CERN

17.8.15
A primeira vez que ouvi falar do CERN era miúda. O avô Jaime dizia que era “espécie de laboratório de prémios Nobel da física”. Fascinada pelo assunto, registei na minha memória, na gaveta da ‘wish list’, activado sempre que a humanidade avança, fruto de mais uma descoberta nascida por lá. Mas há mais, neste fascínio. Para esta mãe (crente), é aqui que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, com a sua humildade se propõe a mostrar ao mundo, o que está por trás das obras do Criador. Não é por acaso que a “Bóson de Higgs”* é conhecida como sendo a “partícula de Deus”...


O CERN - Laboratório Europeu de Física de Partículas - é o maior do mundo, nesta área. Foi criado em 1952, com o apoio de 12 países europeus. Nessa altura, nos Estados Unidos e graças à bomba atómica, a ciência progredia velozmente com o empenho de muitos cientistas europeus que tinham cruzado o Atlântico para se refugiarem da Segunda Guerra Mundial, enquanto a Europa recuperava lentamente.

A única forma da ciência europeia competir com os avanços norte-americanos era estabelecer uma parceria entre cientistas de ambos os continentes e criar este laboratório e assim foi. 


Hoje, a instituição conta com a colaboração, ‘in loco’, de mais de três mil pessoas e de 10 mil, em todo o mundo. Aqui, trabalham não só físicos como engenheiros de várias especialidades (químicos, mecânicos, de materiais...), informáticos e tantos outros. É financiada por 20 Estados Membros.


Próximo de Genebra, o laboratório atravessa as fronteiras de dois países – a Suíça e a França. Conversamos com um engenheiro que nos disse, em tom de brincadeira: “sou um privilegiado, trabalho na Suíça, almoço em França e sem ter que sair do local de trabalho”. Sortudo! 

A visita

Para visitar o CERN basta fazer uma reserva, pelo menos com três dias de antecedência mas é recomendável com mais tempo, para garantir que consegue a visita no dia, horário e idioma que deseja. Pode fazê-lo através da página: http://outreach.web.cern.ch/outreach/visites/

Os guias são todos investigadores no centro, a maioria muito jovens, disponíveis e bem-dispostos. 

Globo da Ciência e Inovação do CERN 


Está em remodelação e não podemos visitar (pretexto maravilhoso para uma próxima visita). Este é o símbolo do CERN, com o auditório e a sua exposição permanente: “O Universo de Partículas”, onde é possível desvendar os segredos dos diferentes elementos que desfilam neste mundo misterioso. (Foto cedida pelo CERN)

Microcosmos



Um pequeno museu onde nos é dado a conhecer os conceitos básicos de como funciona cada área do CERN e onde estão expostos instrumentos utilizados em antigas experiências. As crianças ficam profundamente curiosas e gostam bastante, porque o espaço é interactivo e surgem cientistas, em ecrãs, divertidíssimos, a esclarecer dúvidas, a contar como passam o dia e como é trabalhar neste mundo de experiências. 


Atlas Visitor Center


Aqui assiste, na sala de controlo, em directo ao funcionamento dos seis aceleradores (desde que estejam em funcionamento). O guia explica todos os processos. (Foto cedida pelo CERN).

O LHC (Large Hadron Collider), tem 27 quilómetros de comprimento e está montado em forma de anel. Juntamente com ele estão instalados os aceleradores, ALICE, CMS, ATLAS e LHCb,assim como outros secundários, usados para experiências especificas.


ALICEGrande Colisor de Íons
ATLASAparato Toroidal do LHC
CMSSolenoide Compacto de Múons
LHCb'LHC-beauty
LHCfLHC-front
TOTEMSessão transversal do total, disseminação
elástica e dissociação por difração
p y PbAcelerador linear
de prótons
PSSíncrotron de prótons
SPSSuper-Síncrotron de prótons

SM18

A parte mais aguarda da visita ao CERN. Neste hangar testaram-se todos os imanes posteriormente instalados no túnel, a 100 metros de profundidade e responsáveis por fazer girar as partículas para que possam formar uma trajetória circular. É também aqui que se observa o comportamento dos mesmos imanes em temperaturas incrivelmente extremas (273 graus celsius negativos), em alta intensidade e no vazio.


Há ainda muitos outros espaços para conhecer, mas (ainda) não é o tipo de visita interessante para as manas. Voltaremos noutra oportunidade. Como dizia o cientista preferido da mana ‘maiusca’ - Albert Einstein: “Não gosto de pensar no futuro, chega muito depressa!” Até lá, as manas e nós exploramos a ciência, cada qual ao seu ritmo, encantamento e curiosidade.




Curiosidades:

O trabalho do CERN passou a ter notoriedade mediática quando as pesquisas acerca da aceleração de partículas, ali realizadas desde há mais de 50 anos, permitiram a comprovação prática da teoria da existência dos “Bósons de Higgs”*, o que fundamentou a atribuição do Nobel de Física ao cientista inglês Peter Higgs e ao belga François Englert. Mas o CERN estava já ligado a este prémio anteriormente, através de trabalhos ali realizados em 1959 e 1984. Entretanto, outros três investigadores do CERN foram apontados para o Nobel em 1952, 1976 e 1988.

As ruas do centro têm todas nomes de cientistas de relevo mundial e são uma excelente ocasião para testar os nossos conhecimentos científicos: Albert Einstein, Richard Feynman, Marie Cury - uma mulher que sempre me fascinou pelo seu contributo para a humanidade e pela sua infindável inteligência e astucia! A primeira cientista a receber dois Prémios Nobel da Física (vitima da sua exposição às radiações excessivas) e mãe de uma investigadora, também galardoada com um Nobel, esta da Química.


Estas visitas, descontraídas são, quanto a nós, umas das formas mais maravilhosas de introduzir os nossos filhos no admirável mundo da ciência. De lhes mostrar que o que parece ser, nem sempre é e que crescemos quando indagamos e procuramos novas respostas. Até porque, "o pensamento lógico pode levar-nos de A a B, mas a imaginação leva-nos a qualquer parte do Universo" - Albert Einstein.



* “Bóson de Higgs” - a partícula que torna possível a existência de tudo e de todos. Ela funciona como uma espécie de cola para formar a matéria e é conhecida também como a “partícula de Deus”. A comprovação da teoria demorou 48 anos. 
Não podiamos concluir este post sem partilharmos um mandamento, tão verdadeiro, da Nobel Marie Curie - "Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos"


Sem comentários:

Enviar um comentário