Sai uma poncha?

30.5.16
Falar da Ilha da Madeira e não falar de poncha soa a incompleto. Esta bebida tradicional da Madeira faz parte dos convívios entre familiares, amigos, naturais ou turistas. Confesso que não consigo beber nenhuma das suas muitas versões, mas só porque não bebo álcool. Ainda assim, mostro-vos como se faz.


Receita:

A poncha regional é feita com metade de sumo de limão e metade de sumo de laranja. A seguir é adicionado o mel de abelha e, depois, deitado a mesma quantidade de sumo mas em aguardente (só o cheiro anestesia). Por fim, mistura-se tudo muito bem, com o mexilhote e está pronta a beber (só para os valentes)! 

E, antes do pai regressar ao dia-a-dia de uma Venezuela em convulsão, demos um salto à poncha, porque ele garante que é a melhor toma profilática (para adultos) que existe no mercado, é uma espécie de reforço do sistema imunitário (juram os locais)!





Já existem versões modernas, mais suaves, de tangerina, laranja, maracujá e outras. 
Foi na Venda do André, uma deliciosa mercearia do antigamente, algures nas montanhas do Concelho de Câmara de Lobos, que encontramos esta, de tangerina. 





Algum voluntário? 

O "petróleo" de São Tomé e Príncipe

27.5.16
Olhar para estes carris e imaginar que aqui circulavam diariamente, dezenas de vagões recheados de toneladas de cacau, o petróleo de São Tomé e Príncipe (STP) e um dos símbolos do colonialismo português, é qualquer coisa de arrepiante. Chega a ser difícil explicar às crianças tanta imponência. 


40 Anos depois da independência subsistem os cacaueiros deixados pelos portugueses e, apesar do cacau já não ter o domínio de outrora, representa, de acordo com dados do Governo são-tomense, cerca de 90% do valor total das exportações. 


Por toda a ilha, é possível sentir o aroma a cacau que vem dos armazéns onde é depositado. Foi debaixo de uma tempestade tropical, na Roça Agostinho Neto, antiga Rio do Ouro que encontramos os pequenos agricultores que ali depositam o seu cacau. A seguir, Nazária, neta de escravos que trabalhavam as terras férteis do cacau e café, retira as impurezas que o possam acompanhar e pesa-o. Passa depois para as várias etapas de secagem até ser processado em maquinaria ancestral.




Há semelhança do que acontece em praticamente todas as roças - ainda activas - de STP, neste armazém onde se respira história, todo o processo é muito artesanal e natural. A qualidade do cacau de STP é mundialmente reconhecida, e a sua versão biológica, está a renovar a dignificação do nome deste arquipélago. Para esse efeito foi criada a Cooperativa dos Pequenos Agricultores e Produtores de Cacau Biológico (CECAB) que inclui um extenso programa social de apoio aos agricultores que passa, por exemplo, por atribuir descontos nas consultas médicas e a possibilidade de comprarem os materiais de trabalho a preços mais acessíveis. O grupo privado francês “Chocolaterie Frigoulette” que vende chocolate de elevadíssima qualidade na Suíça, Rússia, e Bélgica, é o principal cliente deste cacau.




E, a viver há 20 anos em STP, o italiano Claudio Corallo, apostou tudo no alimento dos deuses e transforma-o, localmente, num dos melhores chocolates do mundo, tendo já recebido várias distinções internacionais nesse sentido.


No top 3 dos nossos passatempos predilectos em STP está: pararmos o carro e irmos (vá-se lá saber porquê, normalmente cabe-me a mim a tarefa) apanhar cacau para comermos de imediato. É viciantemente fantástico, as miúdas deliram!!



Nós, não resistimos, trouxemos um cacau para Portugal e plantamos. Agora é aguardar e, enquanto não regressamos a este deslumbrante país, ir saboreando os deliciosos chocolates que trouxemos com sabor a África! Afinal,

"Tudo o que você realmente precisa é de amor, e um pouco de chocolate"

Lucy Van Pelt

Aqui, todas as dicas para viajar e ser feliz em STP.

Tartarugas do Príncipe

25.5.16
Príncipe, Reserva Mundial da Biosfera, considerada a Jóia de África, é dos poucos lugares do mundo onde o futuro das tartarugas está garantido. Este é o refúgio seguro para as tartarugas na costa ocidental africana que aqui sentem-se totalmente protegidas. A prova está no considerável aumento da população de tartarugas, só nos últimos três anos. A espécie Sada, em vias de extinção mundial, está agora, praticamente a salvo.



O programa de protecção destes animais assumiu um papel relevante quando a população local entendeu a importância da protecção e conservação das tartarugas e a transformou numa prioridade sua. Este projecto de protecção e conservação das tartarugas envolve a Associação das Tartarugas Marinhas, o operador turístico HBD e o Governo Regional do Príncipe.

 Fotografia retirada da Internet

Até ao final de Abril, mais de 600 ninhos eclodiram. Alguns naturalmente, outros com auxílio das equipas preparadas para o efeito. A solução encontrada para  proteger dos pregadores (sobretudo dos caranguejos e aves de rapina) as três principais espécies de tartarugas que aqui nascem. 


Nas águas mornas e cristalinas de São Tomé e Príncipe encontram-se cinco espécies de tartarugas marinhas, das quais quatro sobem à praia para desovar - Dermochelys Coriacea, tartaruga de Couro ou Ambulância; Chelonia Mydas, Amboou Mão Branca; Eretmochelys Imbricata, Caco ou Sada; Lepidochelys Olivacea, Tatô ou Olivacea e uma espécie - Caretta Caretta, Careta ou Cabeça Grande - que utiliza o arquipélago apenas como habitat oceânico.


No breu da noite, atravessamos parte da floresta tropical, depois uma imensa praia (Praia Grande), acompanhados por dois guias e apenas com a luz mínima dos telemóveis e pequenas lanternas e tivemos a bênção de ver eclodir as tartarugas, das duas formas e de as orientarmos até ao mar. Uma emoção ímpar para nós e sobretudo, para a Constança e para a Madalena e uma experiência que não tínhamos conseguido ter nos EUA, nem em Aruba, onde também conhecemos ninhos de tartarugas. 

Daqui a 25 anos, estes filhotes regressarão, a esta mesma praia para desovarem. É o desenvolvimento sustentável do Príncipe. Que seja um exemplo para o mundo!

Desova

As posturas têm início no mês de Setembro e prolongam-se até ao final de Fevereiro. Ainda assim, os principais meses (óptimos para a observação) são Dezembro e Janeiro - nesta altura já se consegue ver, em simultâneo, mães e filhos.

Para desovar, as fêmeas procuram praias desertas e normalmente aguardam o anoitecer, já que o calor da areia, durante o dia, dificulta a postura e a escuridão protege-as dos perigos. A presença de lixo na areia, barulho, a iluminação repentina (ou contínua) e outros factores ambientais, podem afugentar a subida da fêmea, e consequentemente provocar o seu retorno imediato ao mar.

Recorremos a fotografias de Internet para vos mostrar as mães que nesta altura já não estão no Príncipe e uma das crias, durante o dia, já que as visitamos na desova, durante a noite.


Depois da postura a mãe regressa ao mar e entre 45 e 60 dias depois, dependendo da temperatura da areia da praia, os cerca de 120 ovos rompem-se e nascem os filhotes. É a partir dessa altura que é possível vê-los.


Nascimentos

Estima-se que em mil tartarugas nascidas, apenas uma ou duas chegam à idade adulta. Depois de adultas, poucos animais conseguem ameaçá-las – à excepção do homem.

Neste post têm todas as dicas para visitarem e conhecerem São Tomé e Príncipe e neste, o porquê de elegermos este destino. Aqui, o que as nossas crianças sentiram nesta deslumbrante viagem. Ainda têm dúvidas de que o paraíso mora em Príncipe?

Aqui, todas as dicas para viajar e ser feliz em STP.

Mais aventuras no nosso IG.

El Ávila, o nosso Parque Natural

24.5.16
É uma bênção esta ser a cidade onde nasceu o pai e a filha mais nova, da nossa família. Esta é apenas uma das magnificas vistas da nossa casa, em Caracas – Venezuela. Estamos rodeados pelo Parque Nacional El Ávila, conhecido como Parque Nacional Waraira Repano.


Declarado Parque Nancional em 1958, este pulmão vegetal, situa-se numa cordilheira que se estende da Costa ao Centro-Norte da Venezuela, ou seja, vai se Caracas (Distrito Capital), atravessa o Estado de Miranda e a Sul, o Estado de Vargas. 


Aqui, é possível encontrar espécies endémicas, única no mundo, tanto em fauna como em flora. O seu pico mais alto situa-se a 2765 metros do nível do mar.

  

E sabem, esta vista deslumbrante esconde algumas das melhores praias de todo o Caribe!





Fotografia "a sério"

23.5.16
Não é segredo que adoro fotografia. Vou fazendo o melhor que posso e sei. Há medida que vou mergulhando neste admirável mundo, dou-me conta que quero mais e mais. Agora, a viver na Madeira, tinha mesmo que aproveitar o facto de esta ser uma das regiões de Portugal (senão a região) com maior número de amantes da fotografia e fotógrafos – amadores e profissionais - de elevadíssima qualidade. 


Gosto de aprender com os melhores, sendo que, para mim, estes, são os que além de elevada performance na área, o fazem com ética, rigor e deixam que o trabalho fale por si. Foi por isso que escolhi o Pedro Carvalho


Outro alfacinha, a viver há anos na Madeira onde se dedica, de corpo e alma, à fotografia em toda a sua dimensão. O grupo foi fantástico, super divertido e inteligente! Aprendi imenso com todos, estou muito grata!

Um ensinamento chave do Pedro:

- Comprem máquinas económicas e invistam em boas lentes!
Não é o preço do material que define o fotografo e muito menos o torna bom naquilo que faz.

O primeiro passo está dado, venham os próximos flashes e as viagens que se seguem!

O lápis da sabedoria

18.5.16
Quando lançamos este blog já imaginávamos que, naturalmente, surgiriam outros temas além da viagem física, em si. É por isso que se chama “Miles in Family” (Milhas em Família). E são tantas as viagens que todos fazemos diariamente.

Já aqui disse, repito e repetirei, vezes sem conta (correndo o risco de parecer um cliché), que as mais intensas, com resultados deslumbrantes e duradouros são as que fazemos de dentro para fora. 

Recebemos mensagens de algumas mães e avós que pediram para postarmos a Primeira Comunhão da Constança. Como para tudo, nesta casa, pedi a sua opinião (também já partilhámos convosco, logo no dia em que lançamos este blog, que as nossas filhas têm SEMPRE palavra, o que inclui as escolhas e decisões). A resposta foi: “Mãe, no blog não. É um dia nosso e de Jesus!” 

E, como sempre, vou respeitar a sua sábia vontade. Ainda assim, disse-me, com o sorriso mais terno deste mundo: “Podemos escolher só uma fotografia e postar, mas só uma.”
Foi a forma mais fraterna que encontrou para retribuir o vosso carinho.

Apesar de ainda são saber ler, nem escrever, tudo o que postamos é antes lido às duas. Nenhuma fotografia, seja da Constança ou da Madalena, é publicada sem o consentimento de ambas. E sabem uma coisa? Todas as vezes que uma me dizem não, páro, reflicto e relembro-me do quão sábias são as crianças.

Comemorações do Dia da Marinha Portuguesa

17.5.16
O Navio-Escola Sagres e a Fragata D. Francisco de Almeida, estão à vossa espera, com entrada gratuita, no Terminal de Cruzeiros de Alcântara, durante toda a semana até dia 20 de Maio,das 14h00 às 22h00. A iniciativa insere-se nas comemorações do Dia da Marinha que se celebra precisamente a 2O de Maio. A data presta homenagem ao navegador português Vasco da Gama, que nesse dia, em 1498, pela primeira vez na história, concretizou a ligação marítima entre a Europa e o Oriente, com chegada à Índia. 


O Navio- Escola Sagres (NRP Sagres) com 89,5 m de comprimento, foi construído, em 1937, nos estaleiros Blohm & Voss (em Hamburgo), tendo recebido na altura, o nome de "Albert Leo Schlageter". Foi o terceiro de uma série de quatro navios construídos para a marinha alemã. Em 1962, foi incorporado na Marinha Portuguesa como navio-escola e com o nome Sagres. Além da missão da instrução dos cadetes, o navio-escola Sagres é regularmente usado na representação da Marinha e do País, funcionando como embaixada itinerante de Portugal.

Eu, que não sou fã de bacalhau, comi o melhor Bacalhau à Brás deste mundo, a bordo do deslumbrante navio, nas celebrações dos 500 anos da cidade do Funchal.

Brasão de Armas 

A Cruz de Cristo (vermelho) foi utilizada nas velas (branco) dos navios portugueses a partir do século XV. Era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, da qual o Infante D. Henrique foi "regente e governador", desde 1420. Este símbolo constituiu um útil suporte económico e tornou possível o início da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses. O ramo de carrasqueira (ouro) era o símbolo pessoal do Infante e exprime a tenacidade, a rusticidade e o desapego pelos bens materiais e honras fáceis.

O astrolábio náutico (ouro), embora ainda não utilizado durante a vida do Infante, representa a ciência e a instrução da arte de navegar que permitiu aos pilotos portugueses demandarem novos portos, novos continentes e novas ilhas.

O fundo azul, onde se encontram inscritos os motivos a ouro acima referidos, representa o "mar oceano" que, legado de Portugal une e deixou de separar.


Patrono

O Infante D. Henrique, figura de proa do NRP Sagres, terceiro filho de D. João I, foi o grande impulsionador dos descobrimentos portugueses. No início da expansão portuguesa em África, participou ao lado de seu pai na conquista de Ceuta, em 1415. Durante o período em que o Infante viveu, Portugal consolida a sua opção atlântica, já patente aquando da aliança com Inglaterra, estabelecida em 1373.

O grande mérito da sua acção em apoiar e incentivar as viagens de descobrimento foi crucial para o impulso da exploração geográfica e económica das terras do litoral africano e das ilhas atlânticas. Tal facto possibilitou a descoberta (1419) e colonização da Madeira (1425), o dobrar do cabo Bojador (1434), a descoberta (1427) e colonização dos Açores (1439), o chegar ao cabo Branco (1441), à ilha de Arguim (1443), ao rio Senegal (1444), ao arquipélago de Cabo Verde (1456) e à Serra Leoa (1460).

Com uma postura pragmática e calculista, criou as bases para a expansão marítima que iniciou e que pôde, após a sua morte, ser continuada. Na realidade, quando ordenou as primeiras viagens para sul, os seus objectivos, face aos valores da época, não seriam inovadores. Mas os resultados dessas navegações foram extraordinários para Portugal e para o mundo. A sua divisa "talant de bien faire" (vontade de bem fazer) é pois com toda a justiça utilizada no brasão de armas da Escola Naval.​

Aqui pode consultar a agenda com o programa completo do Dia da Marinha Portuguesa.

Fonte: Marinha Portuguesa