Somos fãs de cruzeiros e, por ser o último ano em que não estávamos sujeitos à ditadura do calendário escolar, optamos por navegar em Maio, pelo Mediterrâneo, já que até então viajavamos sempre pelos mares das Caraíbas.
Companhia de navegação
Somos entusiastas da Royal Caribbean (RC) e não era fácil optar por outra companhia, sobretudo depois de termos passado férias fantásticas a bordo, tanto do mais pequeno (Majesty of the Seas), quanto (na altura) do maior navio de cruzeiros do mundo (Oasis of the Seas)– ambos RC. Mas essa era uma crença altamente limitadora e temos um lema: sair da zona de conforto! Arriscamos a MSC!
Navio
MSC Preziosa: mais um gigante dos mares, com capacidade para 3500 passageiros e mais de 1300 tripulantes, com uma escadaria de cristais Swarovski (pirosa que sei lá, para o nosso gosto mas encantadora para muitos dos passageiros que a sobem e descem deslumbrados), discoteca para miúdos e graúdos, o maior parque aquático dos mares, um simulador de formula 1 a bordo… Cabines e camarotes espaçosos e francamente confortáveis (aquí ganham à RC).
Um navio muitíssimo simpático!
Íamos comprar uma cabine com janela mas já não estavam disponíveis. Restava-nos escolher entre interior e com varanda. Com crianças (curiosas e atrevidas) ficamo-nos pela primeira opção e não nos arrependemos!
Porto de partida
Queríamos sair de Veneza por sabermos que seria uma das últimas oportunidades para contemplarmos a Piazza de San Marco, desde o Grande Canal, a bordo de um navio gigante (já que a partir de Novembro de 2014, todos os navios com mais de 96 toneladas estariam impedidos de navegar neste canal). Esta saída é considerada, pelos amantes dos cruzeiros, como a mais fabulosa do Planeta! E foi!!! Não encontramos, ainda hoje, adjectivos à altura para a descrever!
Quando demos por nós já estávamos a bordo e alojados! O nosso camareiro, Gyang, era um amor. Confessou-nos que não conhecia o navio, apenas aquele deck e a cabine partilhada, onde dormia. Contou-nos um pouco do que é ficar nove meses no mar, sem sair sequer nos portos, um sacrifício recompensado quando vê os sorrisos tranquilos nos rostos dos filhos e da esposa (há escolhas ingratas).
Saímos de Veneza rumo a Bari...
Buffet
Não pretendíamos jantar no salão, na primeira noite e fomos ao buffet, era a confusão total! Passageiros em atropelo, empregados pouco disponíveis... Pedimos uma sopa para a bebé que demorou uma eternidade a chegar (vinha da cozinha) e o cardápio, digamos que não era, de todo o mais variado. Mas pensamos: siga a marinha! Seguimos!
A partir desse momento a nossa viagem entrava numa espécie de espiral de alienação! Cruzavam-se connosco as personagens mais sinistras, mais arruaceiras, excepção feita a um grupo de bailarinos alemães que usufruíam do seu cruzeiro dançante, numa secção à parte. As zonas de fumadores confundiam-se com as de não fumadores (tal era o abuso dos passageiros perante a apatia da tripulação responsável).
Clínica
Tínhamos saído, definitivamente das nossas zonas de conforto! Até que, um a um (salvou-se a Madalena) e à medida de um por dia, adoecemos a bordo (desconhecemos até hoje a causa mas desconfiamos de intoxicação alimentar).
Ficamos a conhecer a clínica (simpática por sinal), a frieza e a rigidez (assim como a eficiência) dos médicos do Kosovo e de Montenegro e a simpatia de uma jovem enfermeira da Macedónia. Descobrimos ainda as manhas de muitos tripulantes que inventavam as desculpas mais rocambolescas para invadirem a zona com queixas em troca de justificações médicas, para faltarem ao serviço. Como a maioria era de nacionalidade brasileira (e não sabiam que éramos portugueses) acabávamos por ouvir as combinações das sintomatologias, entre eles, antes de chegarem aos médicos e tinha mesmo muita piada. Claro que a porta da rua era a serventia da casa e saiam de lá mais depressa do que entravam, para chegarem a horas aos seus postos!
Chegamos a Istambul, saímos no navio, pisámos terra firme e já a alcançar o controlo de saídas perdi o Norte, o Sul, tudo... regressámos ao Preziosa, esta mãe de cadeira de rodas. Fiquei meia manhã a receber soro e medicação intravenosa. Mas, ver Istambul por uma escotilha era inaceitável para a minha vontade maior de pôr pés ao caminho e desvendar os mistérios da mística Istambul. A enfermeira macedónia, depois de tanto lhe rogar lá me fez a vontade e fomos, os quatro felizes à aventura, numa cidade a regressar!
Excursão
Perdemos a excursão que tínhamos comprado de véspera, a única que recebeu o valor de volta fui eu (tinha atestado médico). Não aceitaram a justificação de que o pai tivesse que ficar a bordo, com as duas filhas menores, de olho na saúde da mãe.
Salão
Nessa noite, decidimos trajar a rigor para jantarmos no salão. Estava com lotação quase esgotada, sob um ruído ensurdecedor, digno da pior tasca... Como estava indecisa em relação ao prato principal decidi pedir apenas a entrada, para começar. Em resposta a antipatia do empregado de mesa e um: “tem que pedir tudo de uma vez e já!”. Levantamo-nos e fomos jantar a um restaurante pago!
Junior Club
No regresso de Istambul, eu ainda estava debilitada e a Constança frequentou por duas horas o Junior Club. A atenção prestada às crianças era tanta que levamos a nossa filha sem que ninguém se apercebesse. Por acaso éramos nós, os pais! Só por acaso... Passado uma hora, dirigimo-nos à recepção, pedimos a presença da responsável do club e perguntámos pela nossa filha. Perante o pânico da responsável, ao perceber que a criança estava desaparecida, apresentamos-lhe a Constança. Acreditamos que tenha servido de lição para casos futuros! No dia seguinte, tínhamos à porta, em nome da Constança, um saco recheado de mimos, com o boneco mascote, do navio a Dó Ré Mi e um pedido de desculpas formal.
Mas a viagem prosseguiu, rimos de muitas situações, reclamámos de várias, em sede própria.
Conhecemos viajantes que navegaram no mesmo navio (noutras rotas) e que tiveram férias perfeitas! A MSC é uma boa companhia de cruzeiros. Aconteceu, não a nós mas para nós e não foi tudo mau, pelo contrário, testamos limites, situações novas, reacção das crianças perante as adversidades em viagem, fortalecemos laços e agora, a esta distância arriscamos dizer: repetíamos!
Afinal, não são os acontecimentos das nossas vidas que a marcam mas sim, a forma como reagíamos ou agimos perante os mesmos!
Próximo cruzeiro, por favor!
Dicas
Quando viajarem façam sempre um seguro de saúde. A bordo, todas as despesas médicas serão suportadas por vocês e são bastante dispendiosas. Guardem os recibos e apresentem, na companhia seguradora, à chegada a Portugal. Têm que pagar a franquia e o resto é suportado pelo seguro. Vale a pena!
P.S 1 - Todas as fotos foram feitas com os nossos telemóveis, porque, também a máquina fotográfica teve um problema. E então?! Ficamos com fotos na mesma e com memórias fantásticas!
P.S 2 - O nosso próximo cruzeiro será realizado com uma companhia, com a qual nunca pensámos navegar (COSTA - sem razão especial, apenas ainda não nos tinha atraído), mas o itinerário é deslumbrante… Em breve contaremos tudo.
Como comprar um cruzeiro e o que levar
Cruzeiros em Família















Espetacular: o truque é descubrir o lado bom das situações :) Está lá sempre, não é?
ResponderEliminarA forma como reagimos e interpretamos perante as situações faz toda a diferença.
ResponderEliminar