilha da Madeira, ou se estiverem apenas de passagem, recomendamos que espreitem os encantadores trabalhos da Sara e uma aula com esta artista de alma e coração que também expõe em Lisboa. Quanto às manas, vão continuar a dar asas aos sonhos e a espalhar arte e sorrisos por onde quer que passem.



"A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são" - Fernando Pessoa.

Atlas do Mundo para toda a família

15.10.15
Os livros sempre me fascinaram! Não tanto pelas capas mas pelo aroma que lançam e nos invade a alma, pelo toque suave ou áspero das folhas, o poder de cada palavra, cada linha, as viagens que fazemos a cada leitura e por saber que cada vez que lá voltar sairei com uma nova perspectiva e necessariamente diferente. Esta paixão é extensível a todos nesta casa, embora o pai assuma que prefere os audiovisuais. 

Quanto à ciência, essa já provou que quanto mais cedo as crianças ganharem hábitos de leitura, mais benefícios e competências ganham ao longo da vida e que, através da leitura, a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores. É portanto ouro sobre azul numa curiosidade inata que se desenvolve naturalmente!


Também já partilhamos convosco que as nossas viagens começam em casa e, nesta altura do ano que convida ao aconchego do lar, ao cacau quente, castanhas assadas, romãs e maçãs no forno... as manas têm na biblioteca, um delicioso leque de opções. Hoje apresentamo-vos este livro que a mana “minúsca” gosta particularmente. 


O “Atlas do Mundo”, da Edicare editora, permite-nos explorar o Mundo em sete mapas desdobráveis, conhecer os principais museus, monumentos e tradições mais emblemáticas, de cada país, assim como a fauna e flora, sempre de uma forma atractiva e apetecível, aos miúdos e graúdos, por ser adequado a todas as idades, de acordo com as diversas fases do desenvolvimento e interesse. 



Já dizia Santo Agostinho: "O Mundo é um livro e aquele que não viaja lê apenas uma página." 

E a vida basta!

10.9.15

As crianças vivem no mesmo mundo que nós vivemos mas com uma perspectiva própria. Se descermos ao patamar destes maravilhosos seres e se nos permitirmos olhar o mundo com os mesmos olhos que eles, sem filtros, vamos encontrar um planeta encantador, cheio de milagres e de mistérios. 
As crianças estão a viver tudo pela primeira vez. Para elas, a vida é em si mesmo um estado de graça! 


E é uma profanação interromper o estado de graça da vida com um cubo colorido de plástico que emite sons. É uma profanação interromper o milagre da existência para lhes sussurrar que o nome desta e daquela forma é X, que o cheiro é Y... Alguém se atreveria a interromper um monge que contempla o horizonte para o questionar sobre a formiga que anda na terra? Por acaso interromperíamos o biólogo que observa a formiga para lhe oferecer um cubo mágico e pedir-lhe que tente com que cada face fique com uma só cor? Para a criança, a vida é suficiente! 


Testemunhar a vida (nos primeiros meses), conquistar a vida (nos primeiros anos), participar da vida (durante toda a infância), questionar a vida (do meio para o fim da infância e na adolescência), contribuir para a vida (na adolescência madura e juventude) e modificar a vida (na juventude e maturidade). Nessa ordem. A vida basta! 


Rompemos sem pudor, pelas cores, aromas e sons característicos do fim do Verão, nas planícies alentejanas. O fresco das sombras, o fresco da água límpida que corre na ribeira. Saboreamos o mel, ainda a escorrer do favo, acabado de sair da colmeia, as frutas colhidas das árvores, sem tratamento, tal e qual vieram ao mundo, a sopa feita com os sabores que brotam daquela terra fértil… 




Para a "minusca" da casa, os 23 meses convidam a testemunhar e conquistar a vida e a vindima é sinónimo de sentir a textura da uvas entre os dedos, aperta-las, colhê-las do cacho e saborear, uma a uma, sem pressa que o dia é longo. 



Já a "maiusca" explora, ao seu ritmo e intensidade, o doce Alentejo que lhe nutre o corpo e a alma. Está a participar da vida! 



No fim do dia, de braços abertos aos céus, sou uma mãe tão grata e tão feliz! 


E a vida basta!

El Yunque

8.9.15
Na altura, vivíamos na Venezuela e aproximava-se o Carnaval. Com a “maiusca” a iniciar as férias, pareceu-nos interessante rumar até Puerto Rico. E a “minusca” também foi, mas ainda na barriga desta mãe. Em Caracas, definimos o que queríamos conhecer. A Floresta Tropical - a única floresta tropical do Sistema de Florestas Federais dos Estados Unidos - estava no top três. Acordámos cedo, introduzimos as coordenadas no GPS e, apesar de algum desconforto e dor de cabeça que esta grávida sentia, fomos à aventura.





Esta floresta encantada (anteriormente conhecida pelo nome de National Caribe Floresta) fica a uma hora de San Juan (capital de Puerto Rico). Estacionamos e pomos pés ao caminho, à descoberta de parte dos 114 quilómetros que compõem a Reserva Nacional El Yunque, na Serra del Luguillo. 

Considerada sagrada pelos índios Taino, no seu idioma «Yu-Ke» significa «Terra Branca», a floresta acolhe milhares de plantas, 240 espécies arbóreas (23 das quais não são encontradas em nenhum outro lugar), 11 espécies de morcegos, 50 de aves, oito de lagartos, 70 espécies de orquídeas, peixes e cobras. Pois, cobras… é só abstrair-se, focar nos sons fantásticos da natureza que nos rodeia e corre bem. 

El Yunque conta com treze trilhas para caminhadas num total de 23 quilómetros. Os mais resistentes podem subir ao  El Toro e deslumbrar-se com a espectacular vista de 360 graus da floresta. 

Todo o parque natural está bem sinalizado e à entrada de cada trilha (todas seguras) existem cartazes informativos com o comprimento, grau de dificuldade, tempo médio do percurso, pontos de interesse, obstáculos…

São caminhos acessíveis e as crianças pequenas percorrem bem a trilha Big Tree, que não tem dois quilómetros e que contorna a cascata La Mina, cujas águas mergulham de uma altura de 15 metros sobre uma refrescante piscina natural. Já a trilha El Yunque, com cerca de cinco quilómetros, é considerada a mais gratificante. Este é um dos lugares mais chuvosos do mundo, não é por caso que também lhe chamam a "Rain Forest". Mas fomos bafejados pela sorte, porque não choveu enquanto a visitávamos.





Do ponto mais alto é possível avistar ilhas como, Los Vieques, Culebra, San Lorenzo, Caguas, Barranquitas, Cayey, Aibonito. O entusiasmo aumenta à medida que mergulhamos nas profundezas deste tesouro.





O ambiente é invadido pelo chilrear e o bater de asas repentino dos pássaros que não se deixam ver. Os poucos que avistamos são imensamente coloridos e cantores, não se cansam. No solo sentem-se movimentos rápidos de animais tímidos. Conseguimos observar peixes, lagartos e rãs de várias cores.


Dicas:

Quando ir 
As temperaturas variam pouco durante o ano. Entre Junho e Novembro é época de furacões, sendo que os piores meses são Setembro e Outubro. A época alta ocorre entre Dezembro e Abril. Claro que nas férias escolares, Puerto Rico fica ao rubro e a floresta não é excepção. 

Como ir
A melhor forma de conhecer a floresta e explorar os seus trilhos é alugando um automóvel (nós alugámos na Avis e levantamos no aeroporto porque percorremos toda a ilha). Também há excursões organizadas a partir de San Juan.

Onde se hospedar
A oferta é rústica e agradavelmente misteriosa e romântica.




Não esquecer
Sling ou canguru para transportar as crianças mais pequenas
Água
Lanche
Repelente
Capa de chuva

Lavaux - Suíça

31.8.15
Entre as vinhas e o lago Léman existe um lugar frutado – Lavaux.
Considerada património cultural da Unesco desde 2007, na categoria “Paisagens Naturais”, Lavaux, com os seus 900 hectares de vinha, é uma das maiores regiões vinícolas da Suíça. Rodeada de terrenos íngremes, murados, com videiras, aqui a vista nunca é igual.


Do outro lado, o aceno das montanhas francesas. E no meio de tudo isto, vinho (as castas de uvas aqui cultivadas são: Chasselas, Gamay e Pinot Noir) e gastronomia ímpar, com os filetes de perche, um peixe pequeno, carnudo, característico do lago Léman, a serem os reis da festa.




Hospedamo-nos em Cully, nas margens do Lago, com esta vista soberba e relaxante que as manas  e nós, tanto desfrutamos. 




Os locais asseguram que Lavaux produz vinho desde a ocupação romana, mas os terraços existentes foram construídos, por monges, ao longo do século XI. Lavaux é bafejada por um clima temperado, com sol abundante. Os vinhedos são protegidos pelas montanhas e refrescados pelos ventos que sopram do Lago Léman, vindos dos Alpes franceses e do Mont Blanc.


A região visita-se facilmente de bicicleta e a pé, através de trilhos assinalados e desenhados no meio das vinhas e a degustação de vinhos é um dos pontos altos da visita.


Daqui a Lausanne são 15 minutos e até Montreux são 25. Chega-se facilmente de comboio, carro e barco. 


Partilhamos o link do Swiss Pass, o passe que permite uma das melhores e mais deslumbrantes formas de viajar e conhecer a charmosa Suíça.

À semelhança de outras localidades suíças, Cully acolhe um sem número de portugueses, sempre afáveis e disponíveis para prestar aquela "informação" preciosa, que não vem em nenhum mapa ou roteiro turístico. 

Les Grottes - Genebra

27.8.15
Numa cidade cosmopolita como Genebra, famosa pelo seu núcleo financeiro, por ser o centro mundial da diplomacia existe um bairro multicolor e diferente: Les Grottes, mais conhecido pelo Bairro dos Estrunfes. 



Situado atrás da Estação Central, este é um marco da arquitectura moderna a fazer lembrar Gaudí e Barcelona. O complexo foi projetado por três arquitectos que pretendiam dar outra cor e estilo à “Cidade da Paz”. De convencionais, os edifícios não têm nada. É admirável a abundância de pormenores, relevos trabalhados em ferro forjado, pedra. Motivos da natureza que dão vida a este cantinho de Genébra. 




O bairro que já foi refúgio de boémios e artistas, abrigou ainda uma comunidade de hippies, tem um teatro, escola, hospital. Hoje é mais um símbolo de Genebra, a conhecer! 

Só mais uma curiosidade… Enquanto por aqui passeávamos, eis que algo azul e branco, numa janela nos acenou. Mas não era um estrunfe, era mais português. Vejam e concluam…