Ho! Ho! Ho!

2.12.15
E estamos em contagem decrescente para o Natal e para mais uma viagem de longo curso, para passarmos o fim-de-ano noutro continente (mas esse será tema para outro post). 


Natal é mais do que a noite de Consoada em família e já estamos em celebração. Rituais que vão desde as decorações, aos postais (tradição que queremos retomar este ano), confecção de doces (apesar desta mãe não ter nascido para a cozinha), ouvimos músicas de Natal de diferentes países, recordamos com imensa alegria as que ouvimos nesta quadra na Venezuela, na Disneyland Paris, por exemplo e intensificamos o olhar/gestos ao próximo… As manas estão 100 por cento envolvidas em tudo. É assim que vivemos esta quadra. Até as próximas viagens estão a ser desenhadas debaixo da árvore de Natal ("el arbolito", como lhe chamamos). 


Sabem que o Natal existe porque Jesus nasceu e que, naturalmente nem todos os povos o celebram, o que para elas também é algo perfeitamente normal. A mana “maiúsca” já pediu para conhecer a terra e Jesus e esse é também um sonho antigo que queremos realizar daqui a uns três anos. Com “el arbolito” concluído, o presépio será montado no próximo fim-de-semana, com a ajuda dos avós e a localização geográfica de cada figura no mapa-mundo. 

O engraçado é que para as miúdas o Natal não é aquele dia do ano ansiado por causa das prendas (como já referi noutro post, cada filha recebe apenas uma prenda nossa, sabem que é dando – afecto, presença, amor – que se recebe) mas sim, porque estamos todos juntos, sob o mesmo teto, sentados à mesma mesa, com costumes de vários países dos quais se destacam: Venezuela e Portugal e dentro de Portugal – Lisboa, Alentejo e Madeira. E, vivendo nós longe dos avós e o pai tanto tempo (fisicamente) ausente, este é sem dúvida o verdadeiro Natal desta casa. 


Ontem receberam o calendário do Advento (adventum, que significa chegada). Este ano não foram feitos por nós, vieram da Alemanha. Os chocolates são de origem biológica e o cacau adquirido através de comércio justo. O açúcar é de cana e não refinado. Cada janelinha conta um pouco da história de Jesus e da humanidade. 


Quanto à intenção diária, definimo-la na véspera, em conjunto, depois de conversarmos sobre como foi o nosso dia. Ontem o desafio era serem ainda mais gentis com os que nos rodeiam: prova superada! Hoje: auxiliar os demais nas dificuldades. Em todas, nas pequenas e subtis e nas grandes. 


No sapatinho são colocados quatros desejos e já sei que todos são destinos a conhecer! 
O meu é o de conseguir reunir toda a família, novamente num Natal, na Suécia (agora com as manas, que quando fomos ainda não eram nascidas). O Natal mais mágico que já vivi, até hoje! Sim, eu vi o Pai Natal, ele existe, chega na neve, num trenó puxado por renas, bate à porta de casa, entra, senta-se, conversa com cada criança e distribui prendas, na noite de Consoada. Ho! Ho! Ho!



Livros sensoriais

30.11.15
O Natal aproxima-se e aqui em casa, à semelhança dos aniversários, cada um recebe (habitualmente) apenas uma prenda (às quais se juntam as que oferecem familiares e amigos). Não precisamos de mais, estamos juntos, em família, com os que mais amamos, no aconchego do lar, com a mesa recheada de sabores e aromas deliciosos, o crepitar da lareira… É suficiente (e não, não é um cliché, para nós é mesmo assim)! 

Este ano e porque andamos sempre de um lado para o outro, em deslocações que implicam (parte delas) longas horas de avião e aeroportos, optamos por oferecer às manas livros sensoriais


Os livros físicos tradicionais são uma presença assídua, tanto em casa quanto em viagem, mas no último caso podem tornar-se um desafio, quer seja pelo peso ou pelo tamanho. 

Já o único iPad da casa pertence à mana “maiúsca” e é utilizado apenas para os jogos terapêuticos, se o levarmos corre o risco de ficar sem bateria muito antes de completarmos metade do voo, caso o avião não tenha tomadas, o que é por si só uma desvantagem. Já os livros sensoriais, além de fofos e mais maleáveis, não só desenvolvem toda a motricidade fina e grossa, como destreza, inteligência emocional, matemática, idiomas, escrita e leitura, um sem número fantástico de aptidões. Este Natal, cada mana terá o seu, personalizado e adequado às suas fases de desenvolvimento. 

Numa loja de brinquedos, no Luxemburgo, encontramos à venda mas custavam cerca de €80, cada um e eram pequenos. Fazer um livro destes requer muito tempo, muito trabalho, dedicação, utilização de material. Como queríamos personalizados, quando cheguei a Portugal iniciei uma pesquisa na Internet e gostei imenso dos que desenvolve a Vera, da Peek a Book (e têm um preço super em conta).




Conversamos, expliquei-lhe as dificuldades da mana mais crescida e as áreas em que precisa de mais apoio e daí ao início do projecto foram dois dias. O da mana "minúsca" foi mais fácil, está a ser elaborado de acordo com a idade e ambos preenchidos com as preferências de cada uma. Adivinham? Sim, viagens! Assim que chegarem prometo que posto para verem. Até lá, deixo-vos algumas ideias da Vera e, para as mães, avós, tias, pais mais prendados, no Printerest encontram ideias giras, giras.


Cidade do Luxemburgo

20.11.15
Entre pontes e muralhas, serpenteada pelo rio Alzette e abençoada por uma paisagem de cortar o fôlego abriga-se a pequena cidade do Luxemburgo, com as suas fortificações e bairros classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Ruas e ruelas que se percorrem a pé e albergam estátuas e monumentos exclusivos. Uma cidade cosmopolita que se “divide” em duas: a alta e a baixa e onde o antigo e o moderno convivem lado-a-lado.



Este é o único Grão-Ducado do mundo e faz fronteira com a Bélgica, a França e a Alemanha. O Luxemburgo é um país trilingue, onde o alemão, o francês e o luxemburguês são línguas oficiais. 


Porque o Luxemburgo é Capital Europeia da Cultura 2015 e porque assume a presidência do Conselho da União Europeia até Dezembro deste ano, os hotéis centrais estão todos ocupados e assim, optamos por ficar alojados (como já vem sendo habitual nas nossas viagens pela Europa) no Novotel. Quartos amplos, excelente pequeno-almoço, serviço de restaurante muitíssimo variado e com qualidade (apesar de dispendioso), o hotel fica situado a menos de 10 minutos, a pé do centro da cidade, numa zona muito tranquila e agradável.



Apesar de pequena, esta cidade tem a capacidade de nos fazer sentir no epicentro da Europa. Cruzamo-nos com pessoas dos mais variados países da União Europeia e não só. Afinal, 60% da população é estrangeira.Tão depressa estamos a falar francês, como inglês, castelhano, português, alemão (que nenhum de nós domina)... E por falar em português, não se surpreenda se o seu taxista o for. Segundo os mesmos nos confessaram, 95% dos motoristas de táxi são portugueses. Esta mescla cultural traduz-se na gastronomia e em toda a oferta da cidade, aos mais variados níveis.


O que visitar:

O bairro do coração da cidade velha chama-se Mercado-do-Peixe. Recheado de atraentes bistrôs de especialidades é charmoso, ponto assente de artistas e sede de museus como o Museu Nacional de História e de Arte, o Museu da História da Cidade, a Igreja de Saint-Michael, o Bock (uma fortificação rochosa natural) com as suas Casamatas* (23 quilómetros de um extraordinário complexo de passagens subterrâneas e galerias para defesa da cidade), Corniche: considerada a varanda mais bonita do mundo, o Palácio Grão-Ducal (residência oficial do Grão-Duque), a Casa da Europa, entre outros. 


A Casa da Europa foi uma das visitas que mais gostamos de fazer com as manas. Aqui, podem explorar tudo o que está relacionado com todos os países-membros, tirar dúvidas e levar gratuitamente mapas, livros em diversos idiomas. 


Outra visita que todos gostámos muito de fazer foi à acolhedora Catedral de Notre-Dame.


A cidade presenteia-nos com estátuas e fontes originais e bonitas, além de maravilhosos parques e jardins, agora vestidos de tons e sons de Outono. A homenagem aos combatentes é uma presença assídua aqui. 






Para descer para a chamada cidade baixa: Grund - Glausen (onde nasceu Robert Schuman, o pai Europa) - Pfaffenthal - tem duas opções: a pé ou de elevador (gratuito com entrada na Cidade Judiciária), o que com crianças ou pessoas com mobilidade reduzida é muito prático.
Estas são há muito povoadas sobretudo por artesãos que precisam da água para exercerem os seus ofícios. 


Obrigatório:
Para os amantes do chocolate esta é uma paragem deliciosamente obrigatória, mesmo em frente ao Palácio Ducal. A Casa do Chocolate - Chocolate House Luxembourg oferece uma infinita variedade de chocolates, trufas, bolos e o famoso chocolate quente de colher. 






Dicas:

Tanto na recepção do hotel quanto o taxista que nos levou, avisaram-nos para não passearmos pela zona da Estação de Comboios. Mesmo assim, acabámos por ir conhecer e percebemos que é uma zona com muitos sem-abrigo, droga, prostituição... A estação é bonita.


* Na cidade do Luxemburgo entre 31 de Outubro e o inicio de Março não circulam autocarros ou comboios turísticos e as Casamatas estão encerradas, embora seja possível admirá-las do exterior. Também o Palácio Grão-Ducal é possível visitar apenas durante um mês por ano, entre Julho e Agosto.



Para ir do aeroporto para o hotel pode fazê-lo de autocarro (nr.º 9 que termina na Estação de Comboios), por €2 por passageiro ou de táxi - €30 por percurso.

Quantos dias:
Dois dias serão suficientes para conhecer a cidade, mesmo com crianças. Se as suas crianças foram pequenas, o carrinho é essencial para que possam repousar. Se pretender visitar alguns museus, então convém reservar dias extra.


Loja de Turismo:
Se estiver na cidade apenas por algumas horas (entre as 09:00 e as 18:00 horas) pode deixar as suas malas no centro, gratuitamente. 

Restaurantes:
A Place D'Armes é uma boa opção com as suas inúmeras esplanadas e cardápios. E, nesta altura do ano encontra cobertores em todas, para poder usufruir confortavelmente das suas refeições, no exterior. Já no Grund (cidade baixa) existem restaurantes de topo onde poderá comer nos pátios/jardins interiores lindíssimos. Não, comer nesta cidade não é barato mas come-se muito bem. 

Lojas de brinquedos:
Existem várias lojas de brinquedos onde é possível encontrar material didáctico, para as diferentes idades, todos elaborados em madeira, tecidos... Somos fãs mas como viajámos em low cost, só com bagagem de mão acabámos por não "perder a cabeça".

Mercados:
Todos os sábados acontece o mercado hortícola, de queijos e fumados, com muitas bancas de produtos biológicos, uma variedade fantástica, na Praça do Município - Place Guillaume II. Nós não podíamos falhar e gostámos imenso! 




Curiosidade:
O Luxemburgo é membro fundador da União Europeia, NATO, OCDE, Nações Unidas, Benelux e da União da Europa Ocidental o que reflecte o consenso político em favor da coesão económica, política e integração militar.

Nas encostas de Bock existem vinhas que produzem 200 garrafas de vinho por ano para serem usadas exclusivamente pelo primeiro ministro em recepções oficiais. 

Nós? Recomendamos e queremos regressar, agora para conhecer outras regiões deste pequeno mas encantador país da Europa! 

Berna

28.10.15
Charmosa, romântica, sedutora e acolhedora... Adjectivos que ainda assim não fazem 100% jus à querida cidade de Berna. A capital da Suíça fica a 1h30 de Zurique e é uma caixinha de surpresas a cada esquina, recheada de belezas naturais e esculpidas excepcionais.

Rio Aar 
A cidade é banhada pelo Rio Aar e é impossível não ficar fascinado pela cor que apresenta. É realmente apaixonante e intrigante! 195 Quilómetros de águas cristalinas que nascem aos pés de Grimsel passando depois por Interlaken e Tune até chegarem a Berna. 


Torre do Zytglogge
Com 610 anos, o relógio “do tempo” (assim se traduz) está no top das atracções turísticas de Berna. O complexo processo de engrenagens, cordas, alavancas e botões, que se movimentam num constante "clic-e-clac" ritmado por um colossal pêndulo que a torre alberga consegue ser mais interessante do que a discreta dança de figuras e o soar das horas deste relógio astronómico. Três minutos antes da batida de cada hora, as figuras do relógio movem-se. Não vale a pena criar grandes expectativas à volta do evento para não correr o risco de desiludir as crianças. Mas sim, é "obrigatório" conhecer! 



No topo da torre o sino de 1,4 toneladas onde estão gravados o mês e o ano em que a peça foi fundida - Outubro de 1405. O ponteiro maior marca as 24 horas do dia, já o da estrela o mês e a data. Os painéis mais escuros na parte posterior anunciam o nascer e do pôr-do-Sol, enquanto um idêntico ponteiro indica a época do Zodíaco na qual nos encontramos e outro as distintas fases da Lua.



Bundeshaus 
Desde 1848 que Berna é a capital da Confederação Helvética (actualmente, e segundo a carta das denominações de países da Suíça, o país é nomeado oficialmente e só como Confederação Suíça). O Bundeshaus (Parlamento), sede do Parlamento Suíço, está localizado entre duas das principais praças da cidade: a Bärenplatz e a Bundesplatz. É possível visitá-lo, de segunda a sexta, mediante marcação (já que esgota em menos de nada). Um dos passatempos preferidos das manas, nesta zona, foi o de atravessar, em corrida, os repuxos que se elevam desde as profundezas desta praça. 


Cidade Antiga 
É aqui que encontramos o centro histórico de Berna considerado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde em 1983. Percorre-se muito bem a pé, como aliás, toda a cidade. É como desfilar num conto de fadas ilustrado com a famosa arquitectura medieval, juntamente com os seus edifícios datados do século XV, seis quilómetros de arcadas que acolhem zonas comerciais, tornando-a a mais extensa na Europa sempre ao som de música tocada por exímios e eruditos artistas que também actuam nas ruas. Albert Einstein escolheu-a para viver e a Constança que adora este Nobel, ficou deslumbrada com a energia e simplicidade da casa-museu do seu génio.


Os telhados trabalhados e as águas furtadas que se sobrepõem umas às outras dão a Berna um toque sublime. A somar, as seculares fontes de água, onde pode encher a sua garrafa ou simplesmente aproveitar para descansar e se refrescar. Cada fonte é contemplada com uma estátua de um personagem lendário ou histórico. Há uma que se destaca de tão perturbadora que é, por caracterizar um Ogre (Kindlifresser), a comer crianças. Reza a lenda que caso não se alimentasse o Ogre ele comeria as crianças da cidade. Para compensar tem ursos por todas as partes, até porque é o símbolo de Berna. E é super divertido fotografar com e em cima deles (há várias esculturas em toda a cidade). Tem inclusive o Parque dos Ursos que não visitámos por estar em remodelação e os animais fora de Berna. A entrada é livre. 



A vista do apartamento onde viveu Albert Einstein.




Catedral 
Esta é a maior e mais importante igreja medieval Suíça. Com morada na Münstergasse, foi construída no século XV e é um sublime modelo do gótico tardio. Na porta principal foi esculpido em pedra uma obra-prima a representar o Juízo Final. 



Se quiser perder o fôlego antes de se deslumbrar com a incrível vista panorâmica da cidade, suba a torre da Berner Munster. 

Rosengarten 
As manas adoram um parque e nós também! Seja para descansar as pernas, ver as vistas, fazer um piquenique… todos os pretextos servem. E neste parque, o "Jardim das Rosas", encontramos mais um, rosas, muitas rosas e nenúfares que esta mãe tanto gosta. Além de tudo isto, a vista soberba sobre a cidade. E a cereja no topo do bolo é que ele ficava mesmo ao fundo da rua do nosso hotel: Novotel Bern Expo.




Quanto aos habitantes de Berna, são do mais acolhedor que existe!

Nas refeições a salsicha branca foi rainha por um dia e os chocolates em toda a viagem, pois claro! Uma dica em termos de alimentação... A Suiça é um país caro e as refeições não são excepção mas existe sempre a opção de comer nos restaurantes buffett dos supermercados Migros e Coop. Pode também optar por levar e usufruir de um piquenique num dos muitos deliciosos parques e praças que a cidade oferece.



E despedimo-nos de Berna com um pensamento de um dos seus mais nobres habitantes, Einstein e as nossas dicas sobre como viajar na Suiça: "Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre."