Em Julho e inicio de Agosto viajámos pelo Japão e Coreia do Sul. Hoje, partilhamos convosco mais uma experiência deliciosa e inesquecível: a apanha do chá verde e a cerimónia do chá (chanoyu- “água quente para chá” ou “caminho do chá”).
O chá é símbolo de cortesia e hospitalidade entre os japoneses. Além disso, é a bebida mais consumida na Terra do Sol Nascente e o chá verde japonês é considerado o melhor do mundo, já que a sua produção é 100% biológica e rigorosamente regulamentada. Como por aqui somos todos fãs de chá, pareceu-nos por isso, uma oportunidade fantástica podermos proporcionar às manas uma manhã de apanha de chá verde. E assim fizemos, em Shimizu, a maior região de plantações deste chá e aquela onde o índice de saúde dos japoneses apresenta melhores resultados, sobretudo no que diz respeito a doenças oncológicas. Porquê? Devido ao elevado consumo de chá verde de elevadíssima qualidade, pois claro.
Como visitar?
Localmente existem empresas que oferecem pacotes que incluem a visita à fábrica onde as ervas são tratadas e permitem a apanha, nos campos de cultivo. Nalguns casos é possível assistir à tradicional cerimónia do chá. Este ritual tem influência do budismo Zen, cujo objectivo é purificar a alma do homem. Lembremo-nos pois que o povo japonês procura o reconhecimento da verdadeira beleza através da modéstia e da simplicidade e consegue-o com uma excelência ímpar!
Localmente existem empresas que oferecem pacotes que incluem a visita à fábrica onde as ervas são tratadas e permitem a apanha, nos campos de cultivo. Nalguns casos é possível assistir à tradicional cerimónia do chá. Este ritual tem influência do budismo Zen, cujo objectivo é purificar a alma do homem. Lembremo-nos pois que o povo japonês procura o reconhecimento da verdadeira beleza através da modéstia e da simplicidade e consegue-o com uma excelência ímpar!
Chegámos cedo, depois de passarmos campos e campos de plantações de chá à sombra do Monte Fuji (embora coberto de névoa nesta altura do ano) e de bosques de pinheiros de Miho, lar de um pinheiro negro japonês de 650 anos. Mergulhados num refrescante e doce verde envolvente, vestimos os tradicionais e amorosos kimonos, recebemos os cestos para a apanha e fomos colher as folhas do chá.
Se a Constança e a Madalena estavam entusiasmadas? Garanto-vos que eram as pessoas mais atentas e dedicadas, em todo o campo! Sentiam a textura das folhas, o aroma e só depois colhiam com a delicadeza e carinho que só uma criança consegue ter.
Se a Constança e a Madalena estavam entusiasmadas? Garanto-vos que eram as pessoas mais atentas e dedicadas, em todo o campo! Sentiam a textura das folhas, o aroma e só depois colhiam com a delicadeza e carinho que só uma criança consegue ter.
O chá verde não é fermentado, ao contrário dos chás do tipo oolong que são semi-fermentados, e os chás pretos ainda mais fermentados.
Todos os chás típicos japoneses são verdes e o processamento das folhas é feito rapidamente para evitar o processo de fermentação natural. O que atribui aos chás japoneses o seu sabor característico é o facto de que as folhas são vaporizadas, evitando a oxidação, preservando a cor natural da folha e um sabor suave de fundo amargo. Em seguida, as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente moídas, transformando-se no chá que todos conhecemos.
Contrariamente ao que é comum nalguns países ocidentais, nenhum dos chás japoneses é tomado com leite ou creamer (líquido ou pó para neutralizar o fundo amargo dos chás pretos).
No final da visita à fábrica aguardavam-nos dezenas de iguarias confeccionadas com as folhas deste chá. Desde gelados, a bolos, sopas até roupa, sim, roupa!
Só que o mais incrível ainda estava por vir!
A senhora da foto é Miniyu, tem 100 anos, nasceu e vive desde sempre em Shimizu e tem uma missão de vida tão nobre - a de passar às gerações vindouras o ancestral e exigente ritual da cerimónia do chá.
Das mãos da experiências nenhum pormenor é descurado. Ao mesmo tempo, os seus olhos atentos como os de uma água, calibram cada movimento dos convidados para garantir que não há falha possível. Aqui, cada gesto tem uma graciosidade, delicadeza e significado próprios. Por exemplo, ao servir a primeira chávena de chá o desenho da chávena deve estar voltado para o anfitrião. Esta é uma aprendizagem que começa desde tenra idade e é tão rígida que pode demorar uma vida a adquirir as competências exigidas a um mestre.
Existem vários rituais: o chanoyu com um carácter mais simples (chakai - “encontro para chá”) com doces típicos, chá suave (usucha) e um aperitivo (tenshin) ou um carácter mais formal (chaji – “assuntos do chá”) que pode durar até quatro horas incluindo uma refeição tradicional (Kaiseki) e ainda um chá forte (Koicha).
A curiosidade e a experiência caminham de mãos dadas, sobretudo na infância. A aprendizagem deve ser espontânea, lúdica e prazerosa. É este o caminho para implementar a atenção e consequentemente a aquisição dos conhecimentos. Até aos seis anos as crianças aprendem através do movimento, das percepções e das sensações, até porque são estas as primeiras áreas do cérebro a desenvolver-se. É por isso importante que experimentem o que lhes queremos ensinar e os japoneses são mestres também aqui.
E já conhecem o poderoso Jizo?
E já conhecem o poderoso Jizo?
O nosso roteiro de 15 dias pelo Japão e Coreia do Sul (que aos poucos iremos desvendando) incluiu:
Tóquio - Kamakura - Yokohama - Shimizu - Kochi - Nagasaki - Hakodate - Nikko - Busan (Coreia do Sul)
Até breve! Entretanto, andaremos também na minha página Rita Aleluia e claro, na página de Facebook do Miles in Family.
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