Hoje celebra-se o dia do Turismo Ecológico. Já muito foi conquistado nesta área, ainda assim, há terreno a desbravar. O Departamento de Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford elaborou uma lista das 10 atracções turísticas mais cruéis envolvendo animais. Um grito, em forma de alerta e dedicado a todos quantos desejam (ainda que sem maldade, por desconhecimento e de forma inconsciente) visitar atracções turísticas que envolvam o contacto humano com animais. “As atracções foram avaliadas por especialistas em vida selvagem e comparadas com mais de 50 mil avaliações realizadas por turistas no TripAdvisor. Isto revelou que 80 por cento das pessoas criticaram positivamente negócios que tratam os animais selvagens com crueldade”, garante o relatório da pesquisa elaborado pela World Animal Protection.
Este post pretende ser uma chamada à reflexão para que, todos, possamos educar as nossas crianças na responsabilidade de construir um mundo mais aprazível e respeitador para todos os seus habitantes.
Passeios de elefante
Para que os elefantes se tornem suficientemente submissos para serem montados por turistas, eles são levados quando bebés e forçados a passar por um processo de treino conhecido como “a quebra” – são mantidos numa jaula pequena ou presos com cordas/correntes para que só possam mover-se mediante ordens. A dor intensa é muitas vezes infligida com ganchos de metal ou ripas de madeira para rapidamente estabelecer a ordem. A Tailândia está no topo da lista do turismo mundial para os passeios de elefante, embora ocorram também noutros países asiáticos e tem ganho terreno na na África do Sul ao longo dos últimos dez anos.
Fotografar com tigres
Crias de tigre são separadas das mães nas primeiras semanas de vida para que possam ser usadas como adereços em fotos. São manuseadas e abraçadas por turistas e normalmente mantidas acorrentadas ou em pequenas jaulas. Na Tailândia, foram encontrados dez locais que acomodam 614 tigres. A prática também é comum noutras partes da Ásia e em países como a Austrália, México e Argentina.
Passear com leões
Crias de leões são arrancadas às progenitoras quando têm um mês para suprir a crescente indústria do turismo com leão, a maioria localizada na África do Sul. Os turistas mexem nos leões bebés durante horas e posam com eles para fotos. Muitas vezes, estas crias são mal tratadas a fim de exibirem comportamentos agressivos. Quando os filhotes crescem e se tornam demasiado grandes para serem abraçados pelos turistas, mas ainda são jovens o suficiente para serem controlados, alguns são usados para uma experiência turística relativamente nova: o passeio com leões. Os leões são treinados para passearem de forma “segura” com turistas, às vezes com coleiras.
Visitar parques de ursos
Os ursos são mantidos em ‘poços’ estéreis com o mínimo – se houver – de enriquecimento comportamental. Estes poços são extremamente superlotados. Os ursos são especialmente solitários na natureza, sendo assim, a superlotação gera lutas internas e graves lesões. O stress associado a essas condições de cativeiro pode aumentar a vulnerabilidade dos animais selvagens a doenças causadas por infecções bacterianas. Às vezes, estes ursos são também fantasiados de palhaços e realizam truques de circo, como andar de bicicleta ou balançar em uma esfera.
Segurar tartarugas marinhas
A última quinta de tartarugas marinhas no mundo, que ainda funciona como atracção turística, está nas Ilhas Caimão. Os turistas podem segurar tartarugas e até mesmo comê-las. Segurar uma tartaruga marinha causa-lhe um elevado grau de stress, o que pode enfraquecer o seu sistema imunológico e aumentar a sua vulnerabilidade a doenças. As tartarugas marinhas são criaturas naturalmente tímidas. Quando manuseadas por humanos, muitas vezes entram em pânico e batem intensamente as barbatanas, podendo causar fracturas nas próprias.
Shows de golfinhos
Alguns países, como os Estados Unidos, proíbem que os golfinhos sejam capturados no seu habitat natural e levados para esses tanques. Mas, há locais onde estes animais são perseguidos por embarcações em alta velocidade antes de serem puxados a bordo ou capturados em redes. Para muitos, o stress é tão grande que morrem durante o transporte. Já os que são mantidos em tanques, quer sejam capturados ou criados em cativeiro, enfrentam uma vida de sofrimento, confinados a um espaço não muito maior do que uma piscina – completamente antinatural e restritivo em relação ao seu ambiente natural em mar aberto. As piscinas são frequentemente tratadas com cloro, que pode causar irritações dolorosas na pele e nos olhos. Os golfinhos em tanques sofrem ainda de queimaduras solares, porque eles não podem escapar para as profundezas do oceano, também enfrentam doenças relacionadas com o stress e podem sofrer de ataques cardíacos e úlceras gástricas.
Aqui, contra nós falamos que, por duas vezes levamos as manas a shows de golfinhos. Uma na Zoo de Lisboa e outra no Seaquarium, em Miami. Não presenciámos maus tratos visíveis aos animais, em nenhum dos lugares, ainda assim, não repetiremos.
Macacos bailarinos
Macacos jovens são treinados de forma agressiva e dolorosa, para que se pareçam a humanos na sua forma de andar. São frequentemente fantasiados e repetidamente forçados a dançar e a executar truques para grupos de turistas. Quando não estão “em palco”, os macacos são frequentemente mantidos acorrentados em pequenas jaulas ou ao ar livre, com correntes curtas.
Passeio em plantações de café civeta
Uma única chávena de café civeta ou Kopi Luwak, chega a US$ 10027. As civetas adoram comer as sementes do café e o café Kopi Luwak é feito a partir dos grãos contidos dentro das sementes que as civetas excretam. Quando os grãos das civetas são colectados nos seus habitats naturais, não há crueldade envolvida. Mas, numa tentativa de produzir mais café civeta, os agricultores começaram a apanha-las e a mantê-las em gaiolas pequenas. As civetas engaioladas são incentivadas a consumir uma dieta desequilibrada de sementes de café. Este cativeiro antinatural e a alimentação forçada resultam em lesões, doenças e má nutrição. Existe agora uma crescente indústria do turismo de plantação de café civeta na Indonésia, onde os turistas visitam os animais enjauladas e provam o café. Isso faz com que mais civetas sejam enjauladas e vitimas de abusos.
Encantar serpentes e beijar cobras
Desde há séculos que existem os encantadores de serpentes. Esta actividade de entretenimento de rua tem agora uma aliada na Tailândia: beijar cobras. Os animais, ainda que venenosos, são comummente usados para apresentações. As cobras são normalmente capturadas na natureza, sendo depois debilitadas com um alicate de metal e seus dutos de veneno bloqueados ou removidos – muitas vezes com equipamentos não higienizados. Isso resulta em infecções dolorosas, que podem matá-las.
Quintas de crocodilos
Centenas de crocodilos são mantidos em cativeiro principalmente para abastecer a indústria da moda com as suas peles e a da carne. Não é incomum vê-los também em exposição em restaurantes. Os animais são normalmente alojados em poços com dezenas de outros animais da mesma espécie, sem condições de higiene. Os crocodilos são muito sensíveis ao stress e não são raras as vezes que sucumbem vítimas de septicemia. Os animais chegam a lutar entre si por comida e água, situações que os conduzem muitas vezes à morte.
"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante." - Albert Schwweitzer - Nobel da Paz - 1952.
Fonte: Ciclo Vivo
Fotos: Internet


















