São Tomé e Príncipe - As dicas!

13.4.16
Leve, leve” – é assim que nos respondem os locais quando lhes perguntamos como estão. É este o lema de São Tomé e Príncipe (STP), conhecido pela “Jóia de África”. Este seguro e tranquilo paraíso, no Golfo da Guiné, tem cores, sabores, aromas e gentes únicas, hospitaleiras e carinhosas! Um sorriso é sempre devolvido em dobro. Aqui, fala-se português e a simpatia (genuína) é soberana. Este, é o estado de espírito de um povo que, não sendo rico (no sentido lato da palavra), tem a felicidade de viver numa terra excepcionalmente fértil, com um mar riquíssimo em delicioso peixe e uma natureza impar. 


Longe, muito distante mesmo, de ser um destino turístico de massas, este arquipélago é, entre 75 florestas de África, e em termos biológicos, a segunda floresta mais importante. Só Príncipe, encabeça a lista de preservação do maior número de espécies endémicas. É mesmo um dos últimos paraísos com biodiversidade auto-sustentável do Planeta. Como nos confidenciou e demonstrou, o responsável pelo Jardim Botânico, é na floresta que reside a farmácia. Medicamentos para todas as patologias, é fascinante! A diversidade é tanta, com tantas texturas, tons, sons, ritmos tão próprios… um cenário encantado para as crianças. 


Partilhamos agora, aquelas que consideramos serem as dicas mais importantes a ter em consideração, na hora de descobrir o paraíso. Faremos depois, uma série de posts exclusivamente sobre cada região e hotéis. Preparados? Vamos lá!

Clima e quando ir

Sempre! O clima é ameno ao longo de todo o ano. Mais quente e seco entre Dezembro e Fevereiro e nublado (pela grava) nos meses de Junho, Julho e Agosto (os meses menos interessantes, segundo os locais, para conhecer STP). É um clima equatorial, com temperaturas médias anuais que variam entre os 22 e os 30 graus centígrados. Mesmo quando chove é fantástico e pouco ou nada arrefece. Neste éden, a água do mar é cristalina, com uma temperatura média de 27 graus, as praias são desertas e rodeadas de coqueiros que se estendem até à beira mar. As paisagens são deslumbrantes, recheadas de cascatas, vegetação luxuriante, florestas impenetráveis e ainda virgens, onde imperam macacos, papagaios e, mais a Norte de São Tomé, as letais cobras pretas - a espécie foi introduzida para controlar a população de ratos, que atacava as plantações de cacau e café. Esta cobra só ataca quando se sente ameaçada, se for pisada, por exemplo e só injecta todo o seu veneno se estiver em risco de vida porque a seguir morre ela também. Por isso, embrenhem-se "tranquilos" pelo verde de perder de vista.

Como ir

A TAP voa para São Tomé e Príncipe mas faz uma escala de 45 minutos no Gana. A STP voa directo. Voamos na TAP e, apesar de termos comprado as viagens em cima da hora, pagamos pouco mais de €650 cada um. Pesquisando com antecedência encontram-se tarifas ainda mais económicas. Na despedida, cada passageiro terá que pagar uma taxa de €20.

Entre ilhas


A STP garante as ligações entre São Tomé e a ilha do Príncipe, num avião de 18 lugares. Cada bilhete (ida e volta) está tarifado em cerca de €200. Podem adquirir directamente no site da STP (foi o que fizemos)

Existe também um ferry que sai de São Tomé ao final do dia para chegar a Príncipe com os primeiros raios de sol. Para quem tem muito tempo disponível e boas relações com a ondulação mais exigente, é uma alternativa mais em conta.

Quantos dias


No mínimo três dias completos em São Tomé para poderem explorar bem o Norte – Centro e Sul da ilha. Para Príncipe, pelo menos quatro dias, para poderem conhecer e desfrutar do que a natureza oferece e não é pouco! São praias e praias desertas, de água quente... Se o paraíso existe ele tem o Príncipe como morada! A ilha tem algumas daquelas que são consideradas as praias mais bonitas do mundo – Praia Banana (que a Bacardi usa para os seus anúncios), Praia Macaco, Praia Boi, Praia Grande, Praia Bom Bom, Praia Santa Rita... Alguma dúvida?!


Visto
Se permanecerem até 15 dias estão dispensados.

Alojamento - As nossas opções e valores (lembramos que somos quatro)

Em São Tomé

Pestana São Tomé - Hotel muito convidativo, na cidade, com uma variedade e qualidade gastronómica notáveis. Cerca de €350 por noite, em regime de meia pensão.

Eco Lodge Praia Inhame - Bungalows (casas) de madeira, que nascem da floresta tropical até à famosa Praia Inhame. Todo o hotel foi pensado em termos auto-sustentáveis e de apoio à população local. Encantador! €150 por noite, com pequeno almoço.

No Príncipe

Roça Belomonte - Uma roça recuperada e transformada em pousada de luxo, com acesso e praia própria, a Praia Banana, considerada uma das mais bonitas do mundo. Para mim, é de facto, a mais maravilhosa que conheci, até hoje! €510 por noite em regime de tudo incluído (TI)

Bombom Island Resort - Um resort de sonho, com bungalows muito bem distribuídos ao longo de duas fantásticas praias - Praia BomBom e Praia Santa Rita. Foi aqui que celebramos as minhas 40 primaveras! €500 por noite em TI

Com excepção do Pestana, conseguimos tarifas com 10% desconto, contratando directamente com os hotéis.

Ilhéu das Rolas – visitar ou ficar?


Visitamos o ilhéu mas optámos por não nos hospedarmos por lá (não nos arrependemos). O ilhéu é bonito mas só tem 3km2 e está votado ao abandono. O único resort existente carece de intervenção urgente. Correndo o risco de ser mal interpretada, diria que de tudo o que vimos em STP é talvez o "menos interessante" (se é que isso existe naquele arquipélago). Vale a pena cruzar a linha do Equador, no marco e no mar, conhecer o ilhéu ... Para isso, podem contratar guias localmente ou ir à aventura. Fomos com o marinheiro que nos transportou desde o Eco Lodge Praia Inhame (onde ficamos hospedados) até às Rolas (uma viagem de 10 minutos de barco). Com crianças pequenas, convém reservarem um dia só para o ilhéu, já que o único meio de transporte são as pernas, há muitas subidas e descidas, trilhos na floresta e: o calor com a humidade podem ser uma mistura explosiva e tornar a aventura muito desafiante. A visita ao ilhéu tem um custo de €6 por adulto e €3 por criança. O transporte (de barco) até ao ilhéu é de €10 por adulto e €5 por criança.

Guia ou carro alugado?! 

É uma decisão muito pessoal e aqui, não foi consensual. O Ernesto queria que alugássemos simplesmente um carro, como fazemos sempre, e partíssemos à aventura. Eu, por ser África, acreditei (que crença tão limitadora e desnecessária) que poderia ser arriscado, sobretudo pelas mais pequenas… Assim, em São Tomé, e recomendado por uma amiga, contratamos um guia com viatura 4x4, que nos acompanhou apenas por dois dias (Centro e Norte da ilha) – desembolsamos €360. O terceiro dia andamos por conta própria, no Sul (onde ficam as praias mais bonitas da ilha – Praia Jalé, Praia Piscina e Praia Inhame) e pelo Ilhéu das Rolas. O transfere que nos levou da Praia Inhame, no Sul, até ao aeroporto (um percurso de cerca de duas horas) custou €60. Mas, quem quer conhecer São Tomé, mesmo com crianças, pode simplesmente alugar um todo-o-terreno (o único capaz de fazer frente às más condições de algumas estradas). Os hotéis asseguram o aluguer (por €50 dia), até porque, não há muitas viaturas disponíveis. Com um mapa, que também vos é fornecido no hotel, percorrem toda a ilha, sem dificuldade. Alguma dúvida, há sempre um habitante por perto e disponível para esclarecer. É o que faremos da próxima vez que visitarmos São Tomé. Já em Príncipe, aconselhamos um guia. Se assim não fosse, desconfio que ainda andávamos a ver os macacos a saltarem de palmeira em palmeira. A Roça Belomonte e o Bom Bom, disponibilizaram-nos guias deles que nos revelaram alguns dos imensos encantos do Príncipe. Atenção a um pormenor: quer seja viatura com guia ou não, não existem cadeiras auto para crianças, nos carros. 

Transporte de bebés e crianças pequenas


Não é um destino que se adeqúe a carros de bebé. Apostem nos slings ou nos panos. Aproveitem, e peçam às mães são-tomenses que vos ensinem a colocar os vossos filhos, como ela transportam os seus (até aos dois/três anos). É um momento giríssimo, estas mulheres sentem-se muito orgulhosas e nós umas “nabas”. 

Vacinação

A vacina da febre amarela já não é obrigatória para viajar para este paraíso. O país, com a ajuda de Taiwan tem redobrado esforços no combate ao paludismo e à malária. Em Príncipe, há quatro anos que não surge um único caso de febre amarela e em São Tomé, poucos aparecem. 

Saúde

É um tema sensível em STP. O serviço público não tem qualidade, nem meios, o privado quase inexistente e segue as mesmas linhas do público. Se acontecer algum contratempo mais grave, o mais certo é serem encaminhados para os vizinhos Gabão ou Gana, onde, segundo as nossas fontes, serão muitíssimo bem atendidos. 

Atenção

Esta terra também é fértil em insectos maçadores e atrevidos que atacam sobretudo ao amanhecer e ao cair da noite! Melgas, mosquitos, moscas, formigas gigantes, centopeias... E, mesmo que sejam biólogos ou colecionadores de insectos, convém que apliquem bastante repelente. Na praia e arredores, assim que o sol se põe, centenas de caranguejos, de varias espécies, invadem os areais. Durante o dia estão abrigados do calor, escondidos em buracos, junto ao fresco dos coqueiros. 

Alimentação


Estivemos em regime de meia pensão, em São Tomé e tudo incluído em Príncipe. Com as miúdas é importante garantir o pequeno-almoço e o jantar. Para o almoço, há várias sugestões consoante a zona da ilha que visitem. Partilhamos alguns restaurantes que experimentámos e adorámos (façam sempre marcação prévia para garantirem lugar). Se forem amantes de peixe, aproveitem para abusar! É maravilhoso!

São Tomé:

Zona Centro: Club Santana – Na vila de Santana O site do Club
Zona Norte: Restaurante Santola – Cidade de Neves
Zona Sul: Eco Lodge Praia Inhame - Cidade de Porto Alegre

Outros:

Roça São João dos Angolares - https://www.facebook.com/rocasaojoao
Dona Tété - https://www.facebook.com/restaurantedonatete
Papa Figo

Príncipe:

Praia Banana – através da Roça Belomonte que confecciona verdadeiros banquetes na praia
BomBom Island

Preços

São Tomé, por ser uma ilha e, apesar de ter um solo fértil e um mar abundante em peixe e marisco, ainda depende e muito do exterior. A maioria dos produtos que aqui se consomem são importados de Portugal e da Líbia o que encarece o custo e não é pouco. E dito isto, posso dar-vos o exemplo de um simples chocolate, que apesar de ser produzido na ilha, chega às prateleiras do supermercado por €13 e uma garrafa de água (Luso) por €2! Ainda assim, é possível fazer refeições em conta, aquelas que dependem, em exclusivo, dos produtos que aquela terra e mar dão.

Em Príncipe, dá-se o fenómeno da dupla insularidade, uma vez que os produtos têm que chegar a São Tomé e daí vão até Príncipe. Ou seja, é ainda mais caro. 

Moeda

A moeda de STP é a dobra. 1 euro são 24.500 dobras. Tenham apenas atenção que as notas de 1000 e de 10.000 e as de 500 e 5.0000 são muito idênticas. Podem trocar euros e dólares nos hotéis, o câmbio é fixo. Trocamos apenas 100$ (para toda a viagem) com a responsável da empresa onde contratámos o guia e nos fez um câmbio mais em conta. Os restantes pagamentos fizemos com cartão ou transferências bancárias online e, para outros usamos euros, que são aceites em praticamente todo o lado. 

Tomadas

Iguais às nossas

Obrigatório levar

Repelente
Fenistil ou semelhante (acreditem que mesmo besuntados de repelente vão ser cumprimentados por uma melga ou mosquito)
Protector solar (factor de protecção elevado)

O que oferecer, como e a quem


Levem brinquedos, roupa, calçado (sempre de Primavera – Verão), material escolar, livros, pasta de dentes e escovas e entreguem às crianças e famílias das populações mais isoladas, onde existem menos apoios e são mais carenciadas. 
Se optarem por entregar numa ONG, saibam que, em São Tomé operam 160. Mas, à semelhança do que acontece noutros países, nem todas canalizam os bens a quem se destinam. Muitas ofertas são desviadas, vendidas... Certifiquem-se, com conhecidos, que estão a entregar às pessoas certas, no sitio certo.

Quanto aos doces, vão ouvir muitas vezes: "dá-me doce, doce”. Evitem dar. Nem sequer levamos!! Pode parecer cruel mas não é. Estas crianças não têm acesso a dentistas, além disso, consomem bastantes frutas tropicais que são suficientemente doces. Ao lançar-lhes doces, vão estar a promover a disputa entre semelhantes e em nada as dignifica enquanto seres humanos. Elas vão simplesmente disparar a correr atrás do carro e correm o risco de se magoarem seriamente. Todos os voluntários que com quem conversamos, garantiram-nos o mesmo: "É um péssimo hábito introduzido pelos turistas. Estas crianças não precisam que lhes atirem doces para as cativar, não são animais no zoológico"...

Para Príncipe, cada passageiro está autorizado a transportar até 15kg. Os bens que quiserem doar, incluindo medicamentos (tão necessários) podem entregar, com confiança absoluta, às irmãs Maria e Eufrosina, irmãs servas da Sagrada Família (vivem numa casa, praticamente em frente à igreja, na cidade de Santo António) e que auxiliam as populações mais carentes daquela ilha. Também podem entregar, com igual confiança, na Associação Rosa Pão (rosapaoprincipe@gmail.com e https://www.facebook.com/Rosa-Pão).

Fotografias

As crianças adoram ser fotografadas, já os adultos, nem tanto, sobretudo nos mercados. Aqui, podem mesmo ser agressivos. Peçam sempre autorização antes de fotografar as pessoas e mostrem-lhes o resultado final. Elas deliram! 

O que comprar


Como imaginarão, STP não é o comum destino de compras. Ainda assim, deixem-se invadir pelas cores e aromas dos mercados e ajudem a economia local, comprando, por exemplo, malaguetas, óleo de palma, óleo de coco, frutas exóticas. Podem transportar no avião e aventurarem-se em cozinhados com novos paladares. Nós, até cacau trouxemos, para plantarmos um cacaueiro. Vamos ver no que dá! Depois, há todo o artesanato, bem interessante, por sinal. Panos com cores fantásticas e quentes. E claro, os chocolates – comprem no supermercado que poupam imenso.


Um vídeo verdadeiramente inspirador sobre o paraíso de Príncipe. 

Já sabem como e porquê fomos bater a STP? Coisas do "acaso"… aqui.

E algo que têm mesmo que fazer em STP? Contamos neste post.

Outra coisa que não vão querer perder e que é tão doce.

Entretanto, se tiverem dicas a acrescentar a estas, partilhem connosco, são sempre bem-vindas. Até já!

Da Rússia a São Tomé e Príncipe, de dentro para fora

11.4.16
Esta semana começo a escrever os posts sobre esta nossa riquíssima viagem a São Tomé e Príncipe.


Hoje, quero apenas partilhar um “acaso” (coisa que não existe nas nossas vidas). Tínhamos tudo programado para irmos para a Rússia. Só eu preciso de visto, já que a Venezuela tem acordos com este país e tanto as miúdas quanto o pai, são também venezuelanos. Deu um trabalhão tratar do visto (hei-de contar-vos, em pormenor, noutra altura). Entretanto, a TAP altera a data da ida e ficamos com menos dias disponíveis. Ainda refiz o roteiro mas não iríamos aproveitar muito. Além disso, em Moscovo, tinha acabado de cair o maior nevão dos últimos 50 anos e estava um frio de rachar! Como não é possível acrescentar dias ao visto, também não era praticável regressar mais tarde e compensar a ida mais tardia. Depois de muitas negociações (árduas) com os hotéis, consegui que, pelo menos dois, aceitassem a alteração das datas para Setembro. Assim, e em cima da hora, ficamos com as férias da Páscoa em aberto. Ponderamos vários destinos. Seleccionámos locais quentes e o mais naturais possível. Mas, faltava encontrar aquele lugar, aquele onde a nossa ida pudesse realmente mudar algo nas nossas vidas e na de terceiros... Eis que, “do nada”, surge São Tomé e Príncipe!
O Ernesto na Venezuela e eu em Portugal. Era 1h quando iniciámos a busca conjunta de voos, alojamento... Às 4h a tarefa estava, finalmente, concluída com sucesso. Daí a dez dias partíamos para uma das grandes aventuras das nossas vidas.


Em miúda quis ser missionária para embarcar para África, com as irmãs do colégio (sou antiga aluna Salesiana). Enquanto não ia, enviava bens – material escolar, roupa, calçado... Com o crescimento, entendi que as missões se fazem também em casa e foi assim que entrei (de forma muito singela) neste admirável mundo (o Ernesto já acompanhou parte deste percurso – sim, caminhamos juntos há praticamente 21 anos). Primeiro em Cascais, no Bairro da Torre. Onde hoje irradiam luxuosos edifícios, existiam barracas. Era ali que viviam dezenas de famílias, a maior parte de origem africana, totalmente desamparadas. Foi o primeiro contacto com os rostos e nomes dos que pouco ou nada têm e isso: faz muita diferença, toda, aliás! Ajudar à distância é fácil, é indolor. Enche-nos de alegria mas é efémero, não custa. Estar no terreno muda toda a perspectiva e recebemos muito mais do que o que alguma vez possamos dar. Voltei a ter vontade de fazer as malas e partir. Na Venezuela também participamos em acções de voluntariado mas de uma forma mais distante por causa da insegurança absurda em que o país está mergulhado e isso, não me preenche... Agora, estava a dias de completar 40 anos e, além do Ernesto, tínhamos as nossas duas filhas com quem eu podia partilhar este sonho antigo. Fomos e, se nunca voltamos os mesmos das viagens que fazemos, desta vez então, somos outros!


Conhecemos pessoas que, de tão altruístas e fraternas que são, bem podiam ser corações com nome. Conhecemos, crescemos, demo-nos mas recebemos muitíssimo mais, e não é um cliché. Outra coisa que aprendemos foi, e por incrível que possa parecer, a pobreza não é igual em África e na América Latina. Em África, aceitam genuinamente o que se lhes dá, na América Latina (e a nossa experiência reduz-se à Venezuela), olham primeiro para as marcas do que se lhes oferece. É quase alienígena mas é real e revela tanto do mundo em que vivemos...


Duas coisas que os quatro trouxemos como certeza: queremos regressar e sim, “serás abençoado quando te fizeres bênção na vida dos outros”!

10 atracções turísticas a eliminar

1.3.16
Hoje celebra-se o dia do Turismo Ecológico. Já muito foi conquistado nesta área, ainda assim, há terreno a desbravar. O Departamento de Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford elaborou uma lista das 10 atracções turísticas mais cruéis envolvendo animais. Um grito, em forma de alerta e dedicado a todos quantos desejam (ainda que sem maldade, por desconhecimento e de forma inconsciente) visitar atracções turísticas que envolvam o contacto humano com animais. “As atracções foram avaliadas por especialistas em vida selvagem e comparadas com mais de 50 mil avaliações realizadas por turistas no TripAdvisor. Isto revelou que 80 por cento das pessoas criticaram positivamente negócios que tratam os animais selvagens com crueldade”, garante o relatório da pesquisa elaborado pela World Animal Protection. 


Este post pretende ser uma chamada à reflexão para que, todos, possamos educar as nossas crianças na responsabilidade de construir um mundo mais aprazível e respeitador para todos os seus habitantes.


Passeios de elefante

Para que os elefantes se tornem suficientemente submissos para serem montados por turistas, eles são levados quando bebés e forçados a passar por um processo de treino conhecido como “a quebra” – são mantidos numa jaula pequena ou presos com cordas/correntes para que só possam mover-se mediante ordens. A dor intensa é muitas vezes infligida com ganchos de metal ou ripas de madeira para rapidamente estabelecer a ordem. A Tailândia está no topo da lista do turismo mundial para os passeios de elefante, embora ocorram também noutros países asiáticos e tem ganho terreno na na África do Sul ao longo dos últimos dez anos.

Fotografar com tigres


Crias de tigre são separadas das mães nas primeiras semanas de vida para que possam ser usadas como adereços em fotos. São manuseadas e abraçadas por turistas e normalmente mantidas acorrentadas ou em pequenas jaulas. Na Tailândia, foram encontrados dez locais que acomodam 614 tigres. A prática também é comum noutras partes da Ásia e em países como a Austrália, México e Argentina.

Passear com leões

Crias de leões são arrancadas às progenitoras quando têm um mês para suprir a crescente indústria do turismo com leão, a maioria localizada na África do Sul. Os turistas mexem nos leões bebés durante horas e posam com eles para fotos. Muitas vezes, estas crias são mal tratadas a fim de exibirem comportamentos agressivos. Quando os filhotes crescem e se tornam demasiado grandes para serem abraçados pelos turistas, mas ainda são jovens o suficiente para serem controlados, alguns são usados para uma experiência turística relativamente nova: o passeio com leões. Os leões são treinados para passearem de forma “segura” com turistas, às vezes com coleiras.

Visitar parques de ursos

Os ursos são mantidos em ‘poços’ estéreis com o mínimo – se houver – de enriquecimento comportamental. Estes poços são extremamente superlotados. Os ursos são especialmente solitários na natureza, sendo assim, a superlotação gera lutas internas e graves lesões. O stress associado a essas condições de cativeiro pode aumentar a vulnerabilidade dos animais selvagens a doenças causadas por infecções bacterianas. Às vezes, estes ursos são também fantasiados de palhaços e realizam truques de circo, como andar de bicicleta ou balançar em uma esfera.

Segurar tartarugas marinhas

A última quinta de tartarugas marinhas no mundo, que ainda funciona como atracção turística, está nas Ilhas Caimão. Os turistas podem segurar tartarugas e até mesmo comê-las. Segurar uma tartaruga marinha causa-lhe um elevado grau de stress, o que pode enfraquecer o seu sistema imunológico e aumentar a sua vulnerabilidade a doenças. As tartarugas marinhas são criaturas naturalmente tímidas. Quando manuseadas por humanos, muitas vezes entram em pânico e batem intensamente as barbatanas, podendo causar fracturas nas próprias.

Shows de golfinhos

Alguns países, como os Estados Unidos, proíbem que os golfinhos sejam capturados no seu habitat natural e levados para esses tanques. Mas, há locais onde estes animais são perseguidos por embarcações em alta velocidade antes de serem puxados a bordo ou capturados em redes. Para muitos, o stress é tão grande que morrem durante o transporte. Já os que são mantidos em tanques, quer sejam capturados ou criados em cativeiro, enfrentam uma vida de sofrimento, confinados a  um espaço não muito maior do que uma piscina – completamente antinatural e restritivo em relação ao seu ambiente natural em mar aberto. As piscinas são frequentemente tratadas com cloro, que pode causar irritações dolorosas na pele e nos olhos. Os golfinhos em tanques sofrem ainda de queimaduras solares, porque eles não podem escapar para as profundezas do oceano, também enfrentam doenças relacionadas com o stress e podem sofrer de ataques cardíacos e úlceras gástricas.

Aqui, contra nós falamos que, por duas vezes levamos as manas a shows de golfinhos. Uma na Zoo de Lisboa e outra no Seaquarium, em Miami. Não presenciámos maus tratos visíveis aos animais, em nenhum dos lugares, ainda assim, não repetiremos. 

Macacos bailarinos


Macacos jovens são treinados de forma agressiva e dolorosa, para que se pareçam a humanos na sua forma de andar. São frequentemente fantasiados e repetidamente forçados a dançar e a executar truques para grupos de turistas. Quando não estão “em palco”, os macacos são frequentemente mantidos acorrentados em pequenas jaulas ou ao ar livre, com correntes curtas.

Passeio em plantações de café civeta


Uma única chávena de café civeta ou Kopi Luwak, chega a US$ 10027. As civetas adoram comer as sementes do café e o café Kopi Luwak é feito a partir dos grãos contidos dentro das sementes que as civetas excretam. Quando os grãos das civetas são colectados nos seus habitats naturais, não há crueldade envolvida. Mas, numa tentativa de produzir mais café civeta, os agricultores começaram a apanha-las e a mantê-las em gaiolas pequenas. As civetas engaioladas são incentivadas a consumir uma dieta desequilibrada de sementes de café. Este cativeiro antinatural e a alimentação forçada resultam em lesões, doenças e má nutrição. Existe agora uma crescente indústria do turismo de plantação de café civeta na Indonésia, onde os turistas visitam os animais enjauladas e provam o café. Isso faz com que mais civetas sejam enjauladas e vitimas de abusos.

Encantar serpentes e beijar cobras

Desde há séculos que existem os encantadores de serpentes. Esta actividade de entretenimento de rua tem agora uma aliada na Tailândia: beijar cobras. Os animais, ainda que venenosos, são comummente usados para apresentações. As cobras são normalmente capturadas na natureza, sendo depois debilitadas com um alicate de metal e seus dutos de veneno bloqueados ou removidos – muitas vezes com equipamentos não higienizados. Isso resulta em infecções dolorosas, que podem matá-las.

Quintas de crocodilos

Centenas de crocodilos são mantidos em cativeiro principalmente para abastecer a indústria da moda com as suas peles e a da carne. Não é incomum vê-los também em exposição em restaurantes. Os animais são normalmente alojados em poços com dezenas de outros animais da mesma espécie, sem condições de higiene. Os crocodilos são muito sensíveis ao stress e não são raras as vezes que sucumbem vítimas de septicemia. Os animais chegam a lutar entre si por comida e água, situações que os conduzem muitas vezes à morte.

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante." - Albert Schwweitzer - Nobel da Paz - 1952.

Fonte: Ciclo Vivo
Fotos: Internet


Parabéns a vocês

16.2.16
É com o coração a transbordar de gratidão que vos escrevemos este post. Viajamos juntos há 365! Tem sido uma viagem maravilhosa, repleta de partilhas deliciosas. Fizemos amigos de tantas nacionalidades, em tantas partes do Globo.


Somos apenas uma família que adora viajar. Não somos profissionais, não pretendemos ser. O nosso lema é mantermo-nos fieis à nossa genuinidade. Assim, fotos eventualmente desfocadas, com enquadramentos duvidosos, a privacidade das nossas filhas protegida, escrita com vírgulas a mais ou a menos podem pautar nesta nossa casa virtual. Contudo, escolhemos partilhar convosco as nossas vivências em viagem, a guarda-las só para nós. São vocês que nos inspiram e nos ajudam a sermos melhores.

Ficamos imensamente gratos quando o feedback é o de que conseguimos retribuir, inspirando famílias a fazerem as malas e a partirem à aventura. Quando uma família com uma criança com necessidades educativas especiais (NEE), como a nossa querida "maiúsca", decide finalmente, ultrapassar o medo e realizar um sonho e regressa super feliz e a programar as próximas aventuras, enche-nos a alma. Mas, as crianças são todas iguais, com ou sem NEE. Quem viaja com uma, viaja com todas. Ouçam a voz do vosso coração, ele conhece o caminho. Está tudo bem!

Não é preciso ficar hospedado num hotel de luxo assim como, também não é imperativo acampar. Podem ir de avião, barco, comboio, autocarro, autocaravana, a pé... Cada família sabe quais as melhores condições para se realizar enquanto viajante. Cada família conhece, melhor do que ninguém, qual o seu ritmo e somos todos tão diferentes. Só vocês, pais, saberão sentir e escutar os vossos filhos e decidirem, em conjunto, se os destinos são, ou não, acertados em cada momento. 

A intensidade de uma viagem não se mede pelo período de duração, nem pela distância. Uma viagem de um dia pode ser muitíssimo mais intensa do que outra de uma mês, ou várias por ano, por exemplo. O importante é estar em todas, de corpo e alma. Estarmos juntos, cúmplices em todos os momentos. 

Libertem-se das crenças limitadoras, aquelas que vos impedem de ir mais longe. 

O que os outros pensam é com eles, não tem a ver convosco. É sempre a percepção de terceiros e nunca a vossa realidade. 

Confiem nos vossos filhos e permitam que eles sejam verdadeiros cidadãos do mundo, responsáveis, honestos, aceitando e incluindo as diferenças, tornando-as em igualdades. A semente que hoje plantamos, amanhã dará frutos e a memória emocional não tem DEL. 

Foquem-se nos resultados, criem os pensamentos do que querem concretizar, actuem, sejam genuinamente felizes e viagem a espalhar essa felicidade! Só depende de cada um de vocês, porque a felicidade vem de dentro e reflecte-se fora. E não se esqueçam, nada tem mais influência na vida de uma criança do que o exemplo dos pais. O que quer que decidam fazer, em conjunto com os vossos filhos, façam-nos sempre com muito amor.

Que continuemos a somar milhas e milhas, sempre na vossa querida companhia. Bem-hajam! Um beijinho grande e um abraço,
Rita, Ernesto, Constança (mana "maiúsca") e Madalena (mana "minúsca")


Miles in Family no Instragram 

Twitter - @milesinfamily

10 passos que preparam as crianças para as viagens

10.2.16
As crianças são naturalmente curiosas e gostam de participar na vida quotidiana da família. Se viajamos com elas é porque queremos proporcionar-lhes memórias para a vida. As nossas, são chamadas à mesa das decisões. Desde a escolha do destino até à rota a traçar. Deliram!


Partilhamos os dez passos que utilizamos para preparar as nossas filhas para as viagens:

1 - O que querem fazer?
Perguntamos sempre o que gostariam de fazer na próxima viagem. Descansar na praia? Neve? Conhecer uma cidade? Viajar de carro, comboio, navio? Visitar museus? Desta forma, elas sentem-se parte da aventura desde o primeiro instante.

2 - Vídeos e fotografias
Depois de eleito o destino, procuramos vídeos sobre o mesmo na Internet. Seleccionamos os mais interessantes e curtos e vemos juntos. Conversamos sobre o que vimos, vemos fotografias dos locais que mais as atraíram e encontramos no globo a localização geográfica daquele país. Fazemos ainda um quadro onde colocamos (em imagens) os aspectos mais relevantes do que vamos conhecer.
Deixamo-las começarem logo a sentir-se em aventuras mil!


3 - Livros
Temos várias edições de livros infantis sobre cidades do mundo, países, história, tradições, fauna e flora... Alguns em português, outros em inglês, francês e castelhano. Os livros permitem-nos viajar na imaginação e criarmos o nosso próprio modelo do mundo do que será o próximo destino. Deliciosos!

4 - Sites
Há vários sites que disponibilizam desenhos para recortar, colorir, factos históricos contados de forma trivial... Gostamos particularmente do Brain Pop.


5 - Jogos e perguntas mistério 
"Ponha o dedo no ar quem souber qual é o maior país do mundo?!", "como se chamam os caminhos dos comboios?", "quais as cores da bandeira dos Estados Unidos?"... Seguem-se outras perguntas, não fossem as crianças peritas em questionar tudo. E surgem as respostas, muitas delas divertidas. Há ainda as questões curiosas que nos levam a pesquisar ainda mais sobre os destinos. Também construímos puzzles e organizamos a caça ao tesouro. 


6 - Guias
Os guias de viagem são amigos fantásticos. Como a mana "maiúsca" ainda não faz a 100% leitura analítica, gostamos dos guias da DK. São riquíssimos em imagens, fotografias e mapas que ela regista ao pormenor por ter uma memória visual prodigiosa. Existem outros, da Lonely Planet destinados a crianças. Juntamos ainda as imagens que retiramos das brochuras de agências de viagens, revistas... O sonho começa a ganhar forma! 


7 - Visitas virtuais
Gostamos de visitar os locais e museus através das Webcams. Hoje, já é possível fazer visitas virtuais em grande parte dos museus. Assim, consoante o interesse demonstrado por ambas, já decidimos o que queremos ou não realmente conhecer.

8 - Gastronomia
Aproveitamos para apurar o paladar. Até porque, se a "minúsca" come de tudo, a "maíúsca" nem tanto e é preciso antever alguns cenários. Quando encontramos receitas simples, mesmo muito simples (já que eu não sou dada a grandes cozinhados) aventuramo-nos na cozinha, em experiências do mundo. Caso contrário, procuramos restaurantes ou supermercados típicos dos países a visitar e vamos aguçando os sentidos.


9 - Música
Gostamos da diversidade cultural também nesta área. Pesquisamos no Youtube quais as músicas tradicionais, clássicas, fusões... acabamos sempre a dançar!

10 - Etiqueta
"Cada terra com seu uso cada roca com seu fuso", já diz o ditado. É super divertido descobrir os hábitos e a etiqueta de cada país e praticar antes de embarcarmos. Lembrar que quando entramos numa casa nórdica, descalçamos os sapatos, por exemplo. Impossível esquecer o quanto elas se riram quando lhes disse que não podiam falar no metro, no Japão, para não incomodar o passageiro do lado, e que na Terra do Sol nascente também não é nada de bom tom assoarmo-nos em público...
Que possamos todos crescer nas diferenças! 

E lembrem-se, somos nós os exemplos dos nossos filhos! Como vivenciarmos todo o processo, assim eles o farão...

Os melhores embaixadores

7.2.16
As crianças serão sempre os melhores embaixadores que existirão, com a sua sublime habilidade para quebrar o gelo em menos de cinco minutos. E esta é uma das grandes vantagens de viajarmos com os nossos filhos! Acreditem que viajar com crianças leva-nos a alterar hábitos de viagem e para melhor. 

Ao contrário de nós, adultos, já moldados por crenças antigas, a elas basta-lhes um olhar para começarem a tratar os estranhos como membros da família. 


E tem sido assim que nas nossas viagens temos conhecido as pessoas mais incríveis. Desde locais a viajantes. Em menos de nada, estamos a conversar, a partilhar histórias, hábitos e costumes, tantas vezes tão diferentes. 

Há países onde os habitantes só se aproximam dos estrangeiros se virem as crianças. Em Oman, as mulheres são particularmente curiosas e fascinadas com os nossos bebés e pedem para os fotografar e pegar neles ao colo. 


É bom estarmos preparados para esses momentos que inevitavelmente acontecem e vêm plenos de transformação. 

Que tenhamos sempre presente que o propósito da vida é vivermos em alegria e no amor. Deixemos que sejam as nossas crianças a guiarem-nos nessa maravilhosa tarefa.

O que vos diz a vossa experiência de famílias viajantes?

Há um ano partilhamos aqui o quão fascinante e as vantagens de viajarmos com as nossas filhas.

Desafio com os sabores do mundo

28.1.16
Um dos maiores desafios quando viajamos com crianças, pode muito bem ser a questão da alimentação. Sobretudo, quando partimos à descoberta de destinos mais exóticos que o habitual. Aqui, a filha mais nova repasta-se com qualquer manjar, já a mais velha tem várias questões a ultrapassar em matéria gastronómica, apesar de querer sempre provar de tudo, o que é um excelente ponto de partida. Estamos no final de Janeiro e o ano promete rotas longínquas e com paladares tão diferentes dos nossos. E eis que, nem de propósito, o meu apetite é posto à prova com "A Volta ao Mundo em 80 Pratos"! Numa frase? De fazer crescer água na boca!


A obra de David Loftus é uma adaptação gastronómica inspirada na obra do escritor Júlio Verne. Uma viagem de circunavegação à descoberta das criações culinárias de muitos dos mais conceituados chefes da actualidade.


Jamie Oliver, que assina o prefácio, relata que “é como o Top of the Pops da comida excitante - as melhores garfadas num livro extraordinário”. 


Aqui, podem escolher o destino e saboreá-lo. E é o que vamos começar a fazer, em família para educar os paladares para as aventuras que se avizinham. Como sugere o autor, é só ligar o fogão, escolher um destino e preparar-se para partir... Sendo que esta mãe não é dotada para a culinária: desejem-me boa sorte! Aliás, muito boa sorte!! 


"Ergamos os nossos copos às viagens e aos companheiros de viagem; aos amigos presentes e ausentes; à partilha destas receitas e destes momentos com os entes queridos; ao encher blocos com receitas e recortes como os nossos antepassados faziam; à escrita de diários e livros de desenho; e - principalmente - ao abraçar a vida."
David Loftus