Na apanha do Chá Verde

26.10.16
Em Julho e inicio de Agosto viajámos pelo Japão e Coreia do Sul. Hoje, partilhamos convosco mais uma experiência deliciosa e inesquecível: a apanha do chá verde e a cerimónia do chá (chanoyu- “água quente para chá” ou “caminho do chá”). 


O chá é símbolo de cortesia e hospitalidade entre os japoneses. Além disso, é a bebida mais consumida na Terra do Sol Nascente e o chá verde japonês é considerado o melhor do mundo, já que a sua produção é 100% biológica e rigorosamente regulamentada. Como por aqui somos todos fãs de chá, pareceu-nos por isso, uma oportunidade fantástica podermos proporcionar às manas uma manhã de apanha de chá verde. E assim fizemos, em Shimizu, a maior região de plantações deste chá e aquela onde o índice de saúde dos japoneses apresenta melhores resultados, sobretudo no que diz respeito a doenças oncológicas. Porquê? Devido ao elevado consumo de chá verde de elevadíssima qualidade, pois claro. 


Como visitar?
Localmente existem empresas que oferecem pacotes que incluem a visita à fábrica onde as ervas são tratadas e permitem a apanha, nos campos de cultivo. Nalguns casos é possível assistir à tradicional cerimónia do chá. Este ritual tem influência do budismo Zen, cujo objectivo é purificar a alma do homem. Lembremo-nos pois que o povo japonês procura o reconhecimento da verdadeira beleza através da modéstia e da simplicidade e consegue-o com uma excelência ímpar!


Chegámos cedo, depois de passarmos campos e campos de plantações de chá à sombra do Monte Fuji (embora coberto de névoa nesta altura do ano) e de bosques de pinheiros de Miho, lar de um pinheiro negro japonês de 650 anos. Mergulhados num refrescante e doce verde envolvente, vestimos os tradicionais e amorosos kimonos, recebemos os cestos para a apanha e fomos colher as folhas do chá.


Se a Constança e a Madalena estavam entusiasmadas? Garanto-vos que eram as pessoas mais atentas e dedicadas, em todo o campo! Sentiam a textura das folhas, o aroma e só depois colhiam com a delicadeza e carinho que só uma criança consegue ter.




O chá verde não é fermentado, ao contrário dos chás do tipo oolong que são semi-fermentados, e os chás pretos ainda mais fermentados.


Todos os chás típicos japoneses são verdes e o processamento das folhas é feito rapidamente para evitar o processo de fermentação natural. O que atribui aos chás japoneses o seu sabor característico é o facto de que as folhas são vaporizadas, evitando a oxidação, preservando a cor natural da folha e um sabor suave de fundo amargo. Em seguida, as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente moídas, transformando-se no chá que todos conhecemos. 


Contrariamente ao que é comum nalguns países ocidentais, nenhum dos chás japoneses é tomado com leite ou creamer (líquido ou pó para neutralizar o fundo amargo dos chás pretos).


No final da visita à fábrica aguardavam-nos dezenas de iguarias confeccionadas com as folhas deste chá. Desde gelados, a bolos, sopas até roupa, sim, roupa!


Só que o mais incrível ainda estava por vir! 

A senhora da foto é Miniyu, tem 100 anos, nasceu e vive desde sempre em Shimizu e tem uma missão de vida tão nobre - a de passar às gerações vindouras o ancestral e exigente ritual da cerimónia do chá.

Das mãos da experiências nenhum pormenor é descurado. Ao mesmo tempo, os seus olhos atentos como os de uma água, calibram cada movimento dos convidados para garantir que não há falha possível. Aqui, cada gesto tem uma graciosidade, delicadeza e significado próprios. Por exemplo, ao servir a primeira chávena de chá o desenho da chávena deve estar voltado para o anfitrião. Esta é uma aprendizagem que começa desde tenra idade e é tão rígida que pode demorar uma vida a adquirir as competências exigidas a um mestre. 


Existem vários rituais: o chanoyu com um carácter mais simples (chakai - “encontro para chá”) com doces típicos, chá suave (usucha) e um aperitivo (tenshin) ou um carácter mais formal (chaji – “assuntos do chá”) que pode durar até quatro horas incluindo uma refeição tradicional (Kaiseki) e ainda um chá forte (Koicha).


A curiosidade e a experiência caminham de mãos dadas, sobretudo na infância. A aprendizagem deve ser espontânea, lúdica e prazerosa. É este o caminho para implementar a atenção e consequentemente a aquisição dos conhecimentos. Até aos seis anos as crianças aprendem através do movimento, das percepções e das sensações, até porque são estas as primeiras áreas do cérebro a desenvolver-se. É por isso importante que experimentem o que lhes queremos ensinar e os japoneses são mestres também aqui.

E já conhecem o poderoso Jizo?

O nosso roteiro de 15 dias pelo Japão e Coreia do Sul (que aos poucos iremos desvendando) incluiu:

Tóquio - Kamakura - Yokohama - Shimizu - Kochi - Nagasaki - Hakodate - Nikko - Busan (Coreia do Sul)

Até breve! Entretanto, andaremos também na minha página Rita Aleluia e claro, na página de Facebook do Miles in Family.

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Voltamos!

25.10.16
Queridas famílias viajantes, as saudades que já temos vossas!
Regressamos com boas notícias: vou retomar (ainda que a um ritmo mais lento) a postar textos das nossas viagens e aventuras mundo fora. Agora, numa perspectiva ligeiramente diferente e connosco, provavelmente mais desalinhados mas, ainda mais felizes e preenchidos!


Depois de lançado o meu primeiro livro: "Mães do Mundo" - A Programação NeuroLinguística ao serviço da educação com ética, está a sair do forno o curso: "Mães do Mundo" - Parentalidade com PNL. Os meus textos sobre as viagens em família vão passar a reflectir (mais do que anteriormente) aspectos ligados à importância de mostrarmos aos nossos filhos muitos pormenores que marcam as diferenças nas viagens. Ou melhor, a diferença que faz a diferença


Falarei de presença e escuta activa e de tantas práticas que tornarão as vossas viagens e vidas em verdadeiros sonhos concretizados. Sim, a parentalidade não é, nem tem de ser um bicho de sete cabeças. É apenas um encontro de almas em conexão, guiadas pelo amor incondicional. A minha missão passa por, com o nosso exemplo, levar essa mensagem ao mundo. Lembrando sempre que cada SER é único, com ritmo próprio e está aqui com um propósito real.

Vão encontrar-me também na minha página profissional - Rita Aleluia e na PNL Portugal e no nosso IG.
Estou mesmo feliz por voltarmos a esta nossa casa que nos é tão querida. Um grande beijinho com carinho.
Rita

Eterniza o teu Verão

3.8.16
A diversidade bio-cultural do Planeta Terra é de uma imensidão fantasticamente ilimitada! 
Apesar de características únicas, há uma comum e prioritária, em todas as partes deste Mundo, em todos os cantos dos bairros, em cada casa: o AMOR! 


Este ano, já crescemos tanto, sobretudo em África e na Ásia. Antes de reunir a família e amigos mais próximos para apresentar, ao vivo e a cores, o "meu menino" - o livro "Mães do Mundo" - A Programação NeuroLinguística ao serviço da educação com ética - e antes de voar para os EUA (desta vez sem ser em família - ai que aperto e que orgulho no meu coração), onde irei fazer o meu NLP Trainer Trainers and Consultant, motivo pelo qual os milhentos posts sobre a viagem ao Japão e à Coreia terão de aguardar o meu regresso, quero apenas desafiar-vos a SERmos e a fazermos todos um Verão mais fraterno e memorável. Um Verão onde tomem (realmente) as rédeas da vossa VIDA! Como? Sem julgamentos, com acção e entrega com paixão! Podemos sorrir para um desconhecido, cumprimentar, oferecer um gelado, uma flor, ajudar a carregar as compras de alguém no supermercado, enviar uma sms para um número aleatório só para mandar um abraço apertado, dizer que aquela pessoa (que não conhecemos) é OK... Tanto que podemos fazer com tão pouco e que poderá mudar, para sempre, a VIDA do próximo e consequentemente a nossa, a da nossa família e a do Planeta. Sim, gera-se uma corrente fenomenal! Alinham?
Nós, já começámos :-)))
Um beijinho e um abraço apertado, com carinho!

P.S - Pais, somos o exemplo para os nossos filhos ;-)

Mais aventuras no nosso IG.

Licença Internacional de Condução

13.7.16
Para evitar surpresas desagradáveis, na hora de alugar um carro no estrangeiro, estejam atentos aos vossos documentos de condução. 


A Licença Internacional de Condução (LIC) é obrigatória em vários países e é emitida aos condutores titulares da carta de condução nacional ou de outros Membros de espaço económico europeu. Dirijam-se ao IMTT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) ou preencham o formulário online, disponível no site do IMTT e enviem por CTT. Deverão entregar uma foto tipo passe a cores, o original da Carta de Condução ou documento que legalmente a substitua, fotocópia do B.I./C.C. ou de outro documento oficial (ex: Passaporte) e pagarem 30€. Demora 48 horas a ser emitida e tem a validade de um ano. Em casos devidamente justificados, o IMTT emite a LIC em 24 horas, sem cobrar taxa extra.

A LIC pode ainda ser solicitada no ACP, preenchendo este formulário. 

De partida para um admirável mundo novo

13.7.16
Já aqui vos tinha revelado que as nossas viagens começam no momento em que decidimos qual o próximo destino. Pois bem, desta vez, por serem dois destinos muito exóticos, em relação aos que costumamos desbravar, a preparação inclui novidades. As próximas "salas de aulas" da Constança e da Madalena, são uma imensidão de práticas que nos conduzem ao melhor que temos para partilhar com o mundo.


Além de encontrarem a localização no Globo, escolheram, como habitualmente, na Internet, quais as fotos mais significativas (para as duas) colocarem no quadro, tiraram duvidas sobre a importância de cada elemento que compõe cada imagem, cortaram e colaram. Uma palavra: FASCÍNIO

Focamo-nos no Japão, já que a Coreia do Sul, embora muito diferente, terá também semelhanças. Ainda assim, faltava apurar algo: a gastronomia e as regras de etiqueta. Sim, o Japão é considerado o país das regras de etiqueta! Mas não são normas de inflexibilidade ou de autoritarismo, são sim, de respeito pelo próximo, pelo modelo do mundo diferente e isso é que as torna tão especiais. 


Partilhamos aqui, algumas:


  • Ojigi” - cumprimento curvado

Seja no local de trabalho, na estação ou numa loja. A qualquer momento é possível ver pessoas curvarem-se perante outras, é o chamado: “ojigi” - cumprimento no qual se curva para frente, em atitude de respeito e humildade.


  • Sumimasen” - “perdão” ou “com licença”

“Ceder o lugar ao outro” (yuzuriau) é a regra de ouro quando existem duas pessoas no mesmo lugar. Seja para se sentar ou, simplesmente, ao caminhar pela rua. 


  • Silêncio


No metro, os passageiros deverão permanecer em sil êncio ou falar baixo, de forma a evitar perturbar quem está próximo. 


  • Espirros

Evitem assoar-se à frente de outras pessoas e nada de usar lenços de pano. Tal como noutros países asiáticos o lenço de papel é considerado mais higiénico.


  • Saborear a comida 

Evitem também comer de pé ou a andar pela rua. A comida precisa de ser saboreada com calma. 


  • Apontar o dedo, pés ou hashis (palitos de comer) para pessoas é considerado uma grande falha de etiqueta. Bem, esta também se aplica no Ocidente (em geral).


  • Evitem ainda expressar uma opinião de forma clara ou directa. Os japoneses preferem a harmonia do grupo em vez de opinarem sobre algo de forma efusiva.


  • Não os interrompam nem se preocupem com os intervalos de silêncio. A cultura japonesa aprecia e muito, esses momentos.


  • Evitem olhar fixamente para alguém, seja homem ou mulher.


  • Muitas lojas e cafés fornecem sacos de plásticos para guarda-chuvas em dias chuvosos. Certifiquem-se que não entram com o guarda-chuva molhado.

E a preferida das manas (aiiiiii):


  • Ao contrário da etiqueta ocidental, sopas e massas podem e devem ser chupadas das tigelas. Aliás, pratos e tigelas devem ser trazidos à boca, ao invés de se deixar pender a cabeça sobre os mesmos.
É sempre tão revigorante fazer a mala e partir para beber sabedoria, tranquilidade… Agitar a VIDA para que ela seja livre de se desenvolver!  

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Sai uma poncha?

30.5.16
Falar da Ilha da Madeira e não falar de poncha soa a incompleto. Esta bebida tradicional da Madeira faz parte dos convívios entre familiares, amigos, naturais ou turistas. Confesso que não consigo beber nenhuma das suas muitas versões, mas só porque não bebo álcool. Ainda assim, mostro-vos como se faz.


Receita:

A poncha regional é feita com metade de sumo de limão e metade de sumo de laranja. A seguir é adicionado o mel de abelha e, depois, deitado a mesma quantidade de sumo mas em aguardente (só o cheiro anestesia). Por fim, mistura-se tudo muito bem, com o mexilhote e está pronta a beber (só para os valentes)! 

E, antes do pai regressar ao dia-a-dia de uma Venezuela em convulsão, demos um salto à poncha, porque ele garante que é a melhor toma profilática (para adultos) que existe no mercado, é uma espécie de reforço do sistema imunitário (juram os locais)!





Já existem versões modernas, mais suaves, de tangerina, laranja, maracujá e outras. 
Foi na Venda do André, uma deliciosa mercearia do antigamente, algures nas montanhas do Concelho de Câmara de Lobos, que encontramos esta, de tangerina. 





Algum voluntário? 

O "petróleo" de São Tomé e Príncipe

27.5.16
Olhar para estes carris e imaginar que aqui circulavam diariamente, dezenas de vagões recheados de toneladas de cacau, o petróleo de São Tomé e Príncipe (STP) e um dos símbolos do colonialismo português, é qualquer coisa de arrepiante. Chega a ser difícil explicar às crianças tanta imponência. 


40 Anos depois da independência subsistem os cacaueiros deixados pelos portugueses e, apesar do cacau já não ter o domínio de outrora, representa, de acordo com dados do Governo são-tomense, cerca de 90% do valor total das exportações. 


Por toda a ilha, é possível sentir o aroma a cacau que vem dos armazéns onde é depositado. Foi debaixo de uma tempestade tropical, na Roça Agostinho Neto, antiga Rio do Ouro que encontramos os pequenos agricultores que ali depositam o seu cacau. A seguir, Nazária, neta de escravos que trabalhavam as terras férteis do cacau e café, retira as impurezas que o possam acompanhar e pesa-o. Passa depois para as várias etapas de secagem até ser processado em maquinaria ancestral.




Há semelhança do que acontece em praticamente todas as roças - ainda activas - de STP, neste armazém onde se respira história, todo o processo é muito artesanal e natural. A qualidade do cacau de STP é mundialmente reconhecida, e a sua versão biológica, está a renovar a dignificação do nome deste arquipélago. Para esse efeito foi criada a Cooperativa dos Pequenos Agricultores e Produtores de Cacau Biológico (CECAB) que inclui um extenso programa social de apoio aos agricultores que passa, por exemplo, por atribuir descontos nas consultas médicas e a possibilidade de comprarem os materiais de trabalho a preços mais acessíveis. O grupo privado francês “Chocolaterie Frigoulette” que vende chocolate de elevadíssima qualidade na Suíça, Rússia, e Bélgica, é o principal cliente deste cacau.




E, a viver há 20 anos em STP, o italiano Claudio Corallo, apostou tudo no alimento dos deuses e transforma-o, localmente, num dos melhores chocolates do mundo, tendo já recebido várias distinções internacionais nesse sentido.


No top 3 dos nossos passatempos predilectos em STP está: pararmos o carro e irmos (vá-se lá saber porquê, normalmente cabe-me a mim a tarefa) apanhar cacau para comermos de imediato. É viciantemente fantástico, as miúdas deliram!!



Nós, não resistimos, trouxemos um cacau para Portugal e plantamos. Agora é aguardar e, enquanto não regressamos a este deslumbrante país, ir saboreando os deliciosos chocolates que trouxemos com sabor a África! Afinal,

"Tudo o que você realmente precisa é de amor, e um pouco de chocolate"

Lucy Van Pelt

Aqui, todas as dicas para viajar e ser feliz em STP.